<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476</id><updated>2011-08-01T20:03:39.046-02:00</updated><title type='text'>As 200 Mais Belas Histórias do Mundo</title><subtitle type='html'>As 200 mais belas histórias do mundo é um blog onde são publicadas as 200 mais belas histórias do mundo. 

Textos de &lt;a href="mailto:pureza.ug@gmail.com"&gt;&lt;i&gt;Mortimer S&amp;oacute; &lt;/i&gt;&lt;/a&gt;</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>81</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-7204870021684760024</id><published>2010-10-03T15:09:00.026-02:00</published><updated>2010-10-03T17:33:54.878-02:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro</title><content type='html'>Era preciso ganhar 5 quilos para ele ser aceito no grupo.&lt;br /&gt;Era preciso também malhar 3 vezes por semana.&lt;br /&gt;Também ser bilingue e ter o MBA (em'biei).&lt;br /&gt;Sorrir e ser alto-astral durante todo o expediente.&lt;br /&gt;Pra completar, ele tinha rejuvenescer uns 10 anos... perdão, 15.&lt;br /&gt;E que ele ficasse bem satisfeito com isso pois outros candidatos tinham que cumprir exigências muito mais desafiantes - ela completou. Ele assentiu com a usual cara de nada. Leu por ler, fingindo que lia (sabe como é?), mas não assinou o contrato. Disse que ia pensar. A atendente, em atitude profissional, também não se importou muito com isso. As atendentes de qualidade tem por virtude não se importar com coisas que não dizem respeito às questões práticas do Mercado. O Mercado... sem ele a vida perderia a lógica ou teria que se arranjar uma lógica diferente.&lt;br /&gt;No fundo, o que ele mais queria era propor a tal lógica diferente mas... quem é ele?&lt;br /&gt;Ele achava que era algo. E, de fato, era. Ou pelo menos, foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Keith Richards não tem botox no rosto.&lt;br /&gt;Por aquela pele também não passou nenhum bisturi milagroso. Então é um rosto que incomoda as pessoas por ser esculpido e não embutido. O rosto do velho é uma subversão ambulante... porque é constrangedor. Fica tudo bagunçado como uma cama revirada ou restos num prato. A solidão. Desilusões. Excesso de risos. Rastros de choros. Noites insones. Canais secos de profunda preocupação. "Estou bem?" "Estou mal?" "Falhei?" "Terei sucesso?" Erosão não é uma coisa bonita. Mas ele gosta de Keith Richards... De Iggy Pop também. "Não há nada mais punk que um rosto de velho." - costuma dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tem filho e escreve. Ele sem nenhum 'herdeiro' mas na tal da "idade boa pra levar filho na escola". Dois cadernistas compulsivos. Perfazendo em rasbiscos ou garranchos uma trajetória de deriva. E não... Isso não é a sinopse de mais um filme sobre loosers. É apenas um testemunho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele disse que faria as ilustrações mas precisaria antes ler tudo. Mas andava meio maluco. Ele É meio maluco. Defina maluco. Maluco? Maluco é alguém que leu (ou fingiu que leu) o contrato do Mercado mas não assinou. E preferiu adorar a esfinge do Keith Richards a fazer um extreme make-up (anglicismos técnicos tornam um texto mais up-to-date). Date que lembra dating. Encontro. Ele acha graça dessa palavra - graça como desprezo adornado de melancolia. Mais um anglicismo. Na real, um americanismo. Dating... como Bullying. Essas coisas perniciosas que vem dos big boss da cultura do Mercado, digo, do Livre Mercado. Por essas razões e outras pessoais ele hoje deu parte de seu voto aos comunistas revolucionários. Assim, bem demodé: excluído vota em excluído. Demodé...  Agora estamos evoluindo para um francofonismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao bullying (e não vou pesquisar no google como isso se escreve)lá estava ele, andando de novo no pátio do Colégio em que estudou... melhor dizendo, aguentou parte de sua adolescência de poucos datings e muitos bulliyngs... bullshits... borings... e outros americanismos perniciosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele votou. Entreouvindo na fila da classe média, os velhos fantasmas de sempre, reclamações tolas e outras hilariantes e, pensando nisso, logo existiu e alcançou uma conclusão: é o Rio de janeiro que está muito bullshit ou é um mal do século? A amiga separada reclama que o Mercado não anda oferecendo material de qualidade. O outro pega mulher demais mas não se satisfaz com nenhuma. A outra ficou triste com o peguete e daí tme medo de virar periguete. E ele, nosso herói, não assinou o contrato. Alguém toca violão no apartamento vizinho. Ele sobe. Quer descobrir. Vai de escada até o andar de cima. Quer sempre descobertas. Já é mania. Curioso e covarde porque se corre atrás da resposta também se limita a um ouvido colado à porta, um bobo xeretando o dedilhado alheio. Daí, não sei se por satisfação ou cansaço, volta ao seu nicho. E agora ele se toca que está escrevendo sobre outras vidas. Entende agora que é um olho cego que pensa que vê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-7204870021684760024?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/7204870021684760024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=7204870021684760024' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/7204870021684760024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/7204870021684760024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/10/rio-de-janeiro.html' title='Rio de Janeiro'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-524920762588080320</id><published>2010-09-29T23:30:00.000-02:00</published><updated>2010-09-29T23:28:49.136-02:00</updated><title type='text'>34 páginas a preencher</title><content type='html'>Eu sou muito fiscal.&lt;br /&gt;Uma pessoa fiscal. Muito muito fiscal. &lt;br /&gt;Fiscal, ora!!!! Fiscal! Fiscal! Não sabe o que é fiscal? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu amanheço normal. Abro os olhos e fico assim... fiscal.&lt;br /&gt;Não me dou comigo. Não me aturo.&lt;br /&gt;Alguém me chamou a atenção disso. Eu preferia não beber tanto porque se não teria sido o primeiro a notar... e a anotar. Eu tenho um pequeno livro de bolso cujas páginas são brancas. Ou melhor, as últimas 34 páginas são brancas, as anteriores estão escritas. Por mim, claro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou aderir ao contrasenso comum e vou dizer agora que meu livro (de bolso) não existe em meu bolso. Eu o guardo em meu cérebro. Se vejo algo notável anoto. Guardar um livro no cérebro não é tão fácil quanto parece. Apesar das humildes dimensões - do livro e não dos meus miolos, esclareço -, a coisa incomoda. Sacode quando caminho. Espeta quando pulo. Não sei se notaram, não sei, mas livros costumam ter pontas em ângulos retos e, dependendo da grossura do objeto em questão, isto pode causar dor se premido contra a carne. O cérebro é o tipo da carne esponjosa que odeia extremidades e guardar sólidos pontudos dentro dessa maravilha não é recomendável nem mesmo tolerável. Mas eu guardo. Guardo por segurança pois meu livro de 34 páginas brancas e 10 primeiras, escritas por mim, está mais seguro no meio da carne esponjosa abrigada sob a caixa craniana quase calva e com indícios de seborréia, que em qualquer outro lugar do meu rotundo corpo. Livros de bolso no bolso podem cair - eu já tive essa experiência - e perder minhas anotações, sendo eu uma pessoa muito fiscal, me deixa desamparadíssimo. Vai tomar no cu. Essa expressão foi uma estratégia - e não uma atitude gratuita e arrogante como alguns leitores não-iniciados em minha escrita poderiam concluir. Mandei tomar no cu um outro pensamento que vinha durante esta escrita. Atualmente, quando detecto essas invasões, eu imediatamente corto com um "pare", "epa", "não,  não e não" ou, quando o pensamento é perigoso, parto para algo mais drástico como um "vai tomar no cu". Tem funcionado. Não muito mas em geral corta o pensamento antes que atinja seu climax. Foi portanto uma medida profilática. Isso, exatamente isso, faz de mim uma pessoa fiscal. Brilhante conclusão. Um instantinho, por favor, tenho que anotar isso.&lt;br /&gt;E eu tenho 34 páginas a preencher.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-524920762588080320?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/524920762588080320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=524920762588080320' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/524920762588080320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/524920762588080320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2009/11/34-paginas-preencher.html' title='34 páginas a preencher'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-9091506152158991617</id><published>2010-09-28T23:21:00.000-02:00</published><updated>2010-09-29T23:21:25.908-02:00</updated><title type='text'>Bertold &amp; Martha</title><content type='html'>- Eu sou uma merda. – concluiu Martha se olhando no espelho.&lt;br /&gt;- Eu sou uma merda. – concluiu Berthold se olhando no espelho.&lt;br /&gt;Berthold e Martha estavam a 1 km de distância um do outro.&lt;br /&gt;Berthold morava no inicio da rua.&lt;br /&gt;Martha, no final.&lt;br /&gt;Os dois estavam nus.&lt;br /&gt;Os peitos de Martha estavam levemente caídos. Martha os suspendeu levemente e os soltou. Eles deslizaram pra fora das mãos... Caídos e, no entanto, muito pequenos... Estes eram os peitos de Martha.&lt;br /&gt;Berthold tinha uma pança q caia levemente sobre si mesma. Berthold alisou a ponta.&lt;br /&gt;Alisou e puxou o ar para dentro. A barriga se recolheu. Soltou o ar e ela voltou ao ponto de origem. Não era das grandes.&lt;br /&gt;Eram solteiros e estavam nus.&lt;br /&gt;- Q porra. – disse Martha aos seus cabelos secos.&lt;br /&gt;- Porra – disse Berthold para suas entradas.&lt;br /&gt;Berthold &amp; Martha foram pra rua ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Moravam em andares iguais. Juntos, porém distantes, chegaram à mesma rua.&lt;br /&gt;Um desceu. O outro subiu.&lt;br /&gt;Martha andava lenta. Berthold andava confuso.&lt;br /&gt;Ela, na calçada direita. Ele, na calçada esquerda.&lt;br /&gt;E assim eram Berthold &amp; Martha, um casal feio, que se sentia uma merda, morava na mesma rua e nunca se encontraram até chegar aos 70. Curiosamente morreram na mesma idade e foram enterrados no Caju.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-9091506152158991617?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/9091506152158991617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=9091506152158991617' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/9091506152158991617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/9091506152158991617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/09/bertold-martha.html' title='Bertold &amp; Martha'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-7259909836073694708</id><published>2010-09-28T23:00:00.000-02:00</published><updated>2010-09-29T23:29:31.623-02:00</updated><title type='text'>Schmidt</title><content type='html'>A noite in-tei-ra ela teve que chupar aquele pau mole. &lt;br /&gt;Isso foi a primeira coisa que ela falou quando chegou à agência. &lt;br /&gt;Estava emputecida. A puta. &lt;br /&gt;Seu nome era Schmidt. Não o dela... O dele, o do pau mole. O dela naquela hora era Amanda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pau mole de Schmidt... Foi um programa pra lá de estranho. &lt;br /&gt;Assim q chegou na agência, às 22 horas, Dona Carla falou prela do cliente hospedado em Ipanema. Prometia... Apartamento em frente ao mar... Duas horinhas de atendimento. Chegou lá de táxi. &lt;br /&gt;Um prédio de poucos andares e muito vidro. Vidro fumê na portaria. Mesa de vidro pro porteiro. Divisórias de vidro fumê. Até as esculturas (umas mulheres sem rosto) eram de vidro. &lt;br /&gt;O porteiro perguntou o andar. Quinto. “Ah... É Seu Chimite!!!” O severino falou. “Pode subir.” Nem precisou ligar. Que ótimo. O severino foi bonzinho. &lt;br /&gt;O elevador era uma enormidade. Moraria uma família ali. &lt;br /&gt;Demorou para o alemão abrir a porta do elevador e ainda abriu com lerdeza. &lt;br /&gt;“Oi neném.” Ela optou pela saudação dengosa. &lt;br /&gt;Atendeu a porta um bebê branco gigante, calvo e magricela com a narina toda branca: “Ói. Vochê Amanda?” Ele falava com a voz torta de gringo cheirado. &lt;br /&gt;“Chou chim, neneumzaum gotojo” Ela saudou, brasileiramente efusiva. &lt;br /&gt;“Eu Schimdt. Euntra.” Completou o alemão e ela euntrou no recinto. &lt;br /&gt;Fora um sofá mofento e umas mesinhas (de vidro) tinha pouca coisa na sala. Um jornal gringo (devia ser alemão), um punhado de dólares no chão, uma bermuda florida toda molhada e cheia de areia no sofá... As poucas coisas que tinham no apê pareciam jogadas... “Ai, q neném bagunchêlo hein? Ai ai”. Ela realmente havia optado pela recepção dengosa. Mas isso ainda não parecia ter tido efeito sobre o bebê gigante europeu que só se balançava e a olhava com cara de espanto. Estava com uma bermuda tão florida quanto a do chão. Só que essa era laranja. &lt;br /&gt;“Chenta, Amanta?” Ele repetiu. &lt;br /&gt;“Vem cá, bem, onde tem telefone? Tenho q ligar pra agencia.” disse Amanda. &lt;br /&gt;“Tafone ashi?” disse Schmidt. &lt;br /&gt;Ficaram se olhando um tempo. O alemão pendulando e ela, sem reação, até concluir: “Tah bom, nen, deixa q tia Amanda procura o tetel-lefone tah?” Ai meu pai. – desabafou baixinho. &lt;br /&gt;Achou o tel, fez a ligação e aproveitou pra desabafar mais: “porra, me arranjaram um alemão cheiradão. Se bobear o pau dele nem sobe.” Dona Carla: “Sorte sua. Qualquer problema me liga. C acha que ele é violento?” Amanda: “Não não. Tadinho. Parece um bebêzão. Isso não ofende nem uma barata.” Desligaram. &lt;br /&gt;Quando chegou na sala o alemão tinha sumido. “Chimiditeeee. Neneeem. Cadê vochê?” &lt;br /&gt;O bebê gritou lá de dentro: “AmantaAAA!” Os gritos a levaram a um quarto onde o alemão tava estirado numa cama enorme com a bermuda caída até o joelho e o piruzim à mostra. &lt;br /&gt;“Chupa Amanta Chupa Chimite” – ele pedia, todo torto. &lt;br /&gt;Ficou desconcertada olhando aquela tripa encolhida em cima do saco, em cima da cama. “Ai qui bunitim o pipiu de Neném tah dormindo. Vamo acordar o piupiu branquinho?” ela arriscou. &lt;br /&gt;“Chupa Amanta Chupa Schmidt” – insistiu e aproveitou para jogar umas notas de dólar na direção dela. Ela juntou as notas e botou na bolsa indo dar um trato na tripa do alemão. Foi um custo: tirar de vez a bermuda do gringo, posicionar o bicho na cama, aturar o cheiro de whiskye mas o difícil mesmo foi pegar na tripa. Mas ela pegou. Era uma questão de honra e Amanda tinha uma qualidade: uma vez num programa, ela ia até o fim. &lt;br /&gt;“Chupaaa” reclamou o bebê dando mais uma mamada no whisky. &lt;br /&gt;Amanda disse depois que perdeu conta do tempo que perdeu chupando aquela “bronha frocada”, aquele caramujo, aquela... coisa. Dentro da boca a sensação era de estar chupando uma Maria-mole salgada... salgada de praia ainda por cima. Isso foi como depois ela narrou a história pras outras meninas e pra mim. &lt;br /&gt;A noite foi passando e suas reações foram mudando a cada momento. Primeiro, a perseverança por um objetivo a alcançar. Depois a raiva de estar naquela situação esdrúxula. Daí, a resignação de estar cumprindo um dever com sua família e, por fim, a sensação de que aquilo tinha que terminar logo. Mas mal tentava tirar a cabeça e a porra do gringo a empurrava de volta. &lt;br /&gt;“Chupa e Schimite Goja” prometia o torto. &lt;br /&gt;Viu então outra saída. Chupou um pouco mais, daí ficou com a boca parada, para não ficar com cãibra. Esperou com a pequena bola de carne na boca até ouvir o ronco do gringo. Depois se levantou e procurou um banheiro para lavar a boca. No banheiro, em cima da privada, viu o retângulo de vidro com os restos de pó. Lavou o rosto na pia depois tirou o vidro e tratou de aliviar a uretra. &lt;br /&gt;Sentada na privada ficou um tempo olhando a superfície do vidro e o branquinho em cima dela. Por exatos 9 segundos sentiu uma paz absurda. Não pensou em nada. Total silêncio em sua cabeça. Então... “Amantaaa”. O bebê gringo despertou. Se arrumou e foi pro quarto mas ele já havia sumido. Foi pra sala e lá estava ele com outro retângulo de vidro dando uma baita cheirada. Chegou perto. Ele estava usando uma nota de dólar para cheirar. Primeiro uma narina, depois, a outra. Daí, levantou a cabeça e aí ela até achou bonitinho pq ele falou todo choroso: “Amanta não gosta chimite?” Ela realmente ficou dengosa ao ouvir isso e respondeu: “Ai nenen. Amanta gosta chimite. Gosta sim... Vem.” então pegou o gigante e o embalou o corpo semi-nu em cima do sofá. No colo dela Chimite olhou prela com cara suplicante e lhe deu a nota que usou como canudo. Ela ficou segurando aquele dólar branco sem saber o que fazer enquanto Schmidt voltou à mesa para cheirar com outra nota. Assim que acabou entregou a nota como presente para Amanda. Virou um joguinho. Schmidt cheirava uma nota e assim que acabava a entregava para Amanda. Mas até esse brinquedo cansou. Amanda já tinha umas 15 notas de dólar estocadas na bolsa. Sua paciência estava acabando. Olhou o relógio e viu que aquele programa estava pra terminar... ai santo pai, enfim. “Nen, hora de tia Amanta ir emboraaa. Tah?” &lt;br /&gt;Schimidt levantou a cabeça e pedaçinhos de pó caíram do seu nariz. “Não!” disse talequal criança. “Mas chimite... cabou. Tia tem hora.” retrucou Amanta, maternal. &lt;br /&gt;“Não!! Não!! Não!!!” – reclamou Schimdt e agora, fazia bico e estava todo vermelho. Ela ainda tentou argumentar mas o alemão se recusava a deixá-la falar e gritava tampando o ouvido. “Não! Não! Nãaaao!!!! AMANTA FICA!!! CHIMITE QUER AMANTA FICAAAA!!!” &lt;br /&gt;“CHIMITE!!!” – gritou Amanda usando sua experiência de mãe e puta – “QUIETO!!! OUVE!!!” O bebê branquela congelou com a boca aberta e os olhos cintilando. “Presta atenção. Eu fui paga pra ficar DUAS horas. DUAS horas. Pra tia ficar mais, chimite teria q pagar mais.” disse conclusiva, resoluta, firme e vencedora. Sem perder mais tempo se levantou pra se arrumar. O programa havia encerrado. &lt;br /&gt;“Schimite paga mais. Amanta fica” – fechou o alemão. &lt;br /&gt;Amanda parou como Dadá... No ar. &lt;br /&gt;“Mas...” – ela ainda arriscou. E Schimdt a olhou, desafiador e triunfante. “Ah te peguei” – ele parecia dizer. “... Mas Amanda vai ter q ligar pra agência pra avisar. ” ela, desanimada. &lt;br /&gt;“Liga.” disse o gringo, e concluiu: “Amanta fica. Chimite paga.” e jogou mais dólares nela. &lt;br /&gt;Cosnternada, ela foi pro telefone. Dna. Carla atendeu e ela explicou. A coroa foi direta: “Ótimo...Fica mais. Fica o quanto esse gringo puder pagar.” e desligou na cara da menina. &lt;br /&gt;Amanda olhou o gringo e lá estava o danado de narinas brancas, sorrindo de orelha a orelha, sacanamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite se arrastou... O gringo cheirando e se enxarcando de uísque, Amanda chupando o pau mais mole da Terra. Lá pelas tantas Amanda surtou. &lt;br /&gt;“Chega de cheirar, seu gringo maluco. Chega.” ... e lá estava Schmidt de novo com cara de criança q fez caca e leva um ralho. Ela se levantou e continuo com o dedo em riste, reprobatório. “Olha o seu estado. Seu pau está mole. Ouviu? MOLE! É horrível chupar um pau mole, sabia???” Schmidt ouvia, constrangido, abraçado à garrafa de uísque. “Que merda!” ela ainda reclamou pra finalizar. Então o gringo chorou. Abriu o berreiro e Amanda ficou pasma. De novo. “Amanta briga com Chimite. Amanta não gosta.Buaaa” &lt;br /&gt;“Pára, Chimite. Pára.” mas era tarde. Não havia lugar pra razão. O gigante estava triste. Pacas. Foi então q Mamãe Amanda voltou. “Nén... Pála de cholar nén. Pála... P. favor. Pála. Vem cá, vem com tita Amanta.” e abraçou-o e ficou ninando o marmanjo que se refugiava em seu brinquedo alcoólico. Aliás, aproveitou a deixa para dar um gole de alívio. Duas, três horas se passaram. Amanda e seu bebê supercrescido dormiram abraçados desajeitadamente no sofá. &lt;br /&gt;Amanda despertou duas horas depois. A cabeça latejando muito. Empurrou o marmanjo pro canto e foi pra janela da sala. A cortina cobria a maravilhosa visão pro mar. Abriu e a luz preencheu tudo. Lá fora o sol ardia, o céu ia se saturando de um azul anil, forte e sem obstáculos. O horizonte e mar formavam uma tela de azul sobre azul. Impressionante tela. &lt;br /&gt;Lá embaixo, na porção bege da paisagem, alguns pontinhos pequenos iam chegando e ocupando seus lugares. Barracas sendo armadas. O som crescente de uma praia em um falso inverno. Amanda ia buscando o nada naquela paisagem e ia se perdendo em um pensamento indefinido e cansado, quase canino. Voltou à realidade com o chamado agonizante e baixinho: “Amaaanta.” O gringo. Chegou até o bebê e ele ergueu a mão. “Fecha janela. Luuuuz.” reclamou. &lt;br /&gt;“Na-na-não. Nenen tem q ver luz. Se não nenen fica dodói, tah?” &lt;br /&gt;“Ó... tia Amanta tem q ir agora, tá?” &lt;br /&gt;“Chimite paga. Fica.” – murmurou. &lt;br /&gt;“Não. Chega de ‘chimite paga’. Tia Amanta vai pegar dinheilo e vai pa casinha, tá?” &lt;br /&gt;“Tá” - disse o chimite resignado. &lt;br /&gt;“Ó, titia quer q chimite toma banho e toma solzinho tah? E chega de chelá pozinho blanco tah?” &lt;br /&gt;“Tá” – respondeu o chimite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanda pegou mais alguns dólares, olhou o relógio do celular, fez cálculos mentais e pegpu também os reais correspondentes ao período que ficou. Foi embora. &lt;br /&gt;Ainda olhou uma vez mais pro bebê germânico que roncava de costas para uma tela pulsante de azuis celeste e marítimo. Desceu no elevador com uma família atarantada – duas crianças e os pais. Na portaria, deu um tchau ao severino. Pegou o táxi e rumou pra sua casa... bem longe da zona sul. Nos dias seguintes ainda pensou em Schmidt, seu pau mole e sua cara de bebê. Talvez tenha se apaixonado... O fato é que nunca mais o veria novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-7259909836073694708?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/7259909836073694708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=7259909836073694708' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/7259909836073694708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/7259909836073694708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/09/schmidt.html' title='Schmidt'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-5453976272342481619</id><published>2010-09-08T20:46:00.003-02:00</published><updated>2010-09-08T20:50:53.147-02:00</updated><title type='text'>Jaque, o herói</title><content type='html'>Resultado: Jaque estava paralítico. &lt;br /&gt;Jaque se escreve assim mesmo. Não tem "c" no meio e nem "s" no final já que é Jaque mesmo. Agora, cumprindo minha promessa de campanha pessoal, após o terceiro período desse texto falarei coisas tristes sobre Jaque. A paralisia não é bem uma tristeza mas antes uma constatação. Diabos, já estamos no quinto período do texto e não cumpri a promessa. Bem... No colégio sofreu bulling por conta do seu nome (Jaque).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-5453976272342481619?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/5453976272342481619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=5453976272342481619' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/5453976272342481619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/5453976272342481619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/09/jaque-o-heroi.html' title='Jaque, o herói'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-1547489374005705005</id><published>2010-08-16T15:45:00.007-02:00</published><updated>2010-08-16T16:20:34.074-02:00</updated><title type='text'>Nova Délhi 2</title><content type='html'>Estava de novo com aquela sensação. Era a hora de embarcar para uma nova viagem em busca de uma nova casa. Os ambientes, as formas, cores, falas, trocas e medos daqui lhe aconselhavam isso... há mais de ano.&lt;br /&gt;Por outro lado..&lt;br /&gt;Ele abriu o envelope que o esperava na mesinha da sala (há 3 dias). Entre contas a pagar e garranchos de telefones, compromissos e endereços, lá estava o envelope que ele mesmo havia lacrado. Leu a carta:&lt;br /&gt;"Carlos, eu te amo. Eu te amo muito. Aguardo em fevereiro tua chegada. Venha em paz. Te receberei com um sorriso sincero, pleno. Por favor, venha assim também. Te peço que com um sorriso sincero, pleno. Eu te amo amo amo. Você vai poder ver isso, sentir... Nas crianças que vão correr em sua direção com sorrisos branco-cegantes. mas peço que tome cuidado com os velhos de grandes olhos esbugalhados. Junte aí suas forças. Economize suas energias. Organize seu espírito, meu doce. Pois guardará aí dentro seu &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Deli"&gt;amor&lt;/a&gt;. Eu te receberei com meus braços de ninfa. Beijos no coração do amor e na testa da certeza. Sua anfitriã amante quase-irmã, Nova Délhi."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 4h. Lá fora a cidade está escura. O mantra da cidade reverbera em minha caixa craniana. Repito-o em voz alta para dar motivos para eu chorar. Choro e canto. O que começa com um sussurro vira meu grito particular. Acordo a vizinhança que reclama em altos brados. Quem me dera fosse assim... Apenas digo em voz alta para o teto seu nome mais bonito e ali permaneço com a alma em convulsão. Se de fato chorei não é certo que eu tenha gritado. Nova Délhi. Estremece meu corpo o som dessa cidade. Cumprirá sua promessa? Não hesito em dizer que sim. Sempre busquei soluções custosas para problemas simples. Agora chego a um novo momento. Problemas simples?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-1547489374005705005?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/1547489374005705005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=1547489374005705005' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/1547489374005705005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/1547489374005705005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/08/nova-delhi-2.html' title='Nova Délhi 2'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-8484757045634550342</id><published>2010-08-01T20:56:00.003-02:00</published><updated>2010-08-01T21:38:22.735-02:00</updated><title type='text'>Nova Deli</title><content type='html'>Ele ainda não dorme à noite. Não sei o que acontece. Algo mudou quimicamente em seu cérebro. Seu corpo até pede descanso. Pede não, implora. É visível. As olheiras fundas, a cara derretida. Curioso como ele não relaxa. Diz que não pára de pensar. Pensar o que? Em quê? Ele diz que é em tudo. Como alguém pode pensar em tudo? Ele só confirma. Diz que pensa em tudo mesmo - e ao mesmo tempo. O coração anda sentindo as consequências disso. O médico disse que se ele não conseguir reverter esse quadro não sabe como vai ser. Eu também não sei. Ele está mais fugidio que o habitual. Tudo bem que ele nunca foi dos mais sociáveis do mundo, apesar de ser uma pessoa gentil, amável à vista de todos. Não há quem não o elogie nesse sentido. Bom rapaz, sensível. Confiável. Mas pensa demais. Reclama de dores pelo corpo. O braço esquerdo pulsando em dores constantes. De vez em quando surpreendo ele chorando no quarto mas assim que me vê tenta disfarçar. Segura o ombro. Está tudo bem? Então ele diz que sim querendo dizer que não, estou péssimo. Eu já o conheço. Pergunto se não vai sair pra ver os amigos. Diz que não e vai para o quarto. Liga o computador. Vai trabalhar. Acha que me engana. Passa horas ali, lendo e escrevendo. Outro dia fui conferir. Um texto bonito, bonito mesmo. Haviam outras telas abertas. Duas de sites de redes sociais. Frases. Comentários. Outra era do site da Air France. No bloco de anotações do lado do teclado havia uns garranchos. Cálculos. E acho que li o nome N. Deli. Não sei porque me veio um pensamento-resposta: "Tomara que ele consiga."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-8484757045634550342?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/8484757045634550342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=8484757045634550342' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/8484757045634550342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/8484757045634550342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/08/nova-deli.html' title='Nova Deli'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-8412839592555386178</id><published>2010-06-28T19:13:00.005-02:00</published><updated>2010-07-21T19:59:15.177-02:00</updated><title type='text'>Eu e o Bruxismo</title><content type='html'>Sua respiração curta denunciava seu estado de nervos. O punho estava crispado quando ele percebeu a dor em seu ombro esquerdo. O pulso também repetia em loop ascendente que seus projetos de vida haviam se distanciado a ponto de não serem mais vistos do ponto onde estava. O ponto onde ele estava era ainda onde seus pés ficaram plantados, fincados, tragados desde o dia em que perdemos contato. "Se eu continuar trincando os dentes assim logo terei cacos presos em minhas gengivas macerando minha língua até virar um fiapo de carne" - recitou mentalmente. &lt;br /&gt;É... Eu gostaria de escrever um texto mais luminoso. Mas ainda não consigo. Talvez seja força do hábito. Me pergunto até se eu gostaria. Gostaria? Acho que gostaria. Seria bom não se sentir assim um dia, uma semana ou uns meses.&lt;br /&gt;Então, faço o seguinte, combino comigo mesmo que como ando numas de me recondicionar vou reescrever esse meu início, ou seja tentar, um reinício. Vai ser parte do meu tratamento. O Rivotril que não tomei não me deixa mentir que sofro dum sintoma oculto de esperança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-8412839592555386178?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/8412839592555386178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=8412839592555386178' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/8412839592555386178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/8412839592555386178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/06/eu-e-o-bruxismo.html' title='Eu e o Bruxismo'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-4715577276543235277</id><published>2010-02-18T11:15:00.004-02:00</published><updated>2010-02-18T11:24:22.333-02:00</updated><title type='text'>A 30 cm do seu rosto</title><content type='html'>Eu tenho um segredo oculto.&lt;br /&gt;Que só te direi a até 30 cm do seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um segredo oculto.&lt;br /&gt;Que não tem a menor importância para o resto da humanidade.&lt;br /&gt;Que não vai mudar o curso das marés e não vai nos salvar do aquecimento global.&lt;br /&gt;Que não vai destituir ninguém do seu cargo e não vai dar em demissões em massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este segredo, porém, pode nos fazer pessoas perigosas. &lt;br /&gt;Ou simples amigos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-4715577276543235277?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/4715577276543235277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=4715577276543235277' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/4715577276543235277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/4715577276543235277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/02/30-cm-do-seu-rosto.html' title='A 30 cm do seu rosto'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-4929139747396966595</id><published>2010-02-07T11:37:00.022-02:00</published><updated>2010-02-07T13:01:10.273-02:00</updated><title type='text'>Laudo Pericial</title><content type='html'>Não estavam doentes. Não tinham AIDS. Não tinham dengue. Não tinham problemas cardíacos. Não tinham câncer nem diabetes. Não tinham micose nem seborréia. Não tinham problemas na fala. Não tinham mal hálito. Não tinham lábio leporino. Não lhes faltava nenhum dente. Não tinham cárie. Não estavam desempregados e também não tinham dívidas. Não dependiam financeiramente dos pais. Não eram hipertensos. Não eram barrigudos nem carecas. Não tinham vícios. Não eram dependentes de drogas. Não dependiam de máquinas para viver. Não passavam por nenhum tratamento e não faziam uso de nenhuma medicação. Não eram surdos nem mudos ou cegos. Não possuiam problemas no cérebro e podiam se lembrar do dia de ontem, de anteontem, de antes de anteontem e de coisas da adolescência e da época de criança. Não eram órfãos. Não moravam na Somália. E também não moravam no Iraque. Não moravam em um barraco. Não viviam em "zona de risco". Não passavam fome. Nunca repetiram de ano. Não ficaram em recuperação. Nunca foram a uma guerra e nem conheceram alguém que tivesse ido. Não foram baleados e nunca viram um crime. Não eram míopes. Não eram estrábicos ou vesgos. Não eram analfabetos. Não tinham próteses no corpo. Não eram subempregados. Não tinham um emprego informal. Não eram políticos e não eram corruptos. Nunca roubaram ninguém. Não tinham telhado de vidro. Nunca traíram. Não tinham alergias. Não tinham pau pequeno. Não eram ricos e não eram miseráveis. Não nasceram na Idade Média e nem no Neolítico. Não eram desafinados. Não eram doutrinários nem autoritários. Não eram virgens - já tinham sentido o prazer e o delírio. Nunca mataram. Não tinham inimigos conhecidos. Nunca foram processados. Não tinham passagem pela polícia. Não estavam sujos no SPC - nem no SERASA. Não atrasavam as contas. Não eram burros mas pensavam tolices. Eram chatos pra caralho. &lt;br /&gt;Tinham problemas com o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-4929139747396966595?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/4929139747396966595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=4929139747396966595' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/4929139747396966595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/4929139747396966595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/02/laudo-pericial.html' title='Laudo Pericial'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-7005737577261174608</id><published>2010-02-07T11:01:00.009-02:00</published><updated>2010-02-07T11:34:27.359-02:00</updated><title type='text'>Eu sou a carta na garrafa</title><content type='html'>1. Já fiquei feliz só em te conhecer.&lt;br /&gt;2. Só em ter visto teu sorriso naquele dia, naquela hora, pra mim já foi uma oportunidade essencial.&lt;br /&gt;3. Não posso me viciar em ser um voyer.&lt;br /&gt;4. Gostaria de caminhar contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Será que estou perdendo a briga? Será que minha companhia sempre será tu, o eu-que-eu-não-sou?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eu-que-eu-não-sou não caminha contigo, somente só e muitas vezes prefere ficar imóvel. O eu-que-eu-não-sou não cresce, se encolhe. Não aprende, repete o erro. Não fala, pensa e o que pensa é um novelo encharcado de ódio e ressentimento, sem começo nem fim. Quando lancha, não sente o gosto da comida e come para sobreviver não para sentir gostos. O eu-que-eu-não-sou não comemora; não torce, se retorce. É o feto que não nasce. A criança que não cresce mas envelhece. O herói que não luta mas sofre e perece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eu-que-eu-não-sou é alguém que quer a posse da minha atenção e faz de mim sua prisão maternal compulsória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eu-que-eu-não-sou não viaja, foge. Não revela, esconde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não termina pois nunca começa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-7005737577261174608?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/7005737577261174608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=7005737577261174608' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/7005737577261174608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/7005737577261174608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/02/carta-de-intencoes.html' title='Eu sou a carta na garrafa'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-5876443043218638854</id><published>2010-02-02T17:27:00.003-02:00</published><updated>2010-02-02T17:42:51.865-02:00</updated><title type='text'>O cérebro, o célebre e o cérbero</title><content type='html'>Você já foi a uma festa que não conseguia sair?&lt;br /&gt;Pois bem, ele tem um medo radial de que lhe explodam o cérebro. O célebre. O cérbero. No meio desse medo-entre-outros achava tempo (esclareço: sua mente, não ele) para fazer trocadilhos toscos.&lt;br /&gt;"Não corta essa merda. Eles adoram que apareça a bandeira nas fotos". Disse-lhe o fotógrafo.&lt;br /&gt;Então ele também tinha medo-entre-outros de chegar ao máximo de contrição da libido. Achava que isso faria com que explodisse o cérebro devido a hipertensão sexual em sua mente. Sempre ela. Sempre a mente. Não sabia se pensar era uma maldição, uma sina ou um tipo de doença... ao menos pensar como ele pensava, na quantidade de pensamentos que ele gerava. O problema dos pensamentos - pensava - era que eram porduzidos a uma taxa muito mais alta que sua dispersão gerando um volume de material excedente que se acumulava pelo cérebro. Cérbero - o cão a vigiar a porta do cérebro - não dava conta de espantar os maus pensamentos que sempre entravam pelas mil frestas da sua mente. O Célebre - seu guia autoinstituído - nãao dava conta de instruí-lo a limpar a mente dos excessos reclamantes e nem de desprezar os os excessos nascedouros.&lt;br /&gt;A verdade é que Célebre e Cérbero faziam seu trabalho mas não tinham grande experiência no assunto (também eram marinheiros de primeiras viagens) mas não lhe revelavam isso. Foi após muito tempo que ele foi ficando muito desconfiado daquela dificuldade com os excessos de pensamento (negativos, é bom lembrar) e foi duvidando da capacidade de seus dois escudeiros. Com a falta de confiança, os escudeiros foram ficando meio murchos, deixando os pensamentos (desagradáveis, ressalto) irem entrando e fazendo sua festa (um tanto massante para meu gosto, confesso).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-5876443043218638854?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/5876443043218638854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=5876443043218638854' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/5876443043218638854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/5876443043218638854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/02/o-cerebro-o-celebre-e-o-cerbero.html' title='O cérebro, o célebre e o cérbero'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-6042529447572166186</id><published>2010-01-09T12:54:00.004-02:00</published><updated>2010-01-09T13:18:58.622-02:00</updated><title type='text'>Ex-Cientista</title><content type='html'>Não quero mais estudar meu corpo. Não quero mais dissecar minha mente. Não quero mais entender as razões. "Quais razões?" Todas, ora. Das razões do meu sofrimento às razões do seu sofrimento. Das razões das vontades às razões das inércias. Fiz a opção pelo desconhecimento. Me formei em Ex-Cientista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora a história começa comigo andando pela rua - sem destino definido e sem ter saído de algum lugar mas apenas andado, ou seja, me vejo andando na rua, como se tivesse acabado de nascer em pé e movendo minhas pernas. Vantagens da escrita: todo personagem nasce no presente. Ninguém tem história pregressa ou razões enquanto o autor não as definir e, como agora sou um Ex-Cientista graduado, não pretendo que eu, o personagem desta história,tenha passado, já que razões e nascimento sempre serão atos do passado... ou do futuro - dependendo do gosto. Falando em futuro, eu, o personagem, caminho mas não tenho onde chegar - e isso me faz lembrar que ainda não falei sobre o esquecimento que as vezes me acomete. Pronto, falei. Agora, vejam, caminho ainda. Por vielas. Por grandes retas. Por calçadas sujas - não me perguntem se já  foram  limpas, não quero saber. Caminho também por áreas residenciais. Passam por mim crianças amigas de um domingo de sol. Pipas e balões, muita gritaria. Saio da calçada e piso na grama. Da grama passo ao chão de terra duma grande praça que se transforma em mata fechada. Caminho por pedras. Estradas antigas. Sons de pássaro sobrepõem às buzinas. Caminho pela trilha paralela ao ribeirão escuro - não quero saber de que é feita a água do rio mas vejo carpas e tilápias. Ponho os pés na água e descubro que estou descalço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-6042529447572166186?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/6042529447572166186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=6042529447572166186' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/6042529447572166186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/6042529447572166186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/01/ex-cientista.html' title='Ex-Cientista'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-3632128037347981474</id><published>2009-11-10T13:42:00.008-02:00</published><updated>2009-11-10T14:09:34.690-02:00</updated><title type='text'>Gramacho Garden Fashion Mall</title><content type='html'>(texto em processo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.000 CDs. 40.000 DVDs de dados. 6.000 Banners em vinil. 20.000 TVs LCD 41 Polegadas com Full HD Resolution. 50.000 DVDs com Karaokê e entrada USB. 1 milhão de Laptops de 3 Gb DDR2 RAM e HD de 250Gb Sata. 20 mil Monitores LCD 22". 20 mil Teclados, mouses e no breaks de 5.2 kva inclusos. 6 bilhoes de Protetores solar fator 30. 6 bilhõs de Protetores solar fator 60 mais condicionador e shampoo hidratantes para cabelos rebeldes. 3 bilhões de Celulares com câmera embutida conexão com internet e agenda para 5000 endereços. 950 mil Geladeiras 560 litros com freezer autolimpante. 300 mil Frigideiras de teflon e pega em plástico termofixo. 400 mil Jogos de panelas em aço inox com distribuidor térmico. 20 mil Antenas parabólicas vhf/uhf-fm com recepção para tv digital e analógica. 1 bilhão de  Impressoras de dados variados com capacidade para 5.000 folhas por minuto. 400 mil Cremes de massagem pós-banho com aloe vera para cabelos frizados ou tratados. 400 mil Cremes hidratantes com extraproteção aos Raios UV. 100 bilhões de pneus ultraresistentes. 200 bilhões de seringas descartáveis utilizadas. 300 mil caixas de chumbo contendo urânio enriquecido. 100 bilhões de belos arranjos florais em polipropileno. 9 bilhões de telas de amianto com reforço em poliestireno. 400 mil metros quadrados de pisos de concreto com película protetora &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(texto em processo)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-3632128037347981474?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/3632128037347981474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=3632128037347981474' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/3632128037347981474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/3632128037347981474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2009/11/checklist.html' title='Gramacho Garden Fashion Mall'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-7327919063728644520</id><published>2009-11-09T11:36:00.006-02:00</published><updated>2009-11-09T11:59:22.895-02:00</updated><title type='text'>Meio milímetro</title><content type='html'>Não o julgue inteligente, ok?&lt;br /&gt;Tudo o que ele faz é institivo e brutal. Nem mesmo intuitivo - que é uma forma mais refinada de instinto. Muito do que ele diz parece estimular o mental pois só pode ser entendido se for decodificado corretamente, o que nos leva a concluir que é preciso ser inteligente para acompanhar sua escrita. Ok. Concordo. Mas discordo quando dizes que ele deve ser muito inteligente para provocar isso. Ok.  Burro, burro, talvez ele não seja... mas seu texto não é nada calculado. Aquelas coisas que te impressionaram o raciocínio naquele último sarau não acontecem de forma planejada. É somente instinto. As palavras apenas saem. São elas que ditam as normas e muitas vezes se atravessam na fila de forma nada civilizada e acabam saindo em disparada. A única coisa - e veja bem, peço que preste bastante atenção no que vou lhe dizer agora -... a única coisa que impede que o caos ponha tudo a perder é que tudo tudo tudo acaba num funil. Percebe? Pois bem, só há uma porta de saída, minha filha. Ela mede menos que meio milímetro de diâmetro. Isso mesmo: menos que meio milímetro. A porta é esférica e por ela só dá pra sair meia letra por vez. Então, lá dentro, dentro dele, eu digo, as palavras se acotovelam e gritam em desespero, querem sair a todo custo, mas percebem que só há uma porta de saída - e ela é es-fé-ri-ca. Compreendeu? Que alternativa lhes resta? Lutar. Na luta interna que ocorre no tunel afunilada que leva à porta esférica - desculpe a ênfase mas é muito importante você entender isso - Nesta luta  interna, desesperada e brutal, o instinto faz sua parte. Como na natureza as palavras fortes se saem melhor e saem mesmo. Por outro lado, também como na natureza, e isso, você, por favor, pergunte ao criador, fracos também podem sair. É tudo imprevisível. É tudo instinto e brutalidade. &lt;br /&gt;Então, minha filha, esquece essa história de inteligência, tá?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-7327919063728644520?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/7327919063728644520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=7327919063728644520' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/7327919063728644520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/7327919063728644520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2009/11/meio-milimetro.html' title='Meio milímetro'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-29471783749255293</id><published>2009-11-06T10:06:00.026-02:00</published><updated>2009-11-06T14:59:45.304-02:00</updated><title type='text'>A Prática da Auto-Pesca</title><content type='html'>Estou escorrendo pelo ralo.&lt;br /&gt;Estou escrevendo em meu braço.&lt;br /&gt;Estou comigo e não abro. Não me abro. Não me abraço. Não mais.&lt;br /&gt;Estou escutando o que falo. Não sei se faz sentido. (Acho que não faço.) Vejo o nonsense de mim em seu rosto. Finges calma. Finges amor. Esfinges. Decifra-me,  meu ralo. O braço está acabando mas não me faltam palavras que escorrem para além do abraço, pelo chão, pelo mar que eu mesmo faço. Escorre um rio no mar. Um rio de falas viscosas, de afluentes poluídos - e poluentes. Revolta-se em seu leito imaginário, desenha um redemoinho que me suga - pelo braço. Abraço uma pedra no meio do caminho. Por medo de ser levado, faço dela salvação. Não é uma pedra. É uma Esfinge. É você. Que se vira para mim e me diz uma palavra anzol, uma frase leme, uma sentença âncora. Devo escolher a melhor opção mas não sei se carrego a luz necessária. Me apego a palavra. Fincada em minha bochecha, é ela a minha guia, é a força que me estica cabeça, pescoço e corpo, me alça vôo do escuro como se eu fosse aquela bota que se pesca quando se quer apenas fisgar um peixe. Vôo, vôo. O profundo é um distante mundo escuro e irreal que só se percebe quando se é puxado pela boca. É no trajeto da saída que esse mundo se revela. Os panos em meu corpo. Placenta regurgitada. O cordão do umbigo que me enforca. Sou um feto adulto com ganas de notalgia. Aprendi a voar aos 45 anos do segundo tempo. A mente implode em palavras do meu aneurisma sentimental. Alço vôo. A lucidez é a boca do ralo vista pelo lado de dentro. Talvez eu tivesse ouvido um agudo sibilante. Um sino ou sirene prolongada. Uma frequência dissipante. Uma nova forma de calor. A verdade elétrica. A quintessência da energia. Isso é a descrição de uma nova modalidade de parto - próprio para fetos adultos com ganas de nostalgia. Escreverei um livro sobre isso. Ficará na sessão de auto-ajuda - e, afinal, é o termo melhor. Não conheço outro para essa experiência. Talvez auto-pesca. A Prática da Auto-Pesca. - A meta deste livro será formar auto-pescadores. Pessoas pescadoras/peixes que aprendam as técnicas necessárias para se fisgarem das profundezas do seu mar interno. Eu preferia não escrever esse livro para não cair na rede dos aproveitadores mas será um serviço social - Revelo em entrevista à mídia especializada. Com o dinheiro arrecadado construirei minha Fundação de Amparo a Auto-pesca. Milhões de adeptos - no mundo todo. Pessoas influentes e agradecidas financiarão minha campanha. Serei coroado com um lugar no Executivo. Serei Ministro. No recém-criado Ministério da Auto-Pesca. Terei assessores. Muitos. O número necessário para manter a Auto-Pesca nas pautas da mídia. Alcanço a luz do ralo, a boca da realidade, parido no chão do banheiro com o mar reduzido a arquipélagos transparentes a minha volta. O som sibilante muda de tom e se tranquiliza. Desperto tossindo suas palavras da minha boca - afogado estaria se não respirasse através delas. "Capaz", "Certo", "Possuido" e "Tarefa", eu vomito pela boca afora. Outras palavras também. Todas se desfalecem em espiral rumo ao ralo. Sem dar tchau. Nem adeus. Apenas indo com uma aparência de dejá vu.&lt;br /&gt;Eu sou o feto que se levanta. &lt;br /&gt;Eu sou o feto que nasceu vestido.&lt;br /&gt;Eu sou o feto que se senta, que ajeita a gravata e que confere as horas em vez de chorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-29471783749255293?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/29471783749255293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=29471783749255293' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/29471783749255293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/29471783749255293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2009/11/estou-escorrendo-pelo-ralo.html' title='A Prática da Auto-Pesca'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-4461422766054197181</id><published>2009-11-05T12:51:00.006-02:00</published><updated>2009-11-06T15:26:21.687-02:00</updated><title type='text'>Meus valores, seus valores</title><content type='html'>Eu, tendo sido estúpido, arrogante e assassino secular... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui con-de-co-ra-do.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(aplausos e gritinhos histriônicos no recinto)&lt;br /&gt;(tudo fingimento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me perdoem se não paro de rir. Eu sou assim. Se eu não rir vou entrar em convulsão. Sério. Serinho. Mais uma medalha no corpo e já tenho tantas em meu peito que o Presidente da Comissão Homenageosa teve que achar espaço em meu braço direito - o esquerdo não, pois pode dar mal agouro.&lt;br /&gt;Eu adoro festas de concoração pois se bebe muito e pode-se reencontrar amigos. Amigos canalhas que não prestam para nada e tem amantes caras e impacientes. Eu amo as amantes de meus amigos, assim como meus amigos devem amar as minhas cinco também. Finjo irritação e, muitas vezes, acabo ficando irritado mesmo, com alguns garçons e reclamo do serviço mas elogio um ou outro escolhido (geralmente os muito velhos ou os muito novos - aprendi isso lendo Maquiavel). Sou da escola de transição, turma de 83. Tenho orgulho disso. Sentava no meio da sala pois no fundo ou na frente era muita bandeira. Quem sentava na primeira fileira era taxado de puxa-saco, de entreguista e de cu-de-ferro. Os do fundo, levavam a culpa de tudo. Eram os dispersos, os baderneiros, favelados... Eu me sentava no meio. Por bom senso social e autopreservação política, a postura se manteve. Sempre me situo ao centro de tudo com uma certa tendência a copos de uísque na mão, anéis nos dedos e riso didático.&lt;br /&gt;O presidente elabora um discurso elogioso de 55 minutos e 30 segundos. Sou chamado ao microfone e renovo minha gratidão àquela auspiciosa casa de magistrados e... fuck off the rest.  Sou um herdeiro de condecorações, medalhas e troféus. Minha família é grande - tanto quanto o diâmetro de nossos quadris, escravos de nosso peso. Minha família é extensa - tanto quanto as terras do nsso espólio e a lista de mortos que nunca se fez nestas mesmas terras que defendemos com a fidelidade de um cérbero.&lt;br /&gt;Cada medalha tem um significado pessoal (extraio essa frase de meu discurso). Cada inimigo que elejo cair e que, efetivamene, cai; cada vitória do fracasso alheio; cada filhadaputa que não seja eu que levo ao umbral do inferno em vida, é um troféu que presentearei a um dos meus eleitos capatazes. Eu também sei honrar a gente do povo.&lt;br /&gt;Há condecorações melhores que outras, há medalhas mais pesadas que outras. São chaveirinhos-brindes, são as canetas que ganho no congresso do meu caráter. As vezes as medalhas pesam o valor dos corpos tombados pela gangue que patrocino. As vezes são leves como as folhas de papéis que assinei e que vão sendo levadas pelo vento pra adormecer dentro dos processos em companhia das traças e da desagragação.&lt;br /&gt;Mas eu represento a transição. Transição para o quê? Para um novo modelo de homem público... mais midiatizado, mais celebrado porque se é mais assassino também é mais didático... mais risonho e mais condecorado...  mais público porque mais publicado mas mais privatizado por não ser mais privado. &lt;br /&gt;Eu amo a vida que tenho.&lt;br /&gt;Obrigado, meu Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-4461422766054197181?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/4461422766054197181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=4461422766054197181' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/4461422766054197181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/4461422766054197181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2009/11/meus-valores-sao-os-seus-valores.html' title='Meus valores, seus valores'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-4520795212184589723</id><published>2009-10-10T19:43:00.005-02:00</published><updated>2009-10-10T20:43:48.555-02:00</updated><title type='text'>Isso é Consciência</title><content type='html'>A casa está onde deveria estar.&lt;br /&gt;Eu é que estava me movendo. E um dia de não-sei-quando, comecei a me mover em círculos. A mente não está no mesmo espaço de antes. Move-se o tempo todo. Se perde. Quando se restabelece é para ver que a casa está onde deveria estar. A cama, o sono e o texto. Do texto às Palavras. Das Palavras ao Peso. Estavam em algum lugar e apenas esperavam o momento de escorrer de volta. Eu as carreguei comigo em meu movimento. Mas não cheguei a usá-las. Na verdade, as fui deixando de lado, no fundo da mala, pois não havia muito tempo e era melhor que não estivessem a vista. Melhor porquê? Não me perguntei um minuto sobre isso. Era melhor. E só.&lt;br /&gt;Com o tempo tornaram-se parte do Peso a carregar. O Peso das Coisas em Desuso. &lt;br /&gt;Com o tempo essa falta de prática tornou-se uma espécie de hábito e a face interminável do relógio foi virando minha guia. Um fluxo único e frontal. Sem retorno. Eu não percebia sua função. Mas percebia sua ação e aceitava. Achava que era assim que se construía uma realidade. E de fato ela se fez. A realidade onde eu me movia. A realidade onde se movem todos sendo cada um uma realidade.&lt;br /&gt;Agora, quando reduzi minha velocidade, com uma freada repentina demais, vi a realidade passar por mim, vi meu corpo querendo continuar como se só existisse a possibilidade de ir, ir e ir. Para trazê-lo de volta foi preciso que freasse mil vezes. Frear em todas as camadas do meu ser. Foi singular. &lt;br /&gt;Foi assim, freando mil vez, que aprendi a não me assutar com o atrito do ar em minhas mucosas da garganta, aprendi que aquilo era eu mesmo trazendo algo de fora para dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-4520795212184589723?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/4520795212184589723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=4520795212184589723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/4520795212184589723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/4520795212184589723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2009/10/isso-e-consciencia.html' title='Isso é Consciência'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-3609256328672323874</id><published>2009-03-30T01:25:00.000-02:00</published><updated>2010-06-13T22:35:44.431-02:00</updated><title type='text'>Ele é</title><content type='html'>Mania. Mania de querer esclarecimento até  pro respirar fundo. Mania de querer a recompensa pelo sofrimento autoimposto. Mania de falar e contar e relatar e se abrir e se mostrar pra qualquer um que apareça na frente, mesmo que seja um estranho completo como um entregador de remédios ou um batedor de carteira ou algo muito pior, seu amigo mais carente e chato. É como rasgar tua camisa antes do show em pontos calculados para tornar a coisa mais fácil na hora do expontâneo calculado. Mania de ser impulsivo e não retornável. Mania sua essa inflexibilidade decisiva. Mania de sofre pela recompensa autoimposta. Mania de expectativar o sorriso dos outros em momentos em que vc oferece triteza. Mania de expectativar beijos, abraços e um sexo amigo até no encontro com putas. Olha só o mar na tua frente. Mar é mar, gente é gente. Mania de querer mar em gente e vice-versa. O mar e suas idas e vindas. A gente e suas idas e idas. Então vai. Mas não se afoga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-3609256328672323874?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/3609256328672323874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=3609256328672323874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/3609256328672323874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/3609256328672323874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/03/ele-e.html' title='Ele é'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-4501286904007435395</id><published>2009-02-21T23:17:00.000-02:00</published><updated>2010-06-13T22:37:01.362-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Eu estou do outro lado de uma história. O lado oculto. O lado out. O lado que só pode ser o de dentro porque você não enxerga de fora. Estou dentro de uma história no meu isolamento preferencial. Alimentado por cabos. Recebendo do sangue alheio, histórias alheias, vidas alheias, emoções regrgitadas, pra ver se completam a minha vida. Acho que escolhi isso. Mal muito mal. Tem muito de autopiedade nisso. Péssimo. Eu preciso salvar o nosso herói.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-4501286904007435395?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/4501286904007435395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=4501286904007435395' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/4501286904007435395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/4501286904007435395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2010/02/eu-estou-do-outro-lado-de-uma-historia.html' title=''/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-5151334502342221849</id><published>2008-05-11T13:13:00.002-02:00</published><updated>2008-05-11T13:21:02.709-02:00</updated><title type='text'>Minha nova teoria sobre o futuro da arte</title><content type='html'>Para obter minha nova teoria sobre o futuro da arte: Uso correntes apertadas por cadeados cujas chaves perdi. "Nada nada nada!" Repito 3 vezes como quem canta um refrão. Subo uma colina na única cidade onde ainda tem uma. Se não ando me arrasto para chegar ao seu topo. Se arrasto carrego fragmentos de terra em todo meu corpo e as correntes se sujam e eu suo nas correntes sujas para ter mais emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos parar por aqui. Esse escrito não começa da maneira certa. Indo por esse caminho não irei para lugar algum. A verdade é que não tenho a mesma verve de antes. Estou como a arte só que com menos adeptos. Nos estertores e repetitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Terminei minha nova teoria sobre o futuro da arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-5151334502342221849?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/5151334502342221849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=5151334502342221849' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/5151334502342221849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/5151334502342221849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2008/05/minha-nova-teoria-sobre-o-futuro-da.html' title='Minha nova teoria sobre o futuro da arte'/><author><name>Mortimer Só</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13603410304803625330</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_q37OBGGIw_4/SBJs2Dg8EdI/AAAAAAAAAAU/zW97KYjIqBo/S220/boneco-mortimer+soh-web.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-1943546863239218625</id><published>2007-03-01T21:54:00.001-02:00</published><updated>2008-04-27T15:05:08.887-02:00</updated><title type='text'>Pequenas notas de relatos de casos de nomes</title><content type='html'>Dênis tomou o valium e um copo de conhaque.&lt;br /&gt;Dênis teve um pensamento indefinido durante este momento. Não vamos analisar o pensamento de nosso amigo mas rezar por nossas pobres vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almir teve seus dias de glória.&lt;br /&gt;Dois. Terça e quarta da semana passada. Só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Phileas Fogg. João Alberto foi recompensado após 30 anos de espera. Este juiz concordou e na quinta-feira, 7 de março, este homem nascido João Alberto deixou de existir dando lugar a Phileas Fogg. "Saio do cartório com a certeza de minha felicidade." E foi... Com sua nova identidade a correr pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anita lava e passa. Anita cose as roupas. Anita aria panelas. Anita, inimiga das moscas e mosquitos.&lt;br /&gt;Cuida da casa cuida, Anita mas depois vai dormir. Amanhã será outro dia de pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cráudio tem vergonha de seu nome. Quando se apresenta não diz o primeiro nome.&lt;br /&gt;Diz apenas: "Da Silva. Prazer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bartolomeu Gusmão descobriu sua árvore genealógica graças à internet. Que maravilhosa ferramenta. Espanhóis e portugueses encontraram índias nas terras selvagens do paraiso tropical. Foi por terra sua teoria das raízes escandinavas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-1943546863239218625?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/1943546863239218625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=1943546863239218625' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/1943546863239218625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/1943546863239218625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2007/03/pequenas-notas-de-relatos-de-casos-de.html' title='Pequenas notas de relatos de casos de nomes'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-114505627989287799</id><published>2006-04-14T21:05:00.000-02:00</published><updated>2006-04-14T21:11:19.906-02:00</updated><title type='text'>Como realizo minha obra</title><content type='html'>Um dia farei um poema sobre todos os temas... sobre todos os problemas... sobre tudo.&lt;br /&gt;Vivo em função desse sonho que tornado real sei que abrirá a fenda secreta do chão, aquela que se manteve fechada por todos esses séculos e dela se erguerá o último leitor que caminhará sem dar passos até a área de acesso mais próxima à internet e selará o destino da existência. Eu sei que eu serei o escritor do último poema, o poema sobre tudo e nem quero pensar no depois porque isso nem é da minha alçada, devo somente me dedicar a este propósito, o resto é com o resto dos homens e com o resto dos deuses e demônios.&lt;br /&gt;Eu só tenho que realizar a minha obra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-114505627989287799?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/114505627989287799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=114505627989287799' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/114505627989287799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/114505627989287799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2006/04/como-realizo-minha-obra.html' title='Como realizo minha obra'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-113983260988252937</id><published>2006-02-13T10:05:00.000-02:00</published><updated>2006-02-13T11:08:25.843-02:00</updated><title type='text'>0800</title><content type='html'>Como pode um 0800 dar ocupado?&lt;br /&gt;Se fosse para comprar atenderia rápido mas é para receber. Malditas promoções.&lt;br /&gt;Fiquei ouvindo o sinal e percebendo como o ritmo dele matava o meu. Com essa, era a minha sexta tentativa aquela manhã. Manhã cinzenta e sozinha numa casa revirada.  Antes disso, havia apelado à internet. Após uma descrição do meu problema com a promoção Credicard, a atendente virtual Sílvia me disse que tentasse o 0800. O mesmo desta manhã e da tarde de ontem e da manhã de anteontem e da tarde do antes de anteontem. Sinal de ocupado, mente vazia. Fui caindo em mim e entrando em um território estranho: limite entre o não-ser e o não-sentir. Eu não existia. As empresas existem para suprir o papel da igreja medieval. Algo pra se temer e pra  esmagar pessoas. Diante de um 0800 sou desprezível e me sinto só diante de uma igreja gótica virtual de bolso sem um mínimo daquele arrebatamento arquitetônico. Agora, não tendo ave-maria pra nos ajudar apelamos para o 0800. Ou não - é uma questão de escolha. Na real, não somos nós que temos o 0800, é o 0800 que nos têm. É ele quem diz se vai nos atender, se vai nos dar um caminho... se há salvação. Fora isso, só o vazio da falta de opção - de tentar e tentar e tentar e cair na cama. Uma opção seria Maria, Jesus, Deus, Buda, Maomé. Maomé ainda é uma opção para muitos. Não sei. Uma opção seria o terror, mas o terror já existe... Na empresa que ri de mim, me oferece o papel de mendigo que clama por um atendimento com menos vozes pré-gravadas e por uma promoção que não me roube tanto a dignidade.&lt;br /&gt;Talvez seja assim porque a gente não paga - dizem. Daí, treinam pessoas para serem chatas e para dizerem que você não tem opção. Se o problema fosse pagar, o 0300 deveria ser a solução mas também não é pois você paga e a sensação é a mesma - com o agravante de se estar perdendo dignidade (leia-se dinheiro).&lt;br /&gt;Mas eu falhei, eu falhei. COnfesso a mim já que não tenho a quem confessar (será que estou me convertendo? caramba, que o medo faz coisas incríveis com a gente). Confesso que atrasei o pagamento da fatura. Ligo agora para um 400, ouço a cantilena pré-gravada até chegar a uma opção que me leve ao operador. Antes a voz da empresa me pede que eu espere um pouquinho logo depois de falar com o atendente pois eles querem me perguntar coisas. A empresa quer saber minha opinião. Sinto uma emoção embalada em um papel simples porém amoroso, chamo-a de gratidão. O 9 me leva ao operador, perdão, operadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebo um torpedo. Que bom. A festa da Uva em Caxias do Sul dias tais e tais, a patrocinadora é a "minha" companhia de celular.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-113983260988252937?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/113983260988252937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=113983260988252937' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/113983260988252937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/113983260988252937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2006/02/0800.html' title='0800'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-113167235094161225</id><published>2005-11-10T23:16:00.000-02:00</published><updated>2006-02-09T10:46:28.146-02:00</updated><title type='text'>Errado e certo</title><content type='html'>Vou te dizer que não escovo os dentes há 6 anos só pra assistir o teu já esperado sorrisinho cínico. Desse modo, você aproveita e mostra que tem tratado bem dos seus. &lt;br /&gt;Não vou sorrir agora pra não quebrar o encanto desse momento... Momento que é parte de um processo. Processo no qual fui me tornando cada vez mais repugnante a partir daquele direto, seco e simples "sai". Ainda não é a hora de mostrar o quão pouco daquele "facho cegante" que eu fui, restou. Agora, sem nenhum glamour eu sou a luz justa pra penumbra em que eu vivo e por mais estranho que seja eu sinto que há uma dignidade nisso.&lt;br /&gt;Vamos lá. Isso tudo é uma metáfora. Abandonei meus próprios dentes à uma sorte entre aspas e sem grandes medos por dentro. Quando digo isso, em resumo, digo: fiz porque eu quis. Meu sorriso, que reservo para o justo final de nossa palestra é a sentença de que me condenei à dono do próprio destino. Digno ainda que banguela, escroto ainda que o mesmo homem doce de sempre. Não se sinta uma santa. Isto não é imolação. Também não virei mendigo. Aliás, me recusei a mendicância. Quis apodrecer a boca, somente a boca. O resto que há em volta - meu corpo - degradei de outros jeitos mais sutis mas também muito eficazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sim... Abro a caverna e sorrio.&lt;br /&gt;Isto é uma metáfora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-113167235094161225?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/113167235094161225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=113167235094161225' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/113167235094161225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/113167235094161225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/11/errado-e-certo.html' title='Errado e certo'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-112697653015509396</id><published>2005-09-17T14:40:00.000-02:00</published><updated>2005-09-17T19:20:37.130-02:00</updated><title type='text'>Dr. Medicina (dissertação em 11 atos)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Atores:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mortimer Só&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dr. Antonio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dona Terezinha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Homens de macacão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I Ato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode sentar. O que o traz aqui, Sr...?&lt;br /&gt;Só. Mortimer Só.&lt;br /&gt;Certo. O que o traz aqui, Sr. Só?&lt;br /&gt;O Sr. não lembra de mim?&lt;br /&gt;Como?&lt;br /&gt;O Sr. não lembra que estive aqui antes?&lt;br /&gt;Ah, o Sr. já é meu paciente... Quando foi sua última vez? Vou pedir à minha secretária que traga sua ficha e...&lt;br /&gt;Eu estive aqui ontem. O Sr. não lembra, Dr.?&lt;br /&gt;Ontem? Olha, de fato, tive muitos pacientes ontem mas não lembro de ter atendido o Sr.&lt;br /&gt;O Sr. não lembra, Dr.?&lt;br /&gt;Bem, pode ser que eu tenha esquecido não é mesmo? Vou pedir à minha secretária que traga sua fi...&lt;br /&gt;Desista.&lt;br /&gt;Como?&lt;br /&gt;Desista. O Sr. não lembra do ocorrido?&lt;br /&gt;Não. Que ocorrido?&lt;br /&gt;Pois bem, então eu vou aclarar sua memória... Dr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(escurece o palco)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(reacende o palco. vê-se uma parede sendo empurrada para o centro do palco por homens de macacão, surge assim a divisão entre a sala do medico e a sala de visita. passasse um tempo sem falas onde o médico olha um canto de parede em sua sala enquanto na sala de visita, dona terezinha olha fixamente um canto de parede. os dois olham para a mesma direção: uma paisagem de praia entre os dois cenários. a paisagem fora posta por um dos homens de macacão que empurrava o cenário.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Terezinha. Venha aqui, por favor.&lt;br /&gt;(olhando para a foto na parede)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou indo, Dr. Antonio.&lt;br /&gt;(olhando para a foto na parede enquanto fala pelo interfone)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(dona terezinha se levanta e entra na sala. a outra sala se apaga.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim Dr. Antonio?!&lt;br /&gt;Dona Terezinha, o paciente que acabou de sair daqui...&lt;br /&gt;O Sr. Só?&lt;br /&gt;Sim... Ele me afirmou que esteve aqui ontem para que eu o atendesse e que eu o atendi. A Sra. lembra dele ter vindo aqui ontem, Dona Terezinha?&lt;br /&gt;Não no meu turno, Sr.&lt;br /&gt;Doutor... A Sra. não lembra se viu ou a Sra. não viu o Sr. Só aqui ontem neste escritório, Dona Terezinha?&lt;br /&gt;Perdão, Dr. Não lembro de têr visto aquele Sr. neste escritório durante o meu turno, Dr.&lt;br /&gt;Ok. Ok. Pode ir. Ahn... Dona Terezinha.&lt;br /&gt;Sim?&lt;br /&gt;Procure a ficha do Sr. Só, para mim.&lt;br /&gt;Ahn Dr...&lt;br /&gt;Hm?&lt;br /&gt;A ficha. Está aí com o Sr., Dr Antonio.&lt;br /&gt;Ahn?&lt;br /&gt;O Sr. acabou de atendê-lo. A ficha está com o Sr., Dr. Antonio.&lt;br /&gt;Oh sim. Está. É verdade. A ficha está comigo, Dona Terezinha. Obrigado. Pode ir...&lt;br /&gt;Sim Sr.&lt;br /&gt;Ah! Mais uma coisa...&lt;br /&gt;Sim, Dr. Antonio.&lt;br /&gt;Quem estava cumprindo o outro turno de ontem aqui neste escritório, Dona Terezinha?&lt;br /&gt;O Sr. não lembra, Dr Antonio?&lt;br /&gt;NÃO DONA TEREZINHA. Eu não lembro quem estava aqui no outro turno de ontem neste escritório. A sra poderia me fazer o favor de me lembrar, Dona Terezinha?&lt;br /&gt;Ninguém... Ninguém além do Sr., Dr Antonio.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;O Sr. não lembra de ter dito que atenderia os telefones enquanto eu ia me consultar com a Dra. Ana... Ontem... No outro escritório?&lt;br /&gt;... Claro, claro... Obrigado... Dona Terezinha... Pode ir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(médico sozinho na sala; olha para os retratos na parede; olha para o diploma)&lt;br /&gt;Ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(escurece o palco)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(sons de gemidos que viram gritos. gritos de prazer. o palco se reacende com luz mortiça até estabilizar numa luz vermelha. mortimer só fode com dona terezinha. dr antonio atende uma paciente sentado atras de sua mesa. enquanto sobre a mesma mesa a foda vai ficando boa. dr antonio se levanta para auscutar a paciente - que é um boneco - e fica falando coisas de médico até o climax do gozo dos dois lá em cima da mesa. dr antonio não pára de falar coisas de médico. depois do gozo, dr os dois corpos ficam um sobre o outro bem em cima da mesa. os dois vão se desencaixando lentamente com muitos gemidos. vão se levantando. vão se retirando da cena. volta a escuridão.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plano. Qual o seu plano? Qual-é-oseu-plano? BradescoSulamericaPetrobrasBanerjBanespaGoldenUnimedUnicred Qual é o seu plano? Qual é o seu plano?&lt;br /&gt;Toma aqui. Esse serve? Esse aqui.&lt;br /&gt;Isso não é plano, amigo. Isso é uma carteira de identidade.&lt;br /&gt;Pois é Pois é Esse é meu plano esse é que é meu plano.&lt;br /&gt;Não. Isso não é plano. Isso não vale nada meu amigo. Isso é uma identidade.&lt;br /&gt;Vale sim. Pelamor vale sim. Olha. Sou eu sou eu eu sou esse aí.&lt;br /&gt;Não. Não e não.&lt;br /&gt;O que é que está acontecendo aqui? Que zona é essa?&lt;br /&gt;Esse sr.&lt;br /&gt;Só. Meu nome é Só.&lt;br /&gt;Ele quer ser atendido. Mas ele não tem plano.&lt;br /&gt;Ué então pague ora. 300 reais 300 reais amigo. Vai passando aí 300 reais a consulta.&lt;br /&gt;Mas eu não tenho isso. Eu não tenho. Eu só tenho doença. Eu só tenho minha doença.&lt;br /&gt;Então vai trocar por dinheiro, porra.&lt;br /&gt;(o medico tira uma arma e aponta para Só. gritaria e confusão. de repente a cena congela. pessoas vestidas d macacão empurram um sofah para o meio do palco. retiram as paredes do lugar. os personagens ficam congelados. mortimer só sai do congelamento e anda ateh o meio do palco onde está o sofá. em cima do sofa várias caixas de remédio com tarja preta. ele olha e tira uma caixa, pega, examina, abre a caixa, tira a bula e lê em voz alta.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;leitura da bula ateh as contraindições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tomar isso eu morro. Mas mas se eu não tomar isso... eu morro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-112697653015509396?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/112697653015509396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=112697653015509396' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/112697653015509396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/112697653015509396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/09/dr-medicina-dissertao-em-11-atos.html' title='Dr. Medicina (dissertação em 11 atos)'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-112696572134644822</id><published>2005-09-17T11:43:00.000-02:00</published><updated>2005-09-17T14:32:47.236-02:00</updated><title type='text'>Eu, na cama, com a sociedade avançada</title><content type='html'>&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que vou dormir.&lt;br /&gt;Não não. Acho que vou levantar.&lt;br /&gt;Tem trabalho, não tem? Ai, minha coluna.&lt;br /&gt;Devo tentar.&lt;br /&gt;Acho que vou tentar... Tentar o quê? Do que eu estava falando? O que eu tentei antes foi deletado. Antes... Não lembro se eu já estava deitado e esqueci ou se deitei agora e não dormi. Não lembro se dormi. Dormir? Tentei. Acho que sim.&lt;br /&gt;Mas agora eu tenho certeza de que não devo levantar. Algo vai acontecer e eu não devo levantar. O Fato entrará deslizando com seus pézinhos aéreos e se, quando o Fato passar pelo quarto, eu me esconder sob as cobertas, ele não me verá e passará para outro apartamento. É isso. Já sei. Eis meu projeto do dia. Decidir quando devo tomar o remédio. Que forma perfeita de solucionar meus problemas. Não tenho sono mas desejo dormir, certo? Tenho que tentar mas não lembro o que... Se eu me concentrar não em tomar ou não aquele remédio mas em quando tomá-lo estarei executando a ação.&lt;br /&gt;Está decidido.&lt;br /&gt;Deitarei novamente.&lt;br /&gt;Mas se deitado eu já estava, me deitarei por dentro. Estou feliz pois agora estou convicto de que executarei uma ação no tempo. Se não posso dormir então que eu me deite. Se eu desejo tentar algo mas, não me lembrando, não sei o que é, devo então me concentrar no quando em vez de no o que. Afinal, eu sei que eu devo tentar. Sei que não há outra escolha além da tentativa. Ou melhor, talvez até exista mas ainda não se sabe qual é. Bem, esta ânsia é certa: tentar.&lt;br /&gt;Desnecessário prosseguir, pode parecer que estou querendo enganar-me. Não, não... Não estou deslocando a fonte do meu desprazer. Que isso fique bem claro. Estou só invertendo tudo. Passarei a ser eu o Fato, deslizando sobre a tentativa, e ela o Eu-eu mesmo, se escondendo sob as cobertas esperando que eu passe por ela que, mesmo sendo tentativa, deita mas não dorme por não ter porque dormir. Agora ficou tudo muito claro. E decidi tudo isso sem sair da cama! Fenomenal. Quando todos os projetos de tentativas ignorarem o 'o que' passando direto para 'o quando' estaremos na sociedade avançada. Tendo 'o quando', o 'o que' pára de importunar. O Quando é o Fato. Sim, quando O Quando chegar eu me preocupo com o O Que. Está feito...&lt;br /&gt;Ei. Espere. Me ocorreu algo.&lt;br /&gt;Será que já não estamos na sociedade avançada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anita sonhou que estava nua.&lt;br /&gt;No seu sonho nós ríamos muito dela. Duma forma que faria qualquer outra Anita chorar de vergonha. Mas outra coisa ocorreu dentro dela. Enquanto ríamos de nos acabar ela decidia: acordar, deitar ou morrer? Então, se deu conta de que todas as três alternativas eram a mesma. Tomou a faca das mãos da irmã (que ria) mas sabia que não conseguiria se matar. Nem ao menos cortar a própria pele. Fez assim: deitou a faca no chão com o gume voltado para o céu. Deixou-se empurrar pela multidão histérica e assim foi, desenhando um arco até o chão, até sentir uma linha fria de dor penetrar-lhe o peito. Deu certo.&lt;br /&gt;1) A turba parou de rir. Alguém gritou por ajuda.&lt;br /&gt;2) Anita acordou. Anita deitou. Anita morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chovia em seu sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone tocou e tocou e tocou e eu desisti.&lt;br /&gt;Fiquei olhando o piano e pensando e pensando e pensando.&lt;br /&gt;Tornei a ligar. Daí só deu ocupado. Liguei; ocupado. Liguei; ocupado. Liguei; ocupado. Liguei; ocupado.&lt;br /&gt;Mas, meu Deus do Céu, o que está acontecendo? Me inquiri - bem alto para que eu ouvisse bem.&lt;br /&gt;A decisão de aguardar veio do relógio. Afinal, ele estava ali e precisava mostrar serviço. Então tá. Foi aí que notei algo singular: eu estava nervoso. Muito bem, era preciso manter a calma, restabelecer o equilíbrio e projetar os fatos. Respirei fundo mas não percebi que não foi suficiente. Respirei mais fundo. É espantoso a capacidade de guardar ar do pulmão. Utilizamos pouco e fazemos mal-uso de nosso aparelho respiratório. O uso do aparelho respiratório: eis meu tema do dia. Percebi algo. O telefone tocou. Possivelmente havia tocado três vezes antes daquela mas eu estava absorto demais com a respiração para perceber. Atendi e ouvi um sinal, silêncio, sinal... silêncio... sinal... tentei mas não consegui respirar de acordo com o pulsar daquela desistência. Recolocado no gancho, o telefone me parece desarmonioso.&lt;br /&gt;Torno a ligar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-112696572134644822?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/112696572134644822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=112696572134644822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/112696572134644822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/112696572134644822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/09/eu-na-cama-com-sociedade-avanada.html' title='Eu, na cama, com a sociedade avançada'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-111732891960707359</id><published>2005-05-28T21:59:00.000-02:00</published><updated>2005-06-14T17:10:23.716-02:00</updated><title type='text'>Trezentos cegos</title><content type='html'>Esse é o início do meu caminhar.&lt;br /&gt;Daqui pra frente, cada passo meu terá uma razão precisa, uma motivação terrível que permanecerá em segredo até 3 dias depois do dia da minha morte - em breve. Em baixo da cama do quarto há uma caixa. Velha que só. Seguramente protegida pela repugnância do papelão. Dentro, um molho de chaves. Vocês estão convidados a caminhar comigo. Talvez se perguntem: que certeza é essa que eu tenho de confiar em desconhecidos - em gente anônima - em gente que não vejo, não sinto, não sou íntimo e nem posso ou quero ser - para revelar de cara tanta coisa íntima e - como vão ver - vergonhosa? Tem a ver com solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se vai sair te protege.&lt;br /&gt;Dominando minha decência, estou cada vez mais próximo do Fim. Ainda ontem pensei nessas coisas e cheguei à minha última e grandiosa conclusão: por onde passarão meus primeiros passos não passarão o de mais ninguém. Na noite sentida em tudo mais à minha volta - o estímulo perfeito para quem planeja tanto e tanto - reduzi a importância do sono e me vi... na cama... deitado de frente para o teto. Pela primeira vez eu vi a cara da minha decência... Estampada no alto de uma nuvenzinha está a reprodução velha e carcomida de seu rosto. Tá ali. Digo, estava. Agora, olhando pra baixo e fitando o mar eu revivo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá bem, querida.&lt;br /&gt;Eu sempre falo baixo. E sempre falo mais baixo diante dela. Vejam como eu ainda sou vítima de 38 anos de compostura filial. Resignação suficientes para mais que o dobro de uma vida... E um corpo enrijecido de medo. Fito a boca materna que se abre como minha caixa de papel conrugado. Veja. Vai revelar segredos. Eu os prefiro mal escondidos no chão do meu quarto sob a cama junto com o pó. Minha mãe escancara sua miserável caverna de onde vejo carnes babadas e sem dentes. Quero ir para onde tem ar, tem calor, tem gente, espaço, movimento, presente e futuro, mar... tomara que eu vá mais além. A existência toda está cá fora. O dia todo à minha espera - me conforto com essa idéia - mas não me tranquilizo. Hoje não é dia de tranquilidades - mas de tranquilizantes - ainda não me sinto forte. Desculpem se misturo os tempos dos verbos. Nunca sei quando é quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Peraí. Antes isso.&lt;br /&gt;"Abra a boca e fecha os olhos" - brincavámos eu e minhas primas. Gosto de que? Amora, abacate, outra boca, morango, outra boca. Tem gosto de papelão conrugado. Áspero e cruel. Meu avô teve mais sorte porque agora sou eu e não ele quem se encontra dentro daquela boca. Ele ainda teria a lembrança de uma cavidade mais nova. Eu não. Dentro não vejo pistas do que foi esta gruta. É frio aqui. Dentro dela. Minha língua passa por gengivas duras alisando montes onde moraram dentes e hoje são cumes carecas de uma terra muito úmida e infeliz. Futuramente será seca e enegrecida.&lt;br /&gt;Sugar é olhar. Olhar é furar meus olhos diante do vale de agulhas que apontam para mim saindo da pele suja. Eis a imensa superfície deste planeta, a cara de minha mãe. A velha bruta guarda tanta força em seus ossos que sinto esclerose nos meus. Ossos que comprimem e me puxam para dentro dessa mandíbula moquinal. Ouço ou imagino, não sei, um ranger que me enche de pânico e me dá uma vontade de gritar e chorar ao mesmo tempo. Nada mais que isso em crescente intensidade. Produzo em meu socorro uma imagem. É Deus - como sempre. E sempre Deus é uma adolescente comprida que inicialmente sorri e depois me olha com pena. Eu não quero pena e engulo meu terror. Engulo também minha decência. Me subverto. Beijo minha mãe. Lingua sobre língua. A dela escorrendo sobre a minha - esta que ainda é jovem e macia, percebo agora, resistente. Reajo porque respiro. Respiro dentro da vala fria enterrado pelo húmus e raízes, um defunto vivo que deixa os vermes brincarem em minha garganta.&lt;br /&gt;Eis o resultado. O primeiro passo que destrona. Minha mãe se afasta. Um planeta que se afasta de sua trajetória mortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco dias depois acordo num leito. Só.&lt;br /&gt;"Minha Pátria Mãe Gentil" é o que ouço na rádio.&lt;br /&gt;Minha Pátria Mãe Gentil acorda antes de mim e se debruça toda sob um céu cor de leite... leite sujo. Jogaram cinzas nele e mecheram com uma colher.&lt;br /&gt;As ruas as ruas as ruas...&lt;br /&gt;O hábito de repetir três vezes as palavras que mais gosto eu peguei de meu pai, ou, ao menos do pai que criei. Não o conheci. Não o tenho na memória. Só me lembro de mãos. Me lembro de vozes e olhares. Me lembro de sorrisos e dentes que me ofendem o humor de tão carbônicos. Não podem ser de meu pai. Não quero que sejam. Então meu pai é feito de lembranças arranjadas por mim, manias que tenho mas que digo que não tenho e que existem porque eu sei que existe um meu pai. Em algum lugar existe um meu pai. Agradável e terno. Cheio de manias maravilhosas. Dono de histórias boas e uma memória fantástica para o fantástico. Meu pai.&lt;br /&gt;Diante da antisocial janela puxo o ar. Sem satisfação e nem a menor pretensão de plenitude neste gesto, olho aquillo tudo que é o mundo e cato beleza em um verde no asfalto. Os pássaros que ouço estão soltos no céu ou estão em minha mente? Bom, não sou tão incrédulo de dizer que isso não me traz um certo conforto. Uma nódoa de alegria. Digo para aquilo tudo que é o mundo e para os pássaros que me trazem conforto: "para uma manhã da minha vida esta até que está uma bela manhã".&lt;br /&gt;Estou esfuziante - para quem é desânimo.&lt;br /&gt;Estou cantando num musical - para quem odeia breakfasts.&lt;br /&gt;Sabe, eu moro na frente do mar. Desculpem, mar não: baía. É. Mas antes do mar vejo um rio. Rio não: um braço de asfalto-rio onde trafegam carros à velocidade de 85 km motoristas anônimos regras de trânsito marcadas por acidentes e derrapagens na pista. Toda essa racionalidade erguida por pilares. Porque pilares erguem o racional. A razão é feita de vigas.&lt;br /&gt;Nos afluentes do asfalto vejo placas e lápides de todos os operários que morreram na intenção de serem esquecidos. Na construção, no parto. Morreram no parto. Bebês adultos viraram fetos encolhidos que morriam todo dia na volta noturna para suas casas. Lá? Lá eram recebidos por nada e ninguém. Tanto a criança quanto a mulher dormiam e o macarrão frio era o que o esperava no forno. Na possibilidade disso, os operário fizeram sua escolha ainda que quem tivesse feito a escolha fosse a Vida. Saltaram do sólido, flutuaram no ar, se esborracharam no falso líquido, o mesmo mar que avisto agora. Mar não, desculpem: baía. Meu pai, tenho certeza, não deve ter sido operário. Ou ao menos, um desses que desiste e falha. Ele não morreu. Está por aí. Pai pai pai&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-111732891960707359?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/111732891960707359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=111732891960707359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111732891960707359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111732891960707359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/05/trezentos-cegos.html' title='Trezentos cegos'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-111455895721624658</id><published>2005-04-26T20:46:00.000-02:00</published><updated>2005-05-06T13:11:00.806-02:00</updated><title type='text'>A imersão é um código</title><content type='html'>Algo vem. Um vento que empalidece o campo.&lt;br /&gt;É bom? É ruim? Não sei. Vem. As nuvens pouco resistem. Buscam formas, se monturando sem parar - eu paro - eu espero: o dia todo pra ver manhã em tardinha que traz o sussurro de algo que vem e pra ter a certeza que esta não vai ser a mesma noite de ontem.&lt;br /&gt;Sei que meus pés estam lá mas não os sinto. Na mesma bota. No mesmo chão que os engole. Fincados como estacas, nem vale o esforço de usar as minhas pernas. Correr é ficar. Fico e corro na minha insistência de ser um espantalho do meu medo. Lá no alto, camadas e camadas de fantasmas cinzentos esmagam meus olhos. Se fossem bólidos atravessariam um milhão desses cinzas até emergirem no azul. Eu teria alívio de segundos pra respirar, admirar-me com a paz, sentir-me feliz de tão só até ter meus olhos tragados pela Terra novamente. Caindo com a chuva.&lt;br /&gt;Daqui, camadas e camadas de vazios também se aglomeram. O frio vem, me atravessa e parte como se eu fosse nu. No entanto, sou roupa. Roupa estendida no varal que não seca nunca. Quero ficar. Não quero ir. Quero esperar. Que eu seque no frio. Que seja assim. Bom ou ruim, o vento passa. Ou nos leva, ou nos atravessa qual fossemos roupas nuas. De uma forma ou de outra, ele vai. Deixando a mim, a ela e aos fantasmas do céu em paz, pq não? Que o vento passe. Sem fuga.&lt;br /&gt;Que empalideça o campo. Eu sei que depois do vento vem o sol. Que nos seque os olhos pra nos vermos melhor. Pra vermos quem seremos depois. Depois: depois e depois e depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-111455895721624658?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/111455895721624658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=111455895721624658' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111455895721624658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111455895721624658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/04/imerso-um-cdigo.html' title='A imersão é um código'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-111455245325994781</id><published>2005-04-20T19:36:00.000-02:00</published><updated>2005-05-06T10:31:11.166-02:00</updated><title type='text'>Prece prece sólido sólido chão chão</title><content type='html'>Peço que me acorde de mais essa noite de solidão.&lt;br /&gt;Peço que me acorde de mais essa noite de solidão.&lt;br /&gt;Estou numa rua. Estou onde não estou.&lt;br /&gt;Me sinto muito quente me sento sobre o chão frio&lt;br /&gt;me calo me repito.&lt;br /&gt;Tua pele me repele. Então não mais me aproximo.&lt;br /&gt;Não me escuto então eu grito.&lt;br /&gt;Não me escuta enquanto grito.&lt;br /&gt;Me recupero não sei como mas só sei quando não respiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço que me acorde mas não te digo não consigo.&lt;br /&gt;Peço que me mova pois já não me movo sozinho.&lt;br /&gt;Me desloco no tempo para o tempo onde não me avalio.&lt;br /&gt;Percorro minha extensão me descubro dentro de um nicho.&lt;br /&gt;Me isolo em meio a água, em meio a água eu me ilho.&lt;br /&gt;Fujo de mim mesmo e dou de cara dou de cara&lt;br /&gt;dou de cara com um rio&lt;br /&gt;a extensão é de um mar por isso a outra margem não avizinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois&lt;br /&gt;Sou ilha no meio dum mar que não passa de um rio&lt;br /&gt;Peço que me abrace tá fazendo muito frio.&lt;br /&gt;Peço que me acorde não quero ficar sólido não.&lt;br /&gt;Peço que me acorde não quero ficar só no chão.&lt;br /&gt;Peço que se aproxime e não me deixe no porão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-111455245325994781?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/111455245325994781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=111455245325994781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111455245325994781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111455245325994781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/04/prece-prece-slido-slido-cho-cho.html' title='Prece prece sólido sólido chão chão'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-111383482354008567</id><published>2005-04-18T12:14:00.000-02:00</published><updated>2005-04-18T18:17:51.126-02:00</updated><title type='text'>Marx segundo Freud</title><content type='html'>Acabaram os copos de plástico.&lt;br /&gt;Alguém tem que descer pra comprar.&lt;br /&gt;Bom, isso foi o que eu entendi na hora. Daí cheguei e fui cuidar a minha mesa. Prefiro ficar longe pro caso do problema vir pro meu lado. Ai. As canetas. Não tem uma caneta sequer na minha mesa. Isso acaba comigo é como se deixasse de ser minha. Mas tem o escondido. O escondido é o santuário onde meus reservados ficam a salvo da horda. Tem uma Lammy e duas Bics. Obviamente optei pela coisa mais barata. Só tinha vermelha e preta. Peguei as duas pra deixar a vermelha (a que uso menos) na Vala e a preta no segundo estagio do escondido. O segundo estágio do escondido é o segundo círculo do santuário onde meus pertences importantes porém mais dispensáveis podem ficar. Um lugar menos protegido que o santuário mas ainda assim de acesso mais trabalhoso que A Vala. A Vala? Purgatório dos objetos. O local mais à vista das águias onde ofereço em sacrifício meus bens de menor valor à essas filhas da puta. Elas vêm de razante sobre minha mesa para sequestrar qualquer coisa em emprestado.&lt;br /&gt;A horda. Cavaleiros do hades. Seres desprezíveis dispostos a tudo para disseminar o caos pilhando em pleno dia a propriedade alheia. Porcos com asas. Se deliciam com as iguarias da Vala e as carregam pros seus ninhos sujos. Onde tudo se perde. Onde a propriedade deixa de ser.&lt;br /&gt;O monturo de arquivos da pasta A está bem maior que o da pasta B. Mal sinal. Que vontade de clicar e arrastar tudo pro limbo. Mas não dá. Dentro da rede todos os passos são monitorados por Fred, o Musgo. Convém ter medo do seu ícone - a cobra preta de chifres vermelhos no canto da tela.&lt;br /&gt;Não entendi bem e peço para repetir. A vaca da mesa 1 me intima para a vaquinha dos copos de plástico. Como deixaram acabar? - me pergunto. E a reserva? Ra, não existe reserva. Olho pra vaca e... não queria ter hesitado, não devia... Será que ela percebeu? Mas também, que importa? Quando lhe dou o dinheiro, ela corre para a horda sem dizer nem "tchau seu otário". Discute-se muito pra terminar com cerveja. Sei bem pra onde vai esse mutirão. O assunto me dá sede e me faz lembrar do meu segredo: eu tenho um santuário. Inatingível até para o Musgo. Nos períodos de escassez, eu sempre sobrevivo. Morrem os lagartos ficam os ratos. Morre a civilização, sobrevivem as baratas. Que fique claro, não sou rato nem barata mas sou sobrevivente. Num lugar onde prevalece a rapinagem, o almoxarifado é só um local para a felação após o almoço. Aqui eu sou reserva moral e é isso que me mantém lúcido em quatro meses sem ver a cor do salário.&lt;br /&gt;Deslizando a gaveta escondida surge um paraíso particular. Entre o kit de primeiros socorros, a garrafinha d água, durex, cola, lápis, lammy e outras coisas... um copo de plástico. Apenas um. Rígido. Não um desses frágeis descartáveis de plástico branco mundano desprezível. É o meu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-111383482354008567?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/111383482354008567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=111383482354008567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111383482354008567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111383482354008567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/04/marx-segundo-freud.html' title='Marx segundo Freud'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-111382958904531363</id><published>2005-04-18T10:38:00.000-02:00</published><updated>2005-04-18T12:09:36.690-02:00</updated><title type='text'>Heróis</title><content type='html'>Se olhasse para trás teria visto sua vida.&lt;br /&gt;Se olhasse para trás mas não olhou. Orgulhoso, preferiu seguir em frente se achando muito certo de seus atos. Covarde, atinou que nunca chorou antes como naquela noite. O lado oculto lhe disse coisas após anos e anos de silêncio. Era agora a hora e a vez das sombras dominarem seu ser.&lt;br /&gt;10h 30 e estava atrasado. Olhou o relógio traidor. A engrenagem imbecil havia falhado outra vez. Mais uma chance perdida e um dia de sol e vazio a sua espera. Grande coisa... Absoluto, mordeu uma banana e tentou fazer o velho jogo de dizer bom-dia para si mesmo. Não conteve uma risada e uma risada seguida dum espasminho porque definitivamente estava engraçado. Escorria pelo espelho algo que lhe saltara da boca.&lt;br /&gt;Os eventos da madrugada vinham em flashes. Sonhos despertos que teve sentado na cama como um guru. Fora uma noite insone e muito bela com direito a mesma lua em diferentes momentos, o coral de dez gatos e o ronco da sra. Edgar. É, dez mil anos se passaram para a civilização gerar uma mulher Edgar. Dez mil anos... entre os quais gerou-se também o espelho, o café da manhã e o poder da vontade conforme Schopenhauer. Bem antes disso, o hominídeo comeu sua primeira banana e entendeu no outro o espelho torto de si mesmo. Nada mais.&lt;br /&gt;Lá fora, passavam flechas automotivas e icebergs com pernas. Não procure entender essa visão. Isso não é uma alegoria. Nosso herói solitário prosseguia, galgando seu dia na forma de escalar a Rua Street até chegar a algum escritório. Havia uma chave em seu bolso. Sua missão: deveria engendrar uma cópia e eu nunca vi tamanha profusão de verbos mal empregados como neste texto. O chaveiro estava fechado.&lt;br /&gt;Na casa do chaveiro, o despertador também não tocara e o pobre gordo monstro desabava em suor para fora da cama e se ajeitava no espelho na permissão do espaço que tinha. Sofria do mal de chagas e, ainda não sabia, mais outra doença pior. A fome do gordo não existia. Ele não estava comendo uma banana mas mastigava a pasta de dentes. Uma sensação quase incômoda de cerdas arranhando dentes que trituram cerdas e algo que já fora macerado pela máquina.&lt;br /&gt;Na casa de Edgar, havia ela e mais 3 crianças. Quatro dos dez gatos da noite eram dela e estavam miando. A três crianças nâo miavam e não eram suas. Oito seres naquele lar. Não havia carinho para todos.&lt;br /&gt;Nosso herói, diante da frustrada viagem ao chaveiro, resolveu prosseguir em busca de outro escritório. O chaveiro exercitou-se abotoando o jaleco azul e por um instante se perguntou quem era aquele espelho diante de si. A chave bordada no jaleco apenas sorria pois não tinha respostas. Edgar se perguntava porque não mudou de nome quando era mais moça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-111382958904531363?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/111382958904531363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=111382958904531363' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111382958904531363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111382958904531363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/04/heris.html' title='Heróis'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-111055452370495422</id><published>2005-03-11T11:01:00.000-02:00</published><updated>2005-09-17T14:38:09.376-02:00</updated><title type='text'>Pq odeio médicos</title><content type='html'>Mostre-me onde dói.&lt;br /&gt;Estou com uma dor filhadaputa nas costas, dr.&lt;br /&gt;Eu sei. Vire-se. Não se volte. Mostre-me onde dói.&lt;br /&gt;No ciático, dr. No ciático.&lt;br /&gt;Isso é a lombar. Mendes, já te falei pra não se meter no meu trabalho. Vire-se. Pare de resistir.&lt;br /&gt;O que você quer dizer com isso?&lt;br /&gt;Todas as vezes que vem aqui é assim. Sei muito bem que não toma os remédios. O que você quer com minhas receitas? Acha que sou algum palhaço?&lt;br /&gt;Modere sua língua, dr.&lt;br /&gt;Todas as vezes é isso. "Tenho dor filhadaputa nas costas." Resiste à consulta e resiste ao tratamento. Nunca faz os exames. Qual o sentido então de vir aqui? Vire-se!&lt;br /&gt;Como posso não me virar????&lt;br /&gt;Você não confia. Você não acredita em mim. O que você quer?&lt;br /&gt;Dr., eu quero que me mate.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-111055452370495422?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/111055452370495422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=111055452370495422' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111055452370495422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111055452370495422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/03/pq-odeio-mdicos.html' title='Pq odeio médicos'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-111003338528374546</id><published>2005-03-05T11:52:00.000-02:00</published><updated>2005-03-05T12:41:35.470-02:00</updated><title type='text'>A Lei do Inexplicável Sentido das Coisas</title><content type='html'>Eu quero que este pingo de suor caia do meu rosto... Agora.&lt;br /&gt;Maldito calor.&lt;br /&gt;Não cai. Não cai. Não cai.&lt;br /&gt;Fica aí grudado só pra me irritar.&lt;br /&gt;Aqui se costuma dizer que não se divide quarto de motel com as moscas. Pra mim, o sentido desta frase não existe. Isso é claro. A sonoridade dela sim: "Não se divide quarto de motel com as moscas".&lt;br /&gt;Percebo que quando o Sr. Senso Comum criou essa frase, criou para os ouvidos e não para a mente. Porque não se divide quarto de motel com as moscas? Porque elas não te deixam dormir? Não te deixam trepar? Não te deixam pensar? Chorar? Ler? Beber como um porco, um nada dormente?&lt;br /&gt;Pouco me importa nesta frase folclórica deste maldito lugar quente por que as moscas são tão más companhias num quarto de motel. Pra mim, esses insetos sempre foram más companhias em qualquer lugar que eu fosse. Já briguei com um sujeito que nunca vi porque queria fazê-lo entender que eu não acredito na erudição moderna... no homem do estudo. Ele nem ao menos estava falando deste assunto.&lt;br /&gt;Muitos ditos do povo existem apenas e nada mais pela sonora sensação que provocam. Motel = lugar para se passar uma noite ou mais apenas como dormitório, lugar de passagem ou de foda urgente. Quarto de motel = o sepulcro do sono, do pensamento de espera e da foda urgente. Moscas = insetos em estado de parceria com o homem e seus suores. A frase, a expressão, o dito é quase um hai-kai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho a intelectualidade arrogante. Querem ver sentido em tudo e tudo é existencialismo. Porque estou neste lugar? Porque quero lembrar. Porque eu estou suando? Porque aqui é uma maldita caldeira. Porque eu não tiro esse suor do meu rosto? ou Porque este pingo ainda não caiu do meu rosto? Sinto-me furioso.&lt;br /&gt;Nas palestras que fiz pelo país cheguei a tratar dessa questão: há um momento em que a vida inexplica tudo. Inexplica. A platéia anotou o novo verbo em uníssono riscar de canetas promocionais com o logo do evento. I Ciclo de Palestras do Instituto Limitrofista Breasileiro. Porque pessoas vão assistir a uma palestra limitrofista? Eu não sei. Afinal, o pingo não cai. Esta é a questão de tudo. O sentido talvez exista. Não convide moscas para passar sequer (sequer) uma noite contigo num quarto de motel. Mas quem em seu juízo perfeito faria isso?&lt;br /&gt;O suor deslizou 3 milímetros. O calor aumentou em 1 grau. Meu cílio superior a extrema esquerda do olho esquerdo desprendeu-se do inferior provocando um alívio profundo de cerca de milisegundos.&lt;br /&gt;O curso do meu pensamento é sinuoso. Minha busca tem sido explicar o não-sentido das coisas. Ganhando notas pífias em matérias pagas no jornal. E uma coluna fixa num tablóide do meu próprio instituto. Agora estou aqui. Patrocinado por mim mesmo para comprovar in loco, num lugar sem sentido de existir, a Lei do Inexplicável Sentido das Coisas em Situações-Limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência toma para si que a realidade ainda é o melhor laboratório. Sou da escola científica que diz que a melhor cobaia é o próprio cientista. Já estou liso. Sem um puto. Amanhã não terei como pagar minha diária neste motel. Vejo violência neste ambiente. Ontem vi sangue no azulejo do banheiro coletivo. Anteontem, ao chegar, vi o que acontece com quem não cumpre seus deveres de inquilino temporário. Há um contrato. Haverá sentido neste contrato? Será que é a punição quem confere sentido às coisas? É punindo o crime que sabemos dele crime? A lei existe para dar sentido... mesmo ao inexplicável. A vida pode ter sentido ou não. Mas sempre haverá uma lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui para lembrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-111003338528374546?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/111003338528374546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=111003338528374546' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111003338528374546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/111003338528374546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/03/lei-do-inexplicvel-sentido-das-coisas.html' title='A Lei do Inexplicável Sentido das Coisas'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110980962417802463</id><published>2005-03-02T21:58:00.000-02:00</published><updated>2005-03-02T22:27:04.180-02:00</updated><title type='text'>Tio Sâni, o cara</title><content type='html'>Que tema, que tema!&lt;br /&gt;Era assim que, duma forma muito própria, meu tio Sani se relacionava com a música que gostava. A beleza de tudo para ele estava no tema. A base, a base - ele argumentava e tava aí, ele tinha razão. Destrua e renasca na força do seu tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abuso de capacidade!&lt;br /&gt;Outro comentário muito dele. Flor de axiomas, esse Sâni, o cara. E se destrancava da entranha mental um comentário dessa natureza nem imagine o gestual que ele fazia. Econômico, só se dignava a comentar o que era bom. Não abria a boca pra coisas que não valessem realmente a pena. Com muita razão. Não desperdiçava energia e nem se fadigava com sem gracice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher!&lt;br /&gt;Bastava isso. Mulher. Nesse códio mínimo de comentário havia que se parar tudo que se fazia e prestar atenção no entorno que com certeza ia aparecer ela. Abuso de capacidade! Que tema, que tema! Eram frases que usávamos fora das vistas do doido. Tínhamos medo do Sâni. Tínhamos  medo de estar usando o código na hora errada. Mas vocês já perceberam que:&lt;br /&gt;1. Música maravilhosa? Então é: "Que tema, que tema!"&lt;br /&gt;2. Fez um ótimo trabalho? "Abuso de capacidade!"&lt;br /&gt;3. Ela tá passando? "Mulher!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se. Estamos tratando de forma escrita de algo que é informação sonora. Sâni era um gênio da entonação. Um comentário do tio era feito de palavras com timbres corretos. Por exemplo: "Mulher!". Puxe o "lieeeeeeerrrr" na duração correta. Na métrica. Na métrica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110980962417802463?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110980962417802463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110980962417802463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110980962417802463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110980962417802463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/03/tio-sni-o-cara.html' title='Tio Sâni, o cara'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110952327717624439</id><published>2005-02-27T14:47:00.000-02:00</published><updated>2005-02-27T15:06:50.370-02:00</updated><title type='text'>Dois</title><content type='html'>Isso tudo é preguiça ou o q?&lt;br /&gt;Ele pensou isso e fitava seu rosto de perto - em superclose. O rosto de um era câmera, o outro personagem. Isso era uma brincadeira íntima. Ela ria pra câmera. Ele se fingia de plástico. Na qualidade de câmera eu sou objeto e não devo demonstrar emoção - ele dizia. Você não é só uma câmera, é também quem a segura e filma, manézinho cara de toalha - ela refutava. Faz sentido - ele, liberando um muxoxo vencido.&lt;br /&gt;Boa menina. Isso. Agora faz aquela pose. Que pose? - dizia a atriz ao diretor. Ora, você sabe. Levanta os braços assim... Ela se fazia de perdida. Daí o diretor disse: "bom, deixa eu largar a câmera, já vi que vou precisar te dirigir melhor nesta cena". Ficava muito evidente sua intenção abusiva. A atriz no entanto parecia estar disposta a tudo para agradar ao criador. Sorriso de lado. Ensaiando falso cinismo o diretor apalpou a carne da atriz no intensamente puro desejo de modelar a cena conforme sua necessidade. Ela se mostrou bem receptiva. Daí a pouco esqueceriam a câmera e os dois estariam imersos... na cena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110952327717624439?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110952327717624439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110952327717624439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110952327717624439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110952327717624439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/02/dois.html' title='Dois'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110925718367347806</id><published>2005-02-24T12:03:00.000-02:00</published><updated>2005-02-24T12:59:43.676-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Não conheço ninguém que tenha ficado rica vendendo produtos da Avon.&lt;br /&gt;Aliás não conheço ninguém que tenho pago seu aluguel com a venda porta a porta de produtos da Avon.&lt;br /&gt;Na verdade, eu duvido muito que a Avon esteja ciente que pessoas como eu e a sra. estamos andando por aí, batendo de porta em porta de apartamentos alheios carregando produtos da Avon numa bolsa da Avon. A Avon não perderia tempo em investigar isso pois: 1) o índice de pessoas que fazem isso pode até ser bem grande mas, com certeza, o número de vendas deve ser desprezível para a Avon;  2) A parte esse mico de vender de porta em porta um produto duma empresa da qual você não é funcionário, o nome Avon está sendo mencionado e isso é algum tipo de propaganda - acho. Pois bem, por muito tempo esta foi minha crença. Nós, os sacoleiros da Avon éramos clandestinos e, portanto, a empresa não sabia de nossa existência.&lt;br /&gt;Corroborava esta minha teoria o fato de o escritório onde conseguiamos os produtos, os manuais, o curso de vendas, a papelada ser num prédio bem merda no centro da cidade. Um prédio bem merda que não tinha porteiro pq mal tinha portaria. Elevador tinha e a porta era pantográfica (pra mim isso é o selo de garantia de que estamos lidando com uma empresa bem vagabunda).&lt;br /&gt;Aabel Comércios Representações de Importações Ltda....  Porque dois "as" no nome? Pra encabeçar a lista alfabética na certa. Mais uma pista são essas tiradas geniais que os empresários de merda dão quando batizam suas empresas. No terceiro andar do prédio de merda com porta pantográfica e nenhum porteiro, no fundo dum corredor de caixas da papelão com "Avon" impressas se situa uma passagem sem porta para a sala da Aabel Com Repr. Imp Ltda.&lt;br /&gt;Lá comprei meu kit: manual de produtos Avon Cabelo, Avon Pele, Avon Pés, Avon Unhas, Avon Pescoço, Avon Tudo.&lt;br /&gt;- Fica a vontade.&lt;br /&gt;Eu sentava. Sempre tinha uma outra magricela esperando. Esperando nao sei o quê. Talvez tomando coragem pra sair dessa vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110925718367347806?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110925718367347806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110925718367347806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110925718367347806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110925718367347806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/02/no-conheo-ningum-que-tenha-ficado-rica.html' title=''/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110856406805028959</id><published>2005-02-16T12:26:00.000-02:00</published><updated>2005-02-16T12:27:48.050-02:00</updated><title type='text'>Como um Verne</title><content type='html'>No fundo do fundo da inexpugnável caverna eu encontrei o Homem-BiPolar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110856406805028959?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110856406805028959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110856406805028959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110856406805028959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110856406805028959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/02/como-um-verne.html' title='Como um Verne'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110708367584332517</id><published>2005-01-30T08:40:00.000-02:00</published><updated>2005-01-30T12:06:50.303-02:00</updated><title type='text'>Tudo bem</title><content type='html'>E sendo assim sentia-se muito adolescente e muito velho.&lt;br /&gt;"Não se faz uma surpresa pedindo autorização ao foco da surpresa."&lt;br /&gt;Assim como, não existe meia-surpresa e intenção não é ato.&lt;br /&gt;A história que poderia ser ficou trancada na cabeça e virou mais uma manhã de banho quente. Mais uma manhã sem a mão dela onde dói: nas costas, nos braços e no coração. E sem a boca pequena onde sai o chateado ar. Trocou isso por aquilo. Trocou a aventura por um dia quase igual ao de ontem. Ele não se entende. Mais uma vítima da meia-loucura... do meio-ato.&lt;br /&gt;Nariz trancado e tempo chuvoso. Então, diante da bagunça que havia aprontado fez a única coisa que se faz quando se está de muxoxo: pensar. Pensando, pensou deitado. Deitando, dormiu.&lt;br /&gt;Dormindo, assistiu um filme azul. Aquele olho claro em close dominava a cena - devia ser esverdeado, estava azul claro. Viu tudo e cada detalhe. A câmera se afastou de um jeito engraçado e ele não percebeu mas via agora o rosto do olho que era o dela. Não era desconcertante e dava muito prazer assistir aquela cena. Nada mais acontecia. Nem precisava. Era o rosto dela e o contorno dos ombros. Havia ainda uma conchinha fechada no meio da claridade. Uma concha estreita e que devia ser avermelhada. Imagine uma concha de perfil. Sem as reentrâncias que são de costume. Na verdade, muito lisa. Imagine que, sem impedimento e de forma lenta e gradual, suas extremidades deslizam. As partes côncavas se alargam na reação à ação de um sorriso. As extremidades desta concha buscam o céu. Os olhos devem ser o céu pois também reagem assumindo mais brilho.&lt;br /&gt;O sorriso abre a concha e insinua as pedrinhas brancas que têm guardadas. Presta atenção. Cuida o colar de jóias que se oferece nesse momento azul. Entra na cena outro ator... O novo personagem se junta a ela e agora tudo se revela. A câmera está no mesmo lugar mas os olhos claros já estão em outro lugar. Ele chegou.&lt;br /&gt;Um som de madrugada interrompe a projeção. Apenas uma pausa. Abre o olho e só vê escuridão. Prefere ver o filme.&lt;br /&gt;Encostado, de costas com as costas do seu tio militar. É um lugar campestre. Esse momento não lhe é estranho. Já aconteceu. Já aconteceu? O sonho agora não é mais azul e não parece uma projeção. Estão todos preguiçosos no que parece uma pós-festa familiar. Fim-de-churrasco num fim-de-domingo. Seu pai aparece e lhe oferece um presente. Tome, leva essa bíblia - diz o pai, sorrindo como quem apronta. E lhe entrega um livro de bolso pra se admirar na palma da mão. É um presente - completa o tio. De casamento - prossegue, rindo. Diante da surpresa do garoto, ele diz, matreiro como sempre: "Eu já sei de tudo, meu filho." Ao folhear, lê um livro sem palavras: páginas em papel de embrulho se alternam com outras páginas claras e brilhosas . A bíblia dada é toda assim: um mini-compêndio de páginas ásperas e páginas macias, páginas pardas e páginas de prata. A cada cinco páginas de um, uma de outro. A capa da bíblia é uma trança de barbantes de juta e um laço vermelho amarra tudo e faz um nó natalino. Será natal nesse sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acorda.&lt;br /&gt;Sim. Ainda é a sua casa... De hoje.&lt;br /&gt;Levanta.&lt;br /&gt;Sim. Ainda, a mesma bagunça de trabalho e da quase-viagem quase-surpresa de ontem. Está comprovado que o tempo é linear e que atos deixam vestígios.&lt;br /&gt;Olha o computador. Espere. Houve um ato sem vestígio aparente. As passagens estão lá. Num lugar seguro. Guardadas como um fundo... O certo e garantido fundo...&lt;br /&gt;Para voltar pra sua casa. De amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110708367584332517?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110708367584332517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110708367584332517' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110708367584332517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110708367584332517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/01/tudo-bem.html' title='Tudo bem'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110557546631267734</id><published>2005-01-12T21:57:00.000-02:00</published><updated>2005-01-12T23:59:10.703-02:00</updated><title type='text'>Um mantra praquê</title><content type='html'>- Essa menina come creme demais.&lt;br /&gt;- Se empanturra de gordura.&lt;br /&gt;Se lá fora as nuvens se chocavam lentamente, lá dentro não saiam do lugar. Fora já foram. Passaram e ninguém viu. Dentro, pararam e bocejaram. Então olha o senhor de volta à leitura sofrida do seu jornal com pensamentos densos e carregados. Algo entre a inevitabilidade do não-ser e a ânsia mórbida de tomar sua própria pressão. A senhora torcia as mãos e ouvia os estalares das juntas pensando será já hora do almoço? A criança comia creme doce mentecapto com o olhar fixo no objeto da sua frágil domesticidade infanto-juvenil. A tela que espirrava alegria pronta e quentinha... rumo ao sepulcro estarrecido de ver que o tempo naquela casa já passara e era tarde demais. O mesmo tempo que cerzia uma mortalha ornada de nadas por onde todos passeavam sobre... ahn, não, boiavam... boiavam sobre a mesma mesmice sem fim daquele velho carpete. Taco ou formipiso também valem. A escolher.&lt;br /&gt;- Vai escovar esse dente menina.&lt;br /&gt;Um dente menina. Gorducho e furada. Tortinho e tristonha. Entre amarelado e turva. Uma dente bondoso e solitária. Caído a espera da queda. Sem ser de leite.&lt;br /&gt;A essa ordem vencida veio uma desobediência sem graça. À intensidade das horas, momentos e alegrias perdidas veio a profundidade de assumidos fracassos. Pra quê? Pra quê? Eles todos pareciam se perpetuar no entoar da giratória pergunta.&lt;br /&gt;Da também giratória cadeira, o menino se permitiu lucidez. Um moleque assistindo todos os modelos descartáveis de comportamento desfilando à sua frente. Que vontade de quebrar a tela. Mas seu deus de bolso lhe disse para mirar sobre a ira e assim enxergar o além dali. Uma historinha de paz que fosse muito bonita pelo mistério e pelo abraço que oferece.&lt;br /&gt;Na frente da sua história há um cortejo de janelas. Mostruário de vidas paradas que valem algo que elas mesmas não sabem, porque se soubessem não desperdiçavam tanto.&lt;br /&gt;Foi quando um problema de coluna se tornou uma linguagem. Criada por seu corpo para dar recadinhos maus. "Escoliótico, lordoso, cifótico... " Lombroso foi o triste homem que avaliou pelo corpo a dignidade do ser. Não é à toa que seu nome lembra um problema postural.&lt;br /&gt;Problema: a criança que bebe chope. A criança que fuma. A criança que virou coca (as duas). A criança que anuncia. Ainda assim uma criança. Apesar disso, criança. Para calar teu choro dão-te de presente um vício... uma manha. Na falta dele e na presença da sua choromanha lhe dão outro vício - mais atualizado.&lt;br /&gt;Logo ali, à esq. da foto, um senhor lê o jornal. O jornal fornece palavras mais do que notícias. A novela fornece vida mais do que histórias. E as palavras vão morrendo naquela casa. Engolidas com a comida e substituídas por um mantra "praquê".&lt;br /&gt;A reação não é reação. É somente prache.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o guri voltou para seu labor sedentário e para o além dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110557546631267734?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110557546631267734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110557546631267734' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110557546631267734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110557546631267734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2005/01/um-mantra-praqu.html' title='Um mantra praquê'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110342031336635401</id><published>2004-12-18T23:32:00.000-02:00</published><updated>2004-12-19T00:00:32.586-02:00</updated><title type='text'>Pedro Pedra</title><content type='html'>Pedro desejou um dia ser pedra.&lt;br /&gt;Pedro desejou com força e conseguiu.&lt;br /&gt;Pedro enfetado no chão do grande campo urbano perto do shopping atrapalhando a circulação das pessoas... sim, não era um lugar qualquer.&lt;br /&gt;Pedro, que pensava no início, foi se fechando. A mente se empedrando pensamento em pedra.&lt;br /&gt;Cerrou-se, protegido na segurança vazia da não-emoção. Um feito humano jamais conseguido? Talvez... Também, como saber? O segredo do sucesso de um pedro-pedra está em realmente ser pedra, não somente desejar, mas se TORNAR consigo e com o mundo... ainda que não feita de minérios e regras físicas rígidas de construção e desgaste mas de carne e sangue como todos nós, (ainda) não-pedras. Enfim, Pedro obteve sucesso. Desavidos esbarravam; prevenidos desviavam; e crianças subiam em suas costas.&lt;br /&gt;Fria. Que engraçado é o pensamento coletivo: basta que se olhe uma pedra para imaginá-la fria. Esta aqui era diferente mas ninguém podia sabê-lo pois não é todo dia que algúém toma a temperatura de uma coisa morta. uma coisa inútil. uma coisa inerte. pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora imagine se um dia trituram Pedro.&lt;br /&gt;Imagine se um dia enfiam-lhe uma picareta.&lt;br /&gt;Se resolvem de Pedro extrair um David.&lt;br /&gt;Alguém aí dirá "parla"? Diante do jorro de sangue evidência do vivo, diante desse david inverso, me digam, por favor, quem será o florentino filha da puta lhe dirá "parla"????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém. Tarde demais. Não se diz "parla" a uma pedra.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110342031336635401?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110342031336635401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110342031336635401' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110342031336635401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110342031336635401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/12/pedro-pedra.html' title='Pedro Pedra'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110293821828651845</id><published>2004-12-13T09:30:00.000-02:00</published><updated>2004-12-13T10:11:23.046-02:00</updated><title type='text'>O Porra Humana (the astonishing Comming Man)</title><content type='html'>"Olá, eu sou o Porra Humana. Soltem a moça ou vão se arrepender amargamente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1951.&lt;br /&gt;Estamos diante de Daniel Thomas Clearing, o fundador da recém-lançada editora de gibis de fantasia Great Commics. Sua boca está fechada (do tipo comprimida) e seus olhos estão injetados (do tipo possuídos). Como um andróide fracassado ele abaixa o leiaute à sua frente revelando a imagem do franzino e pálido...&lt;br /&gt;- Mcgee!!! Are-u-nuuuts??? Oque-é-isso?&lt;br /&gt;Estamos diante de Winston Mcgee, 27 anos, desenhista júnior e candidato a estrela dos quadrinhos de ação. Infelizmente, isso não passará de um sonho. Ele é o criador de Dickson White... O Porra Humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110293821828651845?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110293821828651845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110293821828651845' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110293821828651845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110293821828651845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/12/o-porra-humana-astonishing-comming-man.html' title='O Porra Humana (the astonishing Comming Man)'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110238454012117024</id><published>2004-12-06T23:23:00.000-02:00</published><updated>2004-12-06T23:56:25.213-02:00</updated><title type='text'>Tarso</title><content type='html'>- Amanda?&lt;br /&gt;- Isso. Eu mesma. - e ela entrou e ele sentiu cheiro de colônia e banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levou algum tempo para que Tarso entendesse que ia ficar cego. Mais precisamente o tempo que levou para que as trevas cobrissem sua cara. Havia uma questão genética talvez também questões de alimentação e um cansaço da vida. O stress da rotina dum trabalho estafante e complicado também contribuiu. É lógico. Existem casos em que se perde o fígado, o baço, em que surge um tumor cerebral, em que vem um derrame ou sucedem-se outros males como a perda degenerativa da memória, o sufocamente progressivo e a síndrome de pânico aliada a uma psicose maníaco-depressiva. Tarso teve sorte. Ele só ia ficar cego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apagar das luzes durou um mês a menos do que o especialista havia previsto. Tarso andava na cidade fingindo ver e, como já foi mencionado: ele é um sujeito de sorte. Por muito pouco não morreu. Foram os amigos quem seguraram o homem, o advertiram e abriram os olhos de Tarso (que irônica força de expressão. Enxerga Tarso: você está cego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idas e vindas de flashes de luz. Fades de imagens que depois ele descobriu... Eram resquícios da memória. Carnes próximas da sua. A barriga que respira por um umbigo que sobe e desce.&lt;br /&gt;A mão magrela e veiuda deitada sobre longos cabelos claros, louros e tão lisos que ofendiam a vista. Um cheseburguer derretendo baba de maionese e queijo chedar mais uma enxurrada de molho a espargir na força dos dentes. Olho. Parado e muito próximo. Azul. As vezes verde acinzentado e claro. Aberto e sorridente. A palma da mão clara a espera da velha brincadeira quiromantica. De frente ao espelho sorrindo sem rir para caçar o mais rápido possível a casca do feijão - objeto de constrangimento. O ponteiro da hora no cinco o do minuto no 6. Balões sem cor. O sonho da cegueira lhe parecia um videoclip de momentos testemunhados e imaginados. hmm... mais imaginados que vividos.&lt;br /&gt;A noite bastava-lhe cerrar a consciência para que as imagens viessem de assalto.&lt;br /&gt;A frustração era demais. Tão grande que Tarso não mais dormia.&lt;br /&gt;A duras penas praticava o braile. Não queria aprender. Sentia-se cego e pronto. Não queria aprender a ser cego. Já era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então as imagens passaram a ser sonhos despertos. Pois ele descobriu que não havia mais necessidade da noite já que ele tinha a graça das trevas privadas. Minifúndio no limbo. Não havia pedido por nada mas lá vinha para sua casa seu cinema particular feito por algum diretor esquizofrênico. Assim, do meio dessas lembranças, ele tirou um número (de telefone, pelo "visto"). Do fundo da cegueira, discou os numeros acomapnhando de cor o teclado. Será? E se tivesse discado errado?&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;Ele nada.&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110238454012117024?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110238454012117024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110238454012117024' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110238454012117024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110238454012117024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/12/tarso.html' title='Tarso'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110147570163095235</id><published>2004-11-26T11:25:00.000-02:00</published><updated>2004-11-26T19:13:07.713-02:00</updated><title type='text'>Andando como nosferatus</title><content type='html'>Esperei por ele toda manhã. Ele veio.&lt;br /&gt;Falou algo que era a mesma frase dita meses atrás. Nem ao menos a inflexão... Nem ao menos na voz uma mudança. Caminhamos porque era natural que decidíssemos caminhar já que tudo era déja vu. Ao tentar tomar sua mão senti uma reprimenda que me deixou um tanto confusa. Recolhi e senti... meus dedos estalaram; minha mão ficou fria.&lt;br /&gt;Foi falando um pouco mais de coisas que sempre eram (sempre foram?) sentenças incompletas interrompidas pelo ar. Tomei o ar e não havia vento, nem prenúncio de nada tempestade, portanto, o problema estava aqui.&lt;br /&gt;A cidade foi se abrindo sem escolha sem vontade. As ruas passeavam por nós como se nós é que fossemos um certo lugar. Eu reprimi um sentimento dominó porque era natural reprimí-lo. Engoli-o tipo uma pílula. Isso, desce devagar pra ser triturado pelas forças intestinas. Bateu um mal estar e resolvi olhá-lo logo. De uma vez. Por todas. De nada. Por nada. Não sei. Estava muito tranquilo mas ficou desconcertado, como de hábito.&lt;br /&gt;Ah, resolvi te olhar pq, sabe-se lá... vai que te cai uma bigorna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai que me entra uma bala perdida.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110147570163095235?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110147570163095235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110147570163095235' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110147570163095235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110147570163095235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/andando-como-nosferatus.html' title='Andando como nosferatus'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110116534580027692</id><published>2004-11-22T20:32:00.000-02:00</published><updated>2004-11-23T11:37:25.050-02:00</updated><title type='text'>O Ogro ataca</title><content type='html'>A exposição dos pintores românticos franceses teria sido um sucesso não fosse a aparição do Ogro.&lt;br /&gt;O monstro veio e tudo foi destruído. Todas as obras trucidadas em plena inaguração. Não só as obras como 80 dos 90 convidados... Trucidados.&lt;br /&gt;Du caralho o Ogro entrou, impressionante, arrebentando a clarabóia do museu, espalhando vidro pra todo lado. Muitas lascas de vidro rasgaram as roupas e as carnes das senhoras e senhores presentes. Também crianças não ficaram sem sua cota de dor.&lt;br /&gt;O Ogro afundou os pés gigantes no chão amparando o próprio corpo disforme e desgraçando o piso feito de mosaicos restaurados do Brasil Colônia. Uma jóia de mais de um 1 milhão de reais pisoteada e transformada em farelo... a prova de restauro.&lt;br /&gt;Um estrondo de canhão. Chutou a porta de vidro que separava a seção de pinturas do salão do convescote. O monstro se amarra em tudo tudo tudo que é de vidro. Ele curte quebrar tudo que pode se transformar em máquina cortante de dilacerar.&lt;br /&gt;Um braço dele quando se levanta é pra valer e pra varrer. Varrer vidas. Então o braço do Ogro varreu os guardas dali e eles foram cuspidos pra fora do museu a uma velocidade estonteante. Mais vidraças quebradas. Inclusive de carros, pois os guardinhas foram jogados para cima de veículos em movimento, sendo que um era um coletivo.&lt;br /&gt;Ogro odeia. Ogro esmaga.&lt;br /&gt;Pastel folheado, isso é um quadro, uma pessoa, qualquer coisa na boca do monstro. Ele come obras. Mete os dentes. Os dentes guincham. Parecem máquinas. Máquinas de comer o que aparecer pela frente. Os dentes mastigam enquanto os braços se ocupam de arremessar os infelizes... no finado abrigo da arte mundial. Cadeiras vitorianas transformadas em lascas velhas no ar, sem o menor valor cultural.&lt;br /&gt;Separam-se corpos de cabeças. É muito diferente do que se vê nos filmes. É menos agressivo pq parece mais fácil. A vida humana é frágil demais para a pirotecnia do cinema. Um corpo quando morre é dramático porque ele fica parado não pelo sofrimento em si. Como pode num instante o que é vivo e cheio ficar bruto e vazio?&lt;br /&gt;Bom, um ogro tem em média 4 metros. Nosso amigo tem o dobro da altura e braços e pernas mais grossos que um homem gordo. Cada movimento desses membros, uma porrada nas nobres paredes do átrio central abalando seriamente as estruturas e fazendo com que colunas de mármore e lajes de concreto virem uma arapuca de esmagar gente.&lt;br /&gt;James estava lá.&lt;br /&gt;Filmou tudo com sua mini-dv. A uma distância minimamente segura, se é que pode existir isso num espaço de chacina. De amanhã em diante, suas cenas percorrerão o mundo e farão a fortuna de seu produtor. A neblina espessa de pó fará parte dessa produção caseira. Um efeito visual emocionante. E os lamentos dos sobreviventes, a trilha incidental.&lt;br /&gt;45 minutos de pavor. Daí, o silêncio.&lt;br /&gt;O Ogro não estava mais lá. Não tão espetacular foi sua saída e, no entanto, foi só baixar a poeira, pra ver o rastro pesado da criatura que seguiu destruindo também outras alas.&lt;br /&gt;James desligou a câmera. Colocou-a dentro da bolsa e parou pra analisar o estrago.&lt;br /&gt;Arte, vidas e arquitetura reviradas num caldo de sangue, pó e... vidro.&lt;br /&gt;Vidro enfiado em carnes. Carnes reais e carnes pintadas. Crânios perfurados por quinas de molduras do século XVIII e colunas gregas falsificadas deitadas sobre duzias de mortos. Essas misturas estavam formando uma nova tela. Os elementos caóticos sempre formam um novo padrão. James ficou olhando. Meio hipnotizado. Excitado. O jovem estudante de medicina olhou. E então... Viu. Estacado de pé, congelado no tempo, apanhou vagarosamente sua câmera e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Registrou aquela obra.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110116534580027692?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110116534580027692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110116534580027692' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110116534580027692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110116534580027692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/o-ogro-ataca.html' title='O Ogro ataca'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110114144555861897</id><published>2004-11-22T14:24:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T22:52:28.190-02:00</updated><title type='text'>Espanque o miserável</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não se espante se um dia vc tentar sair de sua casa e não conseguir.&lt;br /&gt;Vc vai tentar lembrar onde colocou a chave da porta mas não vai achá-la. No início pode ser q você sinta graça mas vai parar de rir rapidinho quando tentar chamar a pessoa que mora contigo (esposa, marido, namorada(o), filho(a), amigo(a)) e descobrir que não tem o telefone dela e nem sabe mais de cor. Neste segundo momento ainda achará apenas inusitado. Tragicômico. Dando de ombros vai pensar que foi até bom ter perdido a chave. Crerá na coisa do destino ou num impulso inconsciente, já que você tem trabalhado demais e merece, se não umas boas férias, ao menos, um dia de vadiagem. De qualquer forma, vai esperar a ligação do pessoal do escritório... mas isso também não vai acontecer. Que estranho, né?&lt;br /&gt;Deitará mas não irá dormir.&lt;br /&gt;Levanta então e vai fazer uma nova procura pela chave.&lt;br /&gt;Já perdeu a manhã e agora perderá o resto do dia... será? sim!!!&lt;br /&gt;É claro que vc não vai achar sua chave. Vai achar várias coisas que estavam perdidas há muito tempo. Ironicamente, achará até a chave anterior... aquela que vc tinha dado como perdida na rua e que te forçou a fazer uma nova fechadura (a chave atual que desapareceu). Miséria.&lt;br /&gt;Vai para a sala porque cansou de andar para um lado e para o outro do apartamento.&lt;br /&gt;Vai ligar a tv. Não vai ver nada... nada além das barras verticais coloridas e duma música de consultório.&lt;br /&gt;Está será sua programação para os próximos dias e meses - em todos os canais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interfone - que já não funcionava direito antes - prossegue em inutilidade.&lt;br /&gt;A janela tem trancas. Vc lembra disso? Pois tem. Elas têm trancas cujas chaves vc também perdeu - se é que algum dia vc as teve.&lt;br /&gt;Não se espante também quando for ouvir o rádio. A única estação será a rádio relógio. "Ao menos", vc se conforta," saberei as horas..."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Saberá. Sim saberá cada hora, cada minuto, cada segundo em que estiver trancado em sua própria casa. Sozinho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já o terceiro dia será de puro desespero. Ninguém voltou pra casa. Ninguém te ligou e vc não consegue ligar para ninguém. O comp continua sem conexão com a internet. A TV ainda está com 24 h de color bar e música de consultório. A rádio relógio ainda é sua única comunicação com o mundo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vc se observará no espelho esperando que sua boca dê a resposta. Não.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A geladeira tem provisões para 3 meses, vc acha, mas tudo que vc tem é um pote de maionese helman's da pessoa que dividia esse espaço contigo. Também uma garrafa de coca-cola. O pão de forma mofou. E o pacote de água e sal já está pela metade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ouvir um dos seus cds seria bom mas vc descobre que seu aparelho está com defeito. O único cd que ele aceita é dum curso de inglês easy learning da pessoa que dividia esse espaço contigo. Para variar dos informes pontuais da rádio relógio vc vai se contentando com esse cd e acaba percebendo uma música ao fundo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não se espante também quando gritar como um alucinado dentro de sua casa e depois se descobrir de volta ao absurdo silêncio. As crianças do play não brincam, nem fazem mais barulho. Faz muitos meses que vc não ouve os murmúrios, brigas e discos horrorosos dos seus vizinhos. Vc está só no prédio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desesperado e esfomeado. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;11 meses se passaram. Vc não tem mais forças para se exercitar e queimar as calorias acumuladas da maionese estragada e da coca choca que vc se obrigou a consumir. Até mesmo a pasta de dente já lhe serviu de comida. Admita sua morte.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A memória falha. Vc nem lembra mais como são seus parentes... seus amigos... vc tem amigos? vc já teve amigos? Ninguém deu por sua falta e vc sempre os tratou bem, não tratou? Acoca-cola agora é um traço escuro no fundo do copo. Seus dentes doem. Suas gengivas sangram. Um dia vc já teve dentista. Será natal? Será ano-novo? Será seu aniversário? Que diferença faz. Todos os dias são de silêncio. A lâmpada dos três cômodos queimaram e vc não tem uma de reserva. Vc ainda sabe trocar uma lâmpada? A esta pergunta vem uma imagem como há muito tempo não vinha. Um sonho desperto... Vc lembra de algo que viu em algum lugar e entende que foi da tv - o reino obtuso dos color bars. Era uma comédia pois vc ria. Há quanto tempo vc não ri. Rindo agora... Que engraçado... Vc está tendo uma ereção ou algo que lateja forte no baixo ventre. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não se espante. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Após o desespero que te levou a revirar a casa toda e transformá-la numa selva, vc atravessa os dias dormindo. Em estado de profundo cansaço, melhor, profunda má vontade. Deixa sua mente se isolar para se lembrar dum tempo em que vc era limpo. A água do chuveiro continua firme porém não tão forte. A coloração é escura e ferruginosa mas... que opção vc tem?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois bem... Não se espante quando o sol bater no seu rosto estatelado no chão há dias demais para que sua cabeça consiga perceber quanto tempo se passou... e este mesmo sol te trouxer uma imagem bípede ereta a te esperar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não se espante, a imagem ainda estará em formação. Vc se levantará e ela lhe dará: PA-RA-BENS. Vc se descobrirá astro dum show. Saberá das câmeras em cada cômodo da sua casa. Verá sua imagem no video-tape vendo em replay teu sofrimento. O apresentador diz isso tudo sorrindo e lhe dá um cheque gigante. Mostra-lhe a porta onde estão seus amigos e parentes e diz que vc é um sucesso. Muito bem. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vc sabe o que deve ser feito. É isso. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Espanque o miserável.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110114144555861897?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110114144555861897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110114144555861897' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110114144555861897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110114144555861897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/espanque-o-miservel.html' title='Espanque o miserável'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110113754110679448</id><published>2004-11-22T13:51:00.000-02:00</published><updated>2004-11-27T01:27:04.800-02:00</updated><title type='text'>Em Busca do Ouro</title><content type='html'>Eu nasci pelo cu.&lt;br /&gt;Já nasci fudido. Cagado e cuspido.&lt;br /&gt;Mandei se fuder meu vizinho por causa da porra da obra que ele tá fazendo a 4 meses. Quatro meses!!! Sabe lá o que é isso? Furos no tímpano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas nascem de parto normal. Pessoas nascem de cesariana. Eu não. Eu nasci cagado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manchete: "Quebrou a janela do quarto arremessando uma cadeira giratória." Não. Comprida demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pistão. Comprei um pistão pra tocar de madrugada. Minha guerra pessoal.&lt;br /&gt;Depois veio a picareta. Arrebentei o teto da casa daquele sujeito ordinário meu vizinho.&lt;br /&gt;Proibem as pessoas de comprar armas. As armas somos nós. Dê-me um clips e te dou 50 motivos para proibir o livre comércio desta desgraça nas lojas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio destruindo tudo. Quer saber? Vou cavar um buraco. Do rombo no chão da sala - teto da sala, na visão do vizinho - os operários da obra podem assistir meu espetáculo. É minha propriedade, destruo ela do jeito que eu quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por baixo das paredes existem canos. Nestes canos passam águas. Arrebente a parede com a picareta até achar os canos e fure-os. Veja o que acontece. Espirrarão muitas águas. Uma hemorragia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interfone não pára de tocar. Do grande vão do prédio vem os gritos.&lt;br /&gt;A picareta é o maior intrumento na luta do homem por sua dignidade.&lt;br /&gt;Minha intenção é explorar esta caverna até achar ouro ou petróleo...&lt;br /&gt;Eu sou um desbravador... Um artesão de cus...&lt;br /&gt;...E quem tiver na frente que se foda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110113754110679448?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110113754110679448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110113754110679448' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110113754110679448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110113754110679448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/em-busca-do-ouro.html' title='Em Busca do Ouro'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110113912485041326</id><published>2004-11-22T13:45:00.000-02:00</published><updated>2004-11-27T01:26:26.313-02:00</updated><title type='text'>Debate no Congresso Bilíngue</title><content type='html'>Levantou o dedo pra pedir a vez pra falar.&lt;br /&gt;Não sendo dada considerou-se obviamente ignorada.&lt;br /&gt;Era só mais um congresso bilingüe (português-alemão). Não pensou duas vezes. Expôs sua discordância com um arremesso de salto alto. Fincou na cara do segurança. Infelizmente não atingiu a mesa. Algazarra é confusão, mas as pessoas ignoram as palavras antigas. Elas acabam caindo em desuso por pura preguiça e preconceito. Isso faz com que nse usem cada vez mais palavras usuais nos textos. A pobreza em nosso vocabulário vem de posturas como essa. Ou passamos a usar nossas palavras mais ricas e mal aproveitadas ou iremos todos comer capim.&lt;br /&gt;Agarram-na pra retirar do recinto. Tudo voltou a paz de antes. Os conselheiros aproveitaram para rememorar aos ouvintes as regras para participar da palestra: todas as perguntas têm de ser escritas nos papéis entregues previamente pelas moças de creme. Quem não tivesse os papéis que ficasse calado ou que se contentasse em ser ignorado. Educação é disciplina. Disciplina e moderação. O mundo de hoje tá essa zona por que as pessoas não sabem se moderar.&lt;br /&gt;Lá fora a puta gritava.&lt;br /&gt;Na apresentação com o powerpoint o laptop travou exigindo a sua reinicialização. No processo de boot, porém, o palestrante se enrolou com a senha de acesso ao Word ("quem criou essa porra?") e ficou impossibilitado de expor as próximas 20 telas que ele ficou a madrugada toda montada com auxílio de seu primo designer. Humilhação. Algum burburinho na platéia contagiou a galera ouvinte e a platéia que antes tava muda soltou gargalhadas. O palestrante ficou tão constrangido, tão nervoso que teve uma convulsão e vomitou no palco. Amparado pelas moças de creme foi levado para fora. Terno de linho escuro todo fedendo a bile. No impulso incontrolável do vômito derrubou o laptop maçãzinha no chão. Não se sabe se por acidente ou vingança.&lt;br /&gt;Palavras de ódio foram proferidas pelo alemão empresário. Ninguém entendeu. Foi o momento de maior introspecção.&lt;br /&gt;A palavra foi devolvida ao mediador da mesa que não estava nervoso até avistar na platéia a pessoa que mais odiava neste mundo. Levantou-se na mesma hora e gritou para ele se pusesse para fora do recinto. Enquanto a segurança saia da imobilidade, ainda pudemos curtir a troca de xingamentos. Seu filhadaputa!!!&lt;br /&gt;Nessas horas sempre tem um hipócrita que desliga o microfone. Grandes merdas. Como hapenning fica mais expressivo pois a pessoa profere seus xingamentos a capela sem o efeito estereofonico. É um show que põe a prova a eficiência acústica do local.&lt;br /&gt;Um sucesso. Saímos da palestra. Foi servido um buffett. A platéia sem cerimônia comia tudo reclamando muito do evento é óbvio e também da comida.&lt;br /&gt;Não tendo mais o que fazer, voltei pra minha casa, tomei banho, escovei o dente, liguei o comp e escrevi esse texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110113912485041326?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110113912485041326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110113912485041326' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110113912485041326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110113912485041326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/debate-no-congresso-bilngue.html' title='Debate no Congresso Bilíngue'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110090734616900924</id><published>2004-11-19T21:35:00.000-02:00</published><updated>2004-11-20T10:16:48.450-02:00</updated><title type='text'>O Incrível Homem-Fêmea</title><content type='html'>Pedro Prado e seu nome ridículo foram picados por uma mulher radioativa.&lt;br /&gt;No quadrinho principal vc vê a mulher nua de peitos duros balançando violentamente (as linhas de movimento salientam esta situação). Ela emana um brilho amarelo. A classe de jovens olha atarantada na sala científica. Pedro Prado e seu nome idiota estão no caminho da mulher radioativa (dum balão de pensamento vc pode ler: "Céus! Aquela louca... Vem em minha direção!").&lt;br /&gt;Na página seguinte vemos a mulher se atirar sobre Pedro e morder-lhe a testa. O quadro seguinte é uma verdadeira marca desse artista singular dos quadrinhos. O mundo roda numa espiral preta sobre fundo violeta, no cantp esquerdo está a cabeça gritante do jovem que parece girar. No centro da espiral (vejam só que maravilha) está uma boca carnuda de mulher. Ele pode não desenhar bem mas eu acho foda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem acorda no hospital cercado por seus familiares e amigos de faculdade. "Vc está bem?"&lt;br /&gt;Esteve em estado de coma profunda por duas semanas e agora acorda como se nada tivesse acontecido. "O q houve?" - pergunta o pós-convalescente - " Me sinto ó-ti-mo." Esta ênfase no ótimo chama a atenção do grupo. Mas as transformações, como veremos nas páginas a seguir, foram beeem mais profundas que isso. Prossiga, caro leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uma das cientistas do instituto de pesquisas enlouqueceu após ficar exposta acidentalmente a um raio brainiac. Felizmente, ela foi abatida por um guarda antes que picasse outros pobres inocentes."&lt;br /&gt;"Vcs... a... mataram????" - Pedro diz com seus olhos cintilando...&lt;br /&gt;"Mas... claro. Tratava-se de uma louca radioativa."&lt;br /&gt;O quadrinho se abre para uma tomada geral... dramática... Pedro Prado chora copiosamente. Mas primeiro um choro contido, interno e sentido frgamentado em uma sequência sublime de closes em quatro retângulos estreitos, temrinando com o quadro grande onde o jovem desaba em prantos molhando a colcha da cama e abraçando sua mãe: "pq o mundo dos homens têm q ser tão covarde? não bastava simplesmente vcs tentarem desacordá-la?" Pedro emenda com um grito indignado e feroz: "Criminosos criminosos criminosos."&lt;br /&gt;Todos ficam atarantados...&lt;br /&gt;Pedro Prado ainda não sabe. Mas, naquele episódio nefasto, assumiu incríveis poderes que vão mudar sua vida e presentear o mundo com o mais improvável herói já criado pela indústria do entretenimento: o Homem-Fêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a poucos dias, ele passaria a viver incríveis aventuras defendo a humanidade contra a insensibilidade e a falta de objetividade dos homens. Mas também conheceria a paixão ao se defrontar com sua maior inimiga: a ardilosa She-Woman, a Mulher de Aço.&lt;br /&gt;E é assim, amiguinhos, que vemos nosso Homem-Fêmea agarrado à Mulher de Aço e dando a ela uma pequena lição de feminilidade ereta mas... o q é aquilo na mão da vilã??? Putz... Por essa ele não esperava. Cuidado Homem-Fêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom... É isso aí... Aguardem o próximo episódio do incrível Homem-Fêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110090734616900924?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110090734616900924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110090734616900924' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110090734616900924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110090734616900924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/o-incrvel-homem-fmea.html' title='O Incrível Homem-Fêmea'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110088707657311672</id><published>2004-11-19T15:20:00.000-02:00</published><updated>2004-11-27T01:25:29.066-02:00</updated><title type='text'>Caixa Preta em Tempo Real</title><content type='html'>Daqui t ouço.&lt;br /&gt;Daí me vês.&lt;br /&gt;Daqui pergunto.&lt;br /&gt;Daí respondes.&lt;br /&gt;Daqui t toco.&lt;br /&gt;Daí me 'tambéns'.&lt;br /&gt;Daqui me apresso e pego um trânsito. Dos diabos. Putz. Enfrento a barra de Copa ao meio-dia pra voltar pra fresta quadrada onde me arrasto e espero por t.&lt;br /&gt;Daí c chega e pergunta o tempo que eu nunca sei se está bom.&lt;br /&gt;Daqui me esquivo dos diretores e dos guardas da prisão. Eles rondam tossindo a noite inteira com problemas de pressão. Pressão. Fui flagrado olhando pela fresta, fudeu...&lt;br /&gt;Daí me escreves. E trazes os saquinhos de chá pra tomarmos assim, ó... mó.&lt;br /&gt;Daqui aguardo ansioso a próxima visita. É meu querido banho de sol no pátio.&lt;br /&gt;Daí me trazes a lima dentro do bolo. Olhas prum lado e pro outro e t vai... d volta.&lt;br /&gt;Daqui eu desgasto a grade. A boa e velha grade d todo dia. Eu tiro dela mais metal que sangue das minhas mãos. Quero esta puta bem fina. Escondo o pó dentro dos sacos de mó guardados no armário.&lt;br /&gt;Daqui eu fujo.&lt;br /&gt;E daqui eu chego aí.&lt;br /&gt;E daí... a história é outra.&lt;br /&gt;Bom, daí já não sei mais. Té amanhã. T. chau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110088707657311672?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110088707657311672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110088707657311672' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110088707657311672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110088707657311672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/caixa-preta-em-tempo-real.html' title='Caixa Preta em Tempo Real'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110027979849151685</id><published>2004-11-12T15:07:00.000-02:00</published><updated>2004-11-19T16:28:52.650-02:00</updated><title type='text'>Pequeno Histórico de Meus Problemas Mentais</title><content type='html'>Acho que eu tenho inveja, doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os diplomas todos palmilhando a parede indo juntos quase até o teto. Vai se fuder. Ninguém pode ter tanta formação assim. Os doutores se levantam. Os doutores andam. Os doutores apertam-se as mãos cirurgiãs.&lt;br /&gt;Sou matéria. 10 graus abaixo na hierarquia do consultório. O orifício de entrada do bastão metálico no rêgo da bunda que senta na sala de espera é a base dum corpo no meio de ouvidos com asas voando ao som de Ray Connif e Kenny G. É por isso que meu nome é paciente. Pq eu espero.&lt;br /&gt;Vamos ver quem é o paciente agora.&lt;br /&gt;Encachaço essa porra pontiaguda em suas costas quando ele se levanta pra mostrar um relato de caso semelhante ao meu na página 55 de seu livro profilático preferido. O doutor de branco passa a vermelho_ vermelho que vai virando um continente_ continente de mapa que lembra muito a finada uniao soviética_ uniao soviética que agora se fudeu em coca-cola.&lt;br /&gt;O doutor me pergunta porque o doutor me pergunta porque mas eu não sei dizer. Eu não sou médico e desconheço ainda o mal de que padeço.&lt;br /&gt;Lhe puxo pela gola branca batomzada de sangue e sou eu quem pergunta: "Porquê?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110027979849151685?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110027979849151685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110027979849151685' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110027979849151685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110027979849151685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/pequeno-histrico-de-meus-problemas.html' title='Pequeno Histórico de Meus Problemas Mentais'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110026521519973058</id><published>2004-11-12T11:01:00.000-02:00</published><updated>2004-11-12T15:06:42.130-02:00</updated><title type='text'>Máquina de Sexo Satânico</title><content type='html'>Acionada faz um ronco. O ronco cresce. É alto e preenche o quarto.&lt;br /&gt;Comprei. Podem criticar. Podem dizer vcs seus pulhas que eu sou uma pessoa carente.&lt;br /&gt;Do meu dinheiro cuido eu. Décimo-terceiro está aí pra isso.&lt;br /&gt;Acionada, a louca me puxa e me agarra pelas costas.&lt;br /&gt;Desgraçada.&lt;br /&gt;A desgraçada é minha desgraça. Me puxa. Vejo essa cena mil vezes. Ela grava em um formato novo de video seus movimentos macabros e injeta as imagens em velocidade animal dentro do meu cerebelo. Tu te reteza quando ela entra em ti. A figura é ilustrada no manual. Page 6-1. É tudo imagem... Por enqunato. Depois ela acaba contigo.&lt;br /&gt;A máquina. A verdade é que ela foi proibida. A tecnologia foi longe demais desta vez.&lt;br /&gt;Atômica. Ela arrasa. Ela mata. Penetra. Gozas com ela. Gozas nela. Te puxa. Ela repete a cena quando sente que aquilo te excita. É filhadaputa. Repete e repete e daí faz outra coisa. A onda dela é a seguinte: te cercar de sexo aderente sangue-suga. Ela te chupa.&lt;br /&gt;São seis braços que te puxam. E se parecem duros tentáculos metálicos, não são. São macios e quentes. Seis braços como os de Shiva. Então é por isso, descubro, este é o modelo Shivademon 600. Uma vagina para cada extremidade do seu corpo. Pênis em outros cantos. É para matar gregos e troianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(outra hora, continuo, chega... encheu...)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110026521519973058?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110026521519973058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110026521519973058' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110026521519973058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110026521519973058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/mquina-de-sexo-satnico.html' title='Máquina de Sexo Satânico'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110026426988295195</id><published>2004-11-12T10:56:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T16:17:54.070-02:00</updated><title type='text'>A Lista da Agenda Preta</title><content type='html'>Comprar um carro blindado.&lt;br /&gt;Pintar as grades da casa.&lt;br /&gt;Entrevistar o segurança.&lt;br /&gt;Ligar para a operadora.&lt;br /&gt;Xingar a telefonista.&lt;br /&gt;Trocar de celular.&lt;br /&gt;Beijar Maria na testa.&lt;br /&gt;Beth. Beth. Beth.&lt;br /&gt;Devolver a arma ao governo.&lt;br /&gt;Pegar Beth no Centro.&lt;br /&gt;Levá-la praquele lugar.&lt;br /&gt;Comê-la imediatamente.&lt;br /&gt;Comprar um gift pra Maria.&lt;br /&gt;Deixar os kids com Maria.&lt;br /&gt;Enchê-la de gadgets.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beth. Beth. Beth.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110026426988295195?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110026426988295195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110026426988295195' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110026426988295195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110026426988295195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/lista-da-agenda-preta.html' title='A Lista da Agenda Preta'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110011936163443484</id><published>2004-11-10T17:53:00.000-02:00</published><updated>2004-11-10T21:06:50.026-02:00</updated><title type='text'>Peter Sellers Blues</title><content type='html'>Ga-iaaaa-to.&lt;br /&gt;Assim ele era. Assim ele ééé. Inconspícuo (existe isso?). Não não não. Ra-ra-ra. Siniiiiiistro. Os de alma preguiçosa, ih, esses são os que se movem mais. Vaivendo.&lt;br /&gt;Trapalhão. Sorrindo sem jeito. Amarelo e acanhado. E sempre, sempre, sempre... Atrasado.&lt;br /&gt;Eis o que sempre é o último a chegar na festa. Lembra, mina, lembra? Chegou depois que terminou o show. Mas ele tenta, ele tenta... Ele tenta, viu?. Não há dúvida.&lt;br /&gt;O rapaz até q é... es-for-ça-do. É mole?&lt;br /&gt;Disfaaaarça... Ele fez de novo. Perto dela meteu os pés pelas mãos. Falou bobagem. Não ria ainda. Ele é assim mesmo... Um sujeito enrolaaado...&lt;br /&gt;E ela?&lt;br /&gt;Ga-iaaa-ta. Fez troça e disse um trocadilho que o deixou no ar. Máaaa. Ela é máaaa... Mó pilha. Mó. Mó. Mó. Ei, espera. Não vá ainda. Veja só o q foi q fez nosso herói depois.&lt;br /&gt;Ela sorri dele, ele pisa e solavanca... bate com a testa na parede. Siiim. Acredite. Ele existe e está aí do teu lado.&lt;br /&gt;Ela ri enquanto ele pega o ônibus errado. Divaaaga. Só descobre o mico quando já está do outro lado da cidade.&lt;br /&gt;Q puxa. Um mix?... de Charlie Brown com Petter Sellers... Mister Bean de Jesus Cristo... Harold Lloyd com Cantinflas... Didi Mocó com vestes grunges, chinelão ou até descalço.&lt;br /&gt;Descalço... quer mostrar sua firmeza e o amor à natureza mas, ai... no parque, arranca risos pisando em matinhos assassinos que espetam... Beeem malvados. Caraca. Viiixe. Aíii...&lt;br /&gt;Cada plano seu é uma confa onde se enrola, enrola os outros, não dorme nem deixa os outros dormirem, acorda pessoas na madruga pra dizer q tah fudido e apaixonado.&lt;br /&gt;Figuuura.&lt;br /&gt;Ouve a música e pira. Na hora de beijar a guria, erra o alvo e acerta sua narina mas taria valendo se virasse um pouquinho mais pro lado. Chapado.&lt;br /&gt;E ela???&lt;br /&gt;Desconfia. Ela tem o dom do tempo. Sentiu a tentativa mas respeita o sinal e quer mostrar pra ele um caminho menos, bem menos, amargo.&lt;br /&gt;Ele? Hmf... Não enxerga nada, se joga na cama, espalha bilhetes pela casa... foge pra rua. Sim. Pra dar um tempo dela ler qndo chegar... dele voltar e ouvir o veredicto... o tão temido re-sul-ta-do.&lt;br /&gt;Ela?&lt;br /&gt;Vai pro trabaaaalho. Estressada em pressa. Sem saber de nada. Mil problemas na cabeça. Veja só. Ele sai também. Muito depois. Vai para a rua. Vai para a praça. Pára por lá e se molha. Começa a chuva. É... Deus escreve sua comédia em linhas tortas e adivinhe quem é o azarado? É. Toooodo molhaaaado. De saco cheio. Volta pra casa em passo lento e pensativo. Rum-rum. Siiim. Preeeste atenção. Pq, demorado e melado... volta pro prédio. Se perde em chaves mas abre a porta enfim, escuta a porta assim (com a mão no ouvido como um cartum de Tex Avery - o rei o rei) e imagina histórias... sim. Entra na casa... iiih. Está furtivo. Assim como um cão ladrão q desconfia q vai levar uma coça do seu senhorio. Nada. Silêncio. Apê vazio. Ela ainda está no trabalho.&lt;br /&gt;Ra-ra-ra&lt;br /&gt;Se senta com&lt;br /&gt;Cara de bobo bom&lt;br /&gt;Não sabe se&lt;br /&gt;ri ou se chora e&lt;br /&gt;Na dúvida vai dormir&lt;br /&gt;deixando as&lt;br /&gt;cartas na mesa ih!&lt;br /&gt;Não dorme.&lt;br /&gt;Só pensa nas&lt;br /&gt;Possibilidades&lt;br /&gt;Dúvidas&lt;br /&gt;Problemas&lt;br /&gt;E&lt;br /&gt;Ouve a chave&lt;br /&gt;A porta. As cartas.&lt;br /&gt;É ela. O peito dispara e ele diz: "pára" (foi mal o trocadilho).&lt;br /&gt;Ele sai do quarto. Ela entra na sala. É simultâneo. Se encaram em susto.&lt;br /&gt;Ela: "Tudo bem?"&lt;br /&gt;Ele: "Tuuudo bem."&lt;br /&gt;De novo.&lt;br /&gt;Ela: "Tudo bem?"&lt;br /&gt;Ele: "Tuuudo bem."&lt;br /&gt;Ela se vira e tranca a porta. Ele estatela em pé, avista as cartas em cima da mesa. Mó mico. Mó ga-ia-to. Mó mó mó.&lt;br /&gt;Ela (branca): "Tá tudo bem?"&lt;br /&gt;Ele (pardo): "Tuuudo bem."&lt;br /&gt;Ela se rende e vai tirar da secretária os seus recados.&lt;br /&gt;Ele? Apanha as cartas. Num impulso troncho e covarde as esconde no bolso da calça qual um flagrante que se esconde do PM.&lt;br /&gt;Ela? Olha pra ele e dá de ombros. Nem vê bilhete qualquer. Como se diz no Rio: "o flagrante foi malocado".&lt;br /&gt;Ele? Olha pra ela e baixa os ombros. Fica calado.&lt;br /&gt;Ah Peter Sellers.&lt;br /&gt;Ah Oscarito.&lt;br /&gt;És mesmo um sofrido sujeito engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saem para comer. Ela falando. Ele calado. Ela encontra amigos e ele engole a língua. Bah. Ela animada. E ele? E ele nada. Perdeu playboy perdeu.&lt;br /&gt;Mas amanhã, ele pensa: "eu tento de novo". Capaaaz.&lt;br /&gt;Perdeu de novo. Ela veio e mostrou o jeito certo.&lt;br /&gt;Ele? Cara de bobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Êita incorrigível sujeito engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110011936163443484?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110011936163443484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110011936163443484' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110011936163443484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110011936163443484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/peter-sellers-blues.html' title='Peter Sellers Blues'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-110001026564442781</id><published>2004-11-09T11:47:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T19:35:13.316-02:00</updated><title type='text'>Adeus ao Mundo Superior</title><content type='html'>Bem-vindo ao Mundo Superior - me diz a asa.&lt;br /&gt;Azul em cima, branco em baixo.&lt;br /&gt;Um gigantesco mundo de algodão. A asa recortada em luz por sombras roxas de si mesma. Brilhantissimo quadro de luz que ofende o olhar e deixa a íris turva.&lt;br /&gt;Eu e mais 100 no avião.&lt;br /&gt;As formações de nuvens se espraiando que nem um mar virando areia e virando montanhas enormes nem um pouco ameaçadoras. Convidativas até, pq não? Convidativas chamam pra habitar onde ali a população é zero. Se eu caisse... imaginei que meu corpo quicaria no fofo umas 7 ou 8 vezes até poder ficar de pé e andar. Eis o Mundo Superior que avisto lá embaixo.&lt;br /&gt;Vai tomar no cu eu e todo o resto se esse mundo de agora não é o mesmo de milênios atrás.&lt;br /&gt;Uma cultura baseada no lento. Deslizante... Caramujos albinos... E o azul.&lt;br /&gt;A asa se oferece em sacrifício. Pq quer assim. Se parte e é lindo. Em câmera lenta para mim. Ela se parte e é assim: meus olhos marejam; rodopia e se eleva a barbatana de metal maravilha iluminada pelo sol, cintilando tudo, alternando brilhos. Rodopia e vai... Para o alto e logo para baixo... do avião se despede e segue em outra direção. As nuvens fofas nos aguardam tênues e pacientes. O sofá de deslizantes massas aguarda a entrada do pequeno abrigo metálico que desce. Dentro, nem me ouço e nem os ouço também.&lt;br /&gt;Risos e preces. Bocas abertas. Borracha e fibra. A maravilha da tecnologia. A desesperança recompensada com a morte convergente. Eu e uma capa da Carta Capital. Eu e meu fone de ouvido. Eu e a máscara que desce. Eu e uma turbina pendente. Eu e o copo do suco de manga light caindo em meu colo. O etéreo som de um rock muito sujo e lento no ouvido. Descida. Se acelera o andamento em atraso com a realidade. O som que ouço será da música? Será de fora? A asa partida se despede. Longe longe, é engolida por nuvens. Só eu vi essa cena? Só eu?&lt;br /&gt;O avião rodopia. É sua parte na dança.&lt;br /&gt;Rodopia mas entao acha um prumo reto e vai. Me vejo de fora. Me vejo distante. Assistindo o silencioso encontro do avião com as nuvens do céu. Penetra. Não quica. Lá dentro, uma pintura de Pollock. Indiscernível mundo de sons e imagens. Gente e teconologia aeronáutica jogadas selvagemente sobre uma tela de pânico improviso.&lt;br /&gt;Lá fora... As entranhas do Mundo Superior. Camadas e camadas de cinza. O rugido. A casa trrrreme. O mmmmunnndo trrrrrremmmmme. Tttttttudo trrreme nas entrrrranhas trrreme.&lt;br /&gt;Estamos sob o mar ou sobre a rocha? Ouço eixos que se partem. Coisas que se partem. Não as vejo. Mas sei que se partem. Não as vejo pois só tem um imenso quadro de Pollock à minha frente.&lt;br /&gt;Existem crianças aqui dentro. Algumas não choram mais.&lt;br /&gt;Existem velhos espalhados pelo chão. Já existem corpos que brincam de pular do chão para o teto, do teto para o chão. Me sinto alheio. Me sinto assim, ó, com a loucura. Me enterneço com marido e esposa mortos abraçados esmagados entre poltronas suicidas.&lt;br /&gt;Meu assento é um lar. É um ninho.&lt;br /&gt;Vuchhhhhhhhhhhh. Me enterneço. O rugido é ainda mais alto e trovejoso, tudo em crescimento, o mundo corre, minha cabeça atirada pra trás, quebra-me ao estalar meu pescoço quebra-me ao tudo não morro e não me deixo morrer sem antes ver minha ultima visão que é um som com forma&lt;br /&gt;matéria pura matéria pura&lt;br /&gt;explode água lá na frente em gélido gozo oceânico&lt;br /&gt;invasão de mar_ de bolhas_ de tripulação&lt;br /&gt;mecanismos&lt;br /&gt;a água encontra seu lugar&lt;br /&gt;bóiam corpos alguns gordos alguns magros&lt;br /&gt;corpos de ternos&lt;br /&gt;manchados de sangues deles e de outros&lt;br /&gt;poltronas antes tão firmes se tornam brinquedos de partir&lt;br /&gt;cenografia exclusiva de filme de monstro japonês&lt;br /&gt;minha vista fica turva novamente&lt;br /&gt;escurece em água&lt;br /&gt;se acoberta em frio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-vindo ao Mundo Inferior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-110001026564442781?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/110001026564442781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=110001026564442781' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110001026564442781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/110001026564442781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/adeus-ao-mundo-superior.html' title='Adeus ao Mundo Superior'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-109970750253836621</id><published>2004-11-06T01:13:00.000-02:00</published><updated>2004-11-09T13:46:09.443-02:00</updated><title type='text'>Assim...</title><content type='html'>Sentado sobre o caos.&lt;br /&gt;Sentado a frente do caos.&lt;br /&gt;Mas nunca sentado acima do caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"não se resolve um problema com outro não se resolve um problema com outro não se resolve um problema com outro não se resolve um problema com outro não se resolve um problema com outro"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repitia apático sentado&lt;br /&gt;à beira do caos sobre o caos&lt;br /&gt;nunca acima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então resolveu ir para dentro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora, sentado dentro&lt;br /&gt;nunca fora&lt;br /&gt;dorme, ama e trabalha&lt;br /&gt;nesse lugar aprazível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-109970750253836621?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/109970750253836621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=109970750253836621' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109970750253836621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109970750253836621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/assim.html' title='Assim...'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-109950529095836733</id><published>2004-11-03T15:45:00.000-02:00</published><updated>2004-11-03T16:10:59.963-02:00</updated><title type='text'>A Matilha</title><content type='html'>Um grupo que se autodenomina 'A Matilha' não pode ser composto de pessoas agradáveis.&lt;br /&gt;Não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, Peterson sabia onde estava mexendo. Um vespeiro que ao menor movimento acionaria a mais absurdamente cruel máquina de assassinos. A Matilha é uma escola. A Matilha é um sepulcro. A Matilha é onde o que nasce bom se torna horrendo e o que nasce mal tem medo de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos estudiosos, acreditando ser uma lenda, tentaram descobrir o tanto de realidade e o tanto de carochinha por trás da biografia do grupo. Muitos estudiosos atestaram a veracidade do horror com suas mortes. Mas Peterson não era um estudioso. Era só um cidadão. Na verdade, nunca se interessara por romances policiais nem por noticiários de crimes. Ele só queria uma coisa muito simples... Saber do seu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos pais abandonam seus filhos quando eles se tornam parte da Matilha. Os técnicos da polícia - os agentes - recomendam que se dê como morto. Uma vez no grupo não resta nada do que foi o elemento. O elemento é só parte. É só um assassino. A alma abandonada resseca e some. Assume seu lugar um novo ser, nada parecido com o que se foi mas uma cópia idêntica dos fiéis membros da Matilha. Por isso, recomenda-se aos pais, esquecer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peterson não esquecia. Nem tentou. Na entrevista com os agentes mentiu. Sim, ele até queimou todos os retratos do filho (os vestígios de sua existência anterior). Sim, ele também destruiu brinquedos: o velocípede azul, a girafa de plástico, o caderninho do colégio. Recomenda-se isso pois fica mais fácil eliminar laços afetivos a partir da desintegração da memória visual. As despesas saem por conta do Governo. Está na cartilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peterson e Mary queimaram tudo. Em cumprimento à lei, nomearam testemunhas que assistiram caladas ao ritual do esquecimento. Nenhum choro. Peterson não chorava. A temida escola de assassinos raptara seu filho mais novo e mais puro... e ele não se permitiu uma lágrima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peterson. 45 anos. Técnico em eletrônica. Pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um nome no jornal pode dizer muito a uma mente que procura. O agiota recebeu Peterson com um sorriso que murchou rápido diante da frieza do homem. Não havia muito o que dizer mesmo. Agiotas têm no sangue um veneno. Pouco importa a vida. Pouco importa a família, a moral e até mesmo o medo da punição. Esse veneno é sua ruína e seu vício. Esse vício é dinheiro. Notas frias, novas como ele exigiu, depositadas em cima da mesa substituíram a frieza de Peterson Pai. A lingua da grana é o esperanto dos agiotas. Apanhou-as e pagou com um papel. Papel escrito e repleto de nomes. Cada nome um numero. Um telefone. O começo da busca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-109950529095836733?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/109950529095836733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=109950529095836733' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109950529095836733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109950529095836733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/matilha.html' title='A Matilha'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-109948861278148997</id><published>2004-11-03T11:13:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T16:24:43.926-02:00</updated><title type='text'>A Receita do Sucesso do Dr. Inverso</title><content type='html'>Para não me tomarem por bobo, fui babaca.&lt;br /&gt;Para não causar confusão criei uma quizumba.&lt;br /&gt;Para não ser mal, fui escroto.&lt;br /&gt;Pra não machucar, machuquei.&lt;br /&gt;Para não dar merda, caguei.&lt;br /&gt;Fiz tudo errado para fazer o certo.&lt;br /&gt;Me enrolei e desenrolei e não satisfeito piorei a coisa. Fiz, desfiz, refiz. Morri pra nascer e matei pra deixar viver. Uma confusão dos diabos. Um nó górdio. Nunca se viu igual. Faça uma tese.&lt;br /&gt;Em cima do laço. Na prorrogação do segundo tempo. Chutando a bola no improviso planejado. Inaugurei o instinto racional e a confusão construtiva. Fui parar onde eu queria fazendo o que não queria. Magoei quem eu não queria. Recorri a auto-ajuda só pra seguir tudo ao contrário. Pensei pacas, usando a desrazão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais foda é que deu certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma. Depois te conto essa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-109948861278148997?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109948861278148997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109948861278148997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/11/receita-do-sucesso-do-dr-inverso.html' title='A Receita do Sucesso do Dr. Inverso'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-109369646026941982</id><published>2004-08-28T10:10:00.000-02:00</published><updated>2004-11-09T14:03:11.316-02:00</updated><title type='text'>O Golem</title><content type='html'>Ela veio como um bólido... Para se chocar com a minha vida e tirá-la do eixo e de sua trajetória normal. Me levou com ela pelo espaço que parecia infinito. Até o dia em que me desprendi dela e me vi a deriva... solto no nada. É o nada que faz o espaço infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo cedo e continuo minha obra.&lt;br /&gt;Desde que ela se foi pra viver a sua vida, eu executo minha obra.&lt;br /&gt;Inspirado pelos mestres do passado, peguei minhas mágoas e de posse de meu ócio tramei um plano. Que de papéis e borrachas, de disquetes e cds, de vidro e de metal eu contrua meu robô. Que em sites obscuros indicados por perfis que desconheço eu descubra a fórmula que dá vida a uma criatura sem carne. Eu consegui após mais uma noite sem sono baixar um arquivo que durou 6 meses para vir totalmente. Extraí desta maravilha, a fórmula oculta para fazer a concepção maldita. Deus tenha piedade de mim. O que um homem não faz por uma companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro robô levou 1 ano para ficar pronto. Da primeira peça catada no lixo até que seus olhos vidrados brilhassem e de sua garganta maldita ele emitisse seu primeiro suspiro. 10 de março. Cumpriu-se a promessa do arquivo sinistro. A cabeça era desproporcional ao corpo e a menmte também. Chamei-o de Luni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luni emitiu um guincho semelhante a um ronco e eu ententi que aquilo era um berro. O guincho não parava e se transformou em um som mais agudo como de guitarras distorcidas. Tive a que baixar o volume de sua voz. Seus olhos brilhantes me seguiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luni, ande!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A almejada criação deslizou a pesada perna de restos para frente. Para a frente!!!! Eu gritava e urrava. Era eu pai e de um filho pro download. Meu. Feito de meus restos. Feitos dos meus ressentimentos. Rico em peças que nunca usei ou que achava na rua para usar um dia numa obra que agora finalmente sei qual é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luni. Luni. Luni.&lt;br /&gt;Me tornei um pai apaixonado. Orgulhoso de seu filho monstruoso que andava pela rua e atraia a atenção de todos. Andar com Luni exigia-me paciência pois seu pobre corpo de lixo não tinha estrutura para sustentar-lhe. Muitas vezes lhe caiam coisas que alguém ia pegar. Sem problema, depois em nosso lar eu arranjava algo que substituisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só rezava para que de todos os restos em seu corpo nenhuma peça nenhuma foto nenhuma lembrançinha dela se perdesse pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-109369646026941982?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/109369646026941982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=109369646026941982' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109369646026941982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109369646026941982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/08/o-golem.html' title='O Golem'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-109365883089933799</id><published>2004-08-27T23:40:00.000-02:00</published><updated>2004-11-12T15:45:00.596-02:00</updated><title type='text'>Ficção Científica</title><content type='html'>Podendo se jogou daquele prédio.&lt;br /&gt;Deveria morrer mas não morreu. Foi capturado antes disso.&lt;br /&gt;Foi puxado por um raio-trator que é um habilidoso feixe de cargas tensoativas que (pasmem) reordena a trajetória dos elétrons e (não me perguntem como) estabiliza ions modificando assim a estrutura do ar, ou seja, ele cria uma subdimensão de bolso.&lt;br /&gt;Ele não sabia de nada disso. Tudo que queria era morrer mas quis o destino, a sorte e falhas de comunicação Terra-Ômega 1 que as coisas fossem assim. O raio-trator o espancou de cheio e ele desmaiou no ato qual quem leva um choque (elétrico) muito forte e repentino e cai no chão que nem saco de côcos. Ponto. Outra linha. Terceiro parágrafo.&lt;br /&gt;Acordou numa sala clássica de sci-fi e obviamente estava só. Mas não saia do lugar que estava, e estava no chão, porque sentia seus braços e pernas imantados por uma força invisível mais forte que seu instinto de fuga. Pas-mou de ver entrar na sala de prata dois vultos alongados e de cabeças fornidas saindo da luz da parede e andando no chão sem tocá-lo, no entanto, obviamente.&lt;br /&gt;Vai vendo.&lt;br /&gt;Ergueram seus braços fininhos. Ele estava na frente. Sentiu seu corpo tremer. Seu esfincter a dilatar. Dilatou até doer. Doeu até chorar. Seu esfincter dilatou e ele estava de quatro agora então. Lhe viraram de dentro pra fora e ele não sabe como não morreu. Um puxão no diafragma. Um gelar no intestino. Sair. Sair. Estava se despregando do lugar, com toda certeza. Mas se soltava e andava como uma lesma a deslizar em direção do reto atarantado. Vai sair. Vai sair. Saiu seu intestino. Grosso e delgado. Depois fugiram-lhe o estômago, o pâncreas e o fígado. Ele nem tinha moral de trazê-los de volta. Mas também não lhe deram o direito de morrer. Seu cu pariu muita coisa que estava com ele desde que nasceu. Saíram-lhe ainda o miolo da cabeça e o coração que brigaram entre si, se espremiam e se batiam na desesperada vontade de luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-109365883089933799?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/109365883089933799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=109365883089933799' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109365883089933799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109365883089933799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/08/fico-cientfica.html' title='Ficção Científica'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-109028302623316289</id><published>2004-07-19T22:22:00.000-02:00</published><updated>2004-07-19T22:23:46.233-02:00</updated><title type='text'>Ela é de zorba e eu de duloren</title><content type='html'>Tenho usado as calcinhas dela e ela tem usado minhas cuecas. &lt;br /&gt;Foi uma decisão mútua, ela insiste em dizer. Mas eu digo que não, pois fui eu que começei a porra toda. Ela diz que não tem nada a ver... e fala assim: cala essa tua boca, bobão. &lt;br /&gt;O negócio é que eu já vestia as calcinhas da minha mãe aos 15 anos. Grande pra caralho. Que porra ridícula um adolescente magrelo... pq naquela época eu não tinha esse barrigão e ainda odiava cerbeja. Vai pra puta q te pariu como eu ria na frente do espelho me vendo dentro daquela barcaça de pano. Se dava dois passos pra frente a calcinha escorregava pelos cambitos... então, pra manter a bicha no corpo, eu tinha que pressionar as pernas ficando mais patético ainda. Mas ela vem com esse papo e me diz sem ter provas que à noite quando havia sono no quarto dos pais ela ia até a área onde se se penduravam as roupas e de lá tirava cuecas. Fez isso numa época em que ainda nem tinha pentelhos. Veja só. Uma adolescente magrela vestindo as cuecas do pai. Isso tudo são lembranças - tendo provas ou não. A prova do passado pode ser o que se faz no presente? Vá lá q seja... mas também cagamos e andamos pra isso. Ela veste zorba e eu visto duloren e até hoje ninguém sabia disso. Parece uma coisa infantil... e É!!! Íamos nas situações sociais, muitas vezes ela na frente e eu logo atrás. Apertando as mãos dos convivas e dando tapinhas nas costas. "Oi tudo bem?" Distribuindo beijinhos nas bochechas e falando coisas legais. Ninguém suspeitava até então da nossa pegadinha covarde. Pros convivas devia ser muito do nada que batíamos altas risadas no meio da festa com todos os parvos olhando pras nossas caras. Caras de pau nossa. Caras de cu deles. Eu ria de chorar e ela de soluçar. Existem mulheres que quando perdem o controle do riso começam a mandar uns soluços nada a ver. Puta q eu ria ainda mais. O hábito virou mania e não tinha festa, reuniãozinha, encontro e/ou programa que não fossemos trocados de sexo por dentro. O constrangimento dos outros era cada vez maior... pior, eu diria. Começaram a achar que éramos doidos... não sei... só sei que paramos de ser convidados pros convescotes e até mesmo para casamentos e enterros... e, quando, depois perguntávamos "pq não nos chamou?", o fulano ou fulana dizia "puxa, esquecimento, desculpe". Era coincidência demais ver que tanta gente nos "esquecia". Mas, também, olha, não conseguimos mais mudar esta mania. Eu acho calcinhas bem bacanas e tenho procurado estudar os tecidos. Ela idem. Outro dia na loja americana ela viu uma cueca que nela ficou muito linda. Dessas meio enormes que lembram as calcinhas da mamãe. Fomos no provador da LA e ela me disse: "nossa como é confortável esse modelo". "E fica bem em vc" completei. "Mas e vc? Não vai levar nada?" "Pô... Não vi nenhum modelo da cor que eu queria". Mas por intermédio da minha parceira levei uma vermelha furadinha muito bonita... Meio apertada e escandalosa mas ela gostou. Pois bem, amigos, desculpem as risadas que demos em suas festas sem vcs saberem por quê. Foi uma coisa covarde, reconhecemos. Sabemos que vcs vão compreender a situação. Do mesmo modo gostaríamos de convidá-los para uma reuniãozinha, encontro, programinha, convescote em nosso lar. Será um prazer vê-los em nosso apê, de novo após tanto tempo afastados. Para evitar constrangimentos não vamos usar nada por dentro. Até mais. Beijos. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-109028302623316289?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/109028302623316289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=109028302623316289' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109028302623316289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/109028302623316289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/07/ela-de-zorba-e-eu-de-duloren.html' title='Ela é de zorba e eu de duloren'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108930620481164699</id><published>2004-07-08T14:28:00.000-02:00</published><updated>2004-07-19T22:28:08.580-02:00</updated><title type='text'>Desafios. Auto-exame.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Desafios&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trouxeram o mímico pra festa. &lt;br /&gt;Uma marreta também. &lt;br /&gt;Marretaram suas mãos e pediram que imitasse um frentista. &lt;br /&gt;Foi hilário o jeito como ele imitou a mangueira. &lt;br /&gt;Aplausos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor judoca da escolinha. &lt;br /&gt;Vendaram seus olhos e pediram q andasse pela sala. Foi grande a desilusão do mestre quando viu que o menino não evitou os pregos no chão. "Onde está seu conhecimento shao-lin?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escultor rebelde fez obra gigantesca. &lt;br /&gt;20 metros. Cinco anos para concluir. &lt;br /&gt;Ao lado, o Palácio do Governador. &lt;br /&gt;No dia da inauguração apertou um controle e a obra implodiu, soterrando todos. Morreu mas entrou para a história inaugurando a terror art. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escultor já velho e decadente. &lt;br /&gt;Conheceu dias melhores. &lt;br /&gt;Mandou um quadro para o Governador. &lt;br /&gt;Cinco meses depois o quadro explodiu causando baixas na administração. &lt;br /&gt;Seu autor está foragido. Entrou para a história inaugurando a Bomb Art. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrancaram a língua do mímico. &lt;br /&gt;Veja só. Pediram q imitasse um assalto. &lt;br /&gt;A parte mais engraçada foi quando ele passou a carteira. &lt;br /&gt;Aplausos e gritos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois mil e quatrocentos piercings no rosto. &lt;br /&gt;Todos furados ao mesmo tempo. &lt;br /&gt;Ficou cego. Foi sua mãe quem leu as manchetes para ele na cama do hospital. Depois, dormiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomou 20 comprimidos de Viagra de uma só vez. &lt;br /&gt;Morreu mas entrou pra história com a mais duradoura ereção post-mortem do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imitando um rato, o mímico criativo fez o povo rir. &lt;br /&gt;A língua era o queijo e os dedos cambaleantes, os dentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pupilo se atirou do alto do promontório e o mestre e os outros alunos o viram se estatelar nas pedras do mar. Mais uma vergonha para o mestre shao-lin. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atiraram 150 utensílios de informática pela janela esmagando vinte pessoas e ferindo umas dez. Vigésimo sexto andar. O processo foi filmado e será objeto de uma palestra sobre "movimentos transgressores do séc. XXI". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mímico sem braços agora imita um praticante de esqui. &lt;br /&gt;Dona Gerza, a mãe, chora... e ri com o talento do filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Invadiram o prédio e atiraram 150 crianças pela janela como manifesto contra a fome e a miséria... &lt;br /&gt;O mundo parou. Na reunião de cúpula da ONU tomaram uma decisão: impedir a entrada de crianças nos prédios comerciais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o mímico imita um carpete. &lt;br /&gt;Arranca lágrimas da platéia. &lt;br /&gt;Foi seu último número. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Rainha do Auto-exame &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a história de uma mulher... uma brava mulher que percebendo os descaminhos da sociedade subserviente às máfias da saúde luta bravamente para se automedicar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ginecologistas. Que raça... Sempre os mesmos problemas. Custos altos quando fora do plano. Dentro do plano vc encontra confiança? Mulher, vc confia no ginecologista q te atende? Existem, é claro, bons profissionais. Existem. Si. Ó Sim. Existem. Onde estão que eu nunca os encontrei. Pois se começam bem terminam mal. Eu não quero nenhum pulha me manipulando com seus patos de aço inox. Um alisava minhas pernas e dizia pra relaxar. Dedos nas luvas de corpos com faces que escondem objetivos lascivos e cruéis. Chega. Ela não quer mais isso. Ninguém mete a mão ou outro troço qulquer na minha vagina. Ninguém além dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do homem das televendas teve que ouvir a ameaça deslavada: "a senhora prefere então ser atendida pelo sus?". Agitou-se de ódio do outro lado da linha. A orelha se avermelhou e tinha ganas de matar. Desligou o telefone na cara do sujeito que ainda tentou lhe convencer que o melhor a fazer era mudar-se para o plano com a maior cobertura do Brasil. Era isso ou ir pro Saúde Zero. Na terceira tentativa do telechantagista respondeu: "então amigo, farei meu próprio exame. vai à merda." E dito isso saiu do plano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprou coisas q só deviam ser vendidas para doutores. Comprou com a benção de Jerson, q é assim no Brasil q tudo se consegue. Metais brilhantes e novos, espelhos. Tava doidinha pra usar. Com as economias que fez com a mensalidade que deixou de pagar foi montando seu consultorio particular. Inaugurou o "quarto do exame" sozinha, como tinha que ser. Botou uma música bem JB FM. &lt;br /&gt;Principiou-se ali os trabalhos. &lt;br /&gt;Pernas abertas, roupa branca. Uma bela e confortável cama. persianas chinesas. &lt;br /&gt;No primeiro exame parecia tudo normal com a xereca. Carnes róseas e molhadas mas a princípio bem lisas. Era desconfortável. Isso era... mas menos constrangedor do q nos tempos de plano. &lt;br /&gt;(continua depois) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108930620481164699?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108930620481164699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108930620481164699' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108930620481164699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108930620481164699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/07/desafios-auto-exame.html' title='Desafios. Auto-exame.'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108812060912488375</id><published>2004-06-24T20:36:00.000-02:00</published><updated>2004-07-19T22:29:52.276-02:00</updated><title type='text'>A Sina de uma Paixão</title><content type='html'>- Muito bem Frederico Augusto, senta aqui do lado do seu pai. &lt;br /&gt;- Tah bem, papai. &lt;br /&gt;- Vamos ter uma conversa séria... muito séria. &lt;br /&gt;- Hã? O q q eu fiz, papai? Se são minhas notas... &lt;br /&gt;- Não. Suas notas estão ótimas... Como sempre. &lt;br /&gt;O jovem Frederico Augusto olhava apreensivo para Paulo Albuquerque, o genitor. &lt;br /&gt;- Me diz. Quero que vc seja franco. Não mente. &lt;br /&gt;- Nossa. O que é? &lt;br /&gt;- Calma. Me diz: vc está fumando maconha, Frederico Augusto? &lt;br /&gt;- Como é??? &lt;br /&gt;- Calma. Me responde: vc tá fumando maconha? &lt;br /&gt;- Eu? Eu não, papai!!! &lt;br /&gt;- Não??? &lt;br /&gt;- Não. &lt;br /&gt;- Espera, filho. Vou refazer a pergunta: vc já fumou maconha? &lt;br /&gt;- Não, papai. Eu nunca fumei isso na vida. &lt;br /&gt;- Frederico Augusto, não-mente-pro-seu-pai. &lt;br /&gt;- ... &lt;br /&gt;- Olha, presta atenção. Na tua idade, eu subia o morro. Sim. Eu ia no ponto com os coleguinhas da rua e comprava maconha com a mesada que meu pai me dava. Eu te dou mesada, não te dou? &lt;br /&gt;- Dá, papai. &lt;br /&gt;-E pára de me chamar de "papai". Tu tem 18 anos, garoto. Aos 15, o moleque já tem que fumar maconha com os coleguinhas, entende? &lt;br /&gt;- Como? &lt;br /&gt;- Aprende, filho. Aprende essa lição. Seu pai quer seu bem. Amanhã c vai procurar seus coleguinhas e vai nesse endereço aqui. Vai lá e pede uma trochinha... Isso aqui deve dar... Procure um homem... o Cavalo. &lt;br /&gt;- Mas, pap... pai. Meus amigos não são de fumar essas coisas. &lt;br /&gt;- Então, filho, vamos ter que rever com quem vc tem andado. Não pode. Na tua idade, tem que ter amiguinhos da fuzarca. Tem que ir nas festinhas, fumar e beber. &lt;br /&gt;- Que q isso, meu pai? &lt;br /&gt;- Tô cansado, filho, e muito preocupado. Vc só estuda. O dia inteiro. Não pega uma praia. Não demora no banheiro. Não fuma maconha. Não usa roupa rasgada. Não ouve um rock... um régui... É hora de vc fazer jus as nossas expectativas. &lt;br /&gt;- Mas, pai, e o vício? &lt;br /&gt;- Isso é problema pra depois.... A gente bota vc numa clínica... Sei lá. Também vai ser importante pra vc. Mas não sem antes cafungar. &lt;br /&gt;- Ca... o q? &lt;br /&gt;- Cafungar!!! Quero ver meu filho homemzinho. Vai q vc entra numa festa e te perguntam se já cheirou uma rapa e vc diz: "o que é isso?". &lt;br /&gt;- Sim, o que é isso? &lt;br /&gt;- Tá vendo? Tá vendo? Isso é que não pode!!! Vamos dar um jeito nisso. Mas primeiro a maconha. E vê se divide com seus colegas, hein???? &lt;br /&gt;- Pai, o senhor está me assustando. &lt;br /&gt;- Assustando o q! Já escolheu uma carreira? Diz pra teu pai. &lt;br /&gt;- Ué engenheiro, pai. Já falei disso contigo. &lt;br /&gt;- Foi ano passado que vc me falou isso. Pq vc não faz artes, filho. Vc desenha tão bem... Ou então cinema... Eu ia adorar ter um filho que faz cinema. &lt;br /&gt;- Mas eu não quero, pai. Eu gosto de engenharia. &lt;br /&gt;- Enegenharia não dá dinheiro e... só tem homem. E quando tem mulher são todas bruacas. Muito bem, amanhã você entra numa aula de violão... Violão não... GUITARRA... Não não BATERIA. &lt;br /&gt;- QUÊ??? &lt;br /&gt;- Amanhã vamos ao centro comprar sua bateria, Frederico Augusto. &lt;br /&gt;- Não não, vou falar com minha mãe. &lt;br /&gt;- Pode falar. Já discutimos isso. Joana Antônia concorda comigo... Sabe onde conheci sua mãe??? &lt;br /&gt;- Ahn? Onde? &lt;br /&gt;- Num Ano Novo mutcho loco em Vargem Grande. Sol, muita maconha, muito mato, pessoas trepando, dias e dias sem nossos pais saberem onde fomos parar. Eu quero um futuro para vc, filho, e esse futuro começa agora. &lt;br /&gt;- Isso não é futuro, pai. Eu não tenho talento para hippie. &lt;br /&gt;- Não seja idiota idiota. Não estou querendo que vire um hippie. Seu raciocínio é muito limitado. Quero só que fume maconha com seus amigos, arranje uma mina que foda muito bem, suma por uns dias e... ahn, deixe esse cabelo crescer, sim? &lt;br /&gt;- E se eu não quiser? &lt;br /&gt;- Vc já pensou em escrever poesia confessional? &lt;br /&gt;- PAI, responda minha pergunta: e se EU não quiser isso? &lt;br /&gt;- Se vc não quiser?... Então... SUMA desta casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, Frederico Augusto Pilares juntou suas poucas coisas e se foi com os olhos marejados de tristeza. Tentou a casa de outros parentes mas quando estes souberam o motivo de sua saída do lar paterno lhe botavam novamente na rua. Ó, como Frederico vagou... Noites dormindo em bancos de praça. Mas, num golpe de sorte, encontrou uma turma de amigos que pensavam igual a ele e que tiveram o mesmo destino infeliz que a vida reserva aos diferentes. Organizaram-se numa república. Para pagar as contas, Frederico e seus amigos faziam manutenção de micros. Passavam os fins-de-semana assistindo reprises na TV e programas de auditório. O negócio evoluiu para manutenção de redes e no ano seguinte decidiram abrir uma empresa. A empresa cresceu e Fred (como era chamado) teve que fazer algumas viagens para São Paulo para comprar novos equipamentos. Numa dessas viagens conheceu ao vivo Mariana Júlia, uma moça de Bauru com quem conversava pelo ICQ e com quem queria formar uma família. Formaram. No ano em que Frederico Augusto se formou em engenharia da computação, se casou com Mariana Júlia e lá estavam pessoas que até então só conhecia pelo ICQ e pelo MSN!!! Estavam lá: Zoião, DM@98 e, claro, os amissíssimos e virtualíssimos Righ513 e vamp2004 que foram os padrinhos do casamento. Os pais souberam da festa mas resisitiram em ir. Na última hora, porém, cederam à tentação e viram a cerimônia de uma distância segura. Depois pegaram o carro e voltaram pra casa. &lt;br /&gt;Anos mais tarde, alguém bateu à porta da casa de Frederico, no Engenho de Dentro. &lt;br /&gt;- Môzinho, deixa queu atendô. - disse. &lt;br /&gt;Frederico abriu a porta e identificou o rosto já envelhecido de sua mãe. &lt;br /&gt;- Posso entrar, Frederico? - ela disse. &lt;br /&gt;Fred era só orgulho e emoção, já esquecendo todo o revés passado e imediatamente incorporando o garoto de 30 anos atrás... antes da deserção. &lt;br /&gt;- Claro, entra... Entra. &lt;br /&gt;A mulher já idosa entrou. &lt;br /&gt;- Como está pap... &lt;br /&gt;- Morreu. &lt;br /&gt;Fred emudeceu. Ela continuou. &lt;br /&gt;- AVC. Ficou com o lado esquerdo paralisado mas... (choramingando) sempre falava de vc. (desabou no choro). &lt;br /&gt;- Ó meu deus. - falou, já se imputando uma culpa que não tinha - Quer um copo de água com açúcar? &lt;br /&gt;- Não precisa. Onde está... sua filha? &lt;br /&gt;- Joana? Ela está lá dentro. No berço. Nanando. &lt;br /&gt;- Ela tem meu nome. &lt;br /&gt;- Pois é - confessou, enchendo o peito... &lt;br /&gt;- Quero vê-la - disse, repentinamente. &lt;br /&gt;- Claro claro - salientou o orgulhoso papai Frederico. &lt;br /&gt;Foram ao quarto. Uma pequena trochinha de 3 anos dormia no berço oculto na escuridão do quarto suburbano. Joana, a mãe, falou: &lt;br /&gt;- Fred, filho, seu pai antes de morrer me pediu que viesse aqui conversar contigo. &lt;br /&gt;- Claro claro - salientou novamente, sempre emocionado, o bom Frederico. &lt;br /&gt;Voltaram à sala. Fred tentou amparar o corpo frágil da mãe que procurava o sofá. Enfim, sentaram-se os dois. A velha puxou-lhe pela gola e disse assim: &lt;br /&gt;- Sei que tivemos um momento de ruprtura muito forte. &lt;br /&gt;- Ah... isso já passou, mam... - parou meio hesitante e por fim completou, resoluto - ...mãe. &lt;br /&gt;- Que bom que pensa assim... meu filho. &lt;br /&gt;Muita emoção no ar. Os átomos deviam estar se chocando em polvorosa. Um sentimento familiar e aconchegante, muito terno, preencheu aquela sala. A mãe continuou. &lt;br /&gt;- Seu pai estava no leito de morte. Suava e gemia. Chorava também. Ele sabia que ia partir. Apesar do AVC, eu sei que estava plenamente consciente de tudo ao seu redor. - falava e já se emocionava com a lembrança. &lt;br /&gt;- Mãe... Vale a pena relembrar isso? Vamos pensar no futuro agora. Vamos pensar em Joana. &lt;br /&gt;- Joana - ela concordou. - Joana - ela repetia - Joana - ela murmurava. - Joana - Joana Antônia concluiu. &lt;br /&gt;Prosseguiu, como quem pára numa subida íngreme e, tomando fôlego, decidi continuar. &lt;br /&gt;- Seu pai me fez prometer coisas, Frederico Augusto. Seu pai me fez um pedido. &lt;br /&gt;- Um pedido? &lt;br /&gt;- Um pedido para mim e para você. Se ainda queres se redimir com o pobre coitado. &lt;br /&gt;- Me redimir? &lt;br /&gt;- Sim. &lt;br /&gt;O clima aconchegante esfriou. A velha prosseguiu, rumo ao topo da conversa. &lt;br /&gt;- Seu pai tentou para você o melhor e vc se negou. Em seu leito de morte, ele me sussurrou: "Joana Antônia, Joana é a esperança." &lt;br /&gt;- Não estou entendendo, mãe. &lt;br /&gt;- Sua filha pode ter o futuro que vc renegou, filho. &lt;br /&gt;Abriu a velha bolsa, apanhou um velho papel amarfanhado e cuidando de posicionar o velho óculos, velhamente, disse: &lt;br /&gt;- Está tudo aqui, Frederico. Pela letra de seu pai morto: "Perder a virgindade aos 15. Maconha aos 16. Pó aos 18. Clínica aos 23." Por fim, tirou os óculos de leitura, finalizando: "Mais um curso de pintura, teatro ou música". Ela terá todo o direito de escolher, é claro. &lt;br /&gt;- O Quê? Como? Deixe-me. &lt;br /&gt;A velha passou-lhe o papel e Frederico Augusto leu com muita atenção. Lembrando-se imediatamente de Paulo Albuqurque. Sim, definitivamente, sim, aquela era a letra de seu amado porém severo pai. A velha Joana Antônia aguardava, sem desgarrar os olhos de Fred. &lt;br /&gt;- Então, filho? &lt;br /&gt;- Meu deus, papai... &lt;br /&gt;A velha sentia a resistência abalada pela culpa. &lt;br /&gt;- Pense... Este foi o último desejo de um velho agonizante. Pense... Ainda há chance de consertar os erros passados. &lt;br /&gt;O choro veio a seguir numa torrente de emoção embotada pelo percurso transcorrido dos anos. &lt;br /&gt;- Mas... é minha própria filha. &lt;br /&gt;- Por isto mesmo, Fred. Por isto mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, a velha olhou ainda uma vez mais para a honesta casinha e seguiu em desapegados passos até o carro. No carro entrou e o marido a aguardava... &lt;br /&gt;- E então, Joana Antônia? &lt;br /&gt;- Acho q ele engoliu, Paulo Albuquerque. &lt;br /&gt;- Ótimo, vou ligar para o Cavalo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108812060912488375?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108812060912488375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108812060912488375' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108812060912488375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108812060912488375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/06/sina-de-uma-paixo.html' title='A Sina de uma Paixão'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108756461350202580</id><published>2004-06-18T11:16:00.000-02:00</published><updated>2004-07-19T22:31:37.790-02:00</updated><title type='text'>A Inspiração.</title><content type='html'>"Fico preocupada cada vez q leio teu blog. &lt;br /&gt;Eu não sei até q ponto o q vc escreve é uma fantasia tua ou realidade. Aliás, "fantasia" me parece um termo inapropriado em relação a essas histórias. Fantasia me remete a coisas boas. &lt;br /&gt;Juro que não entendo teus textos, ou melhor, o motivo, a inspiração. Que tipo de necessidade te mover pra escrever coisas como "Schmidt"? Vc afirma que está bem e eu não insisto para não ser chata mas sinto que há uma verdade particular nessas suas palavras ácidas. Esse clima é tão pesado a cada texto que nem consigo mais ler. Eu não posso lhe proibir de continuar, só gostaria que vc soubesse que me incomoda... muito. &lt;br /&gt;Ontem chorei ao ler seu último post. Acho até que você escreve bem. Acredito mesmo que tenha algum talento pois o que escreve me toca. Certamente toca outras pessoas também. Mas não creio que haja um toque positivo nisto. Você espalha um sentimento ruim, cara. Você espalha um incômodo e uma melancolia que ultrapassa a simples depressão. Na verdade, estou chorando agora também, por trás desse teclado frio, enclausurada e tensa como teus personagens. &lt;br /&gt;O que te inspira? O mundo louco? Pessoas que não se respeitam? A dedicação profunda da sociedade às coisas imbecis? Você não responde às minhas perguntas então me sinto obrigada a arranjar minhas próprias respostas. &lt;br /&gt;A verdade é que mesmo assim eu não te alcanço, pois sou capaz de assistir aos mesmos programas de TV e ouvir as mesmas músicas que te ofendem com tanta força e passar incólume por elas. Você sabe demonstrar sua revolta muito bem pelo que leio. Bem demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho este talento 'fantástico' para distorcer o mundo. Eu não tenho. Já tentei me por no teu lugar mas me recuso a crer que o humano seja tão torpe quanto você o descreve. &lt;br /&gt;Prefiro ter minha própria fantasia e que essa fantasia se ligue mais ao sonho que a um pesadelo ou a uma doença. Acredito no homem e você não, né? &lt;br /&gt;Se eu tivesse a tua verve não perderia meu tempo poluindo as cabeças alheias. É. Realmente, somos almas em choque. Fazer o que? &lt;br /&gt;Obrigado por me fazer ver isso. &lt;br /&gt;Estou indo embora. Pretendo me manter longe do seu mundo para sempre. Te amei. Chega. Fica com esse e-mail. Leia-o... Se quiser, publique em seu blog. Se bem conheço vc, não resistirá à tentação... é o que fará. De qualquer forma, como vc mesmo adora dizer: FODA-SE. Fique com seu inferno. &lt;br /&gt;Adeus." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Caro Sr. Mortimer(?) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecemos a consideração por nos ter mandado seus textos. &lt;br /&gt;Realmente muito obrigado. Perdoe-nos também a demora em responder-lhe. Gostaríamos muito de responder prontamente a todas as quase 200 pessoas que nos remetem semanalmente suas obras. Infelizmente isso não é possível. &lt;br /&gt;Sobre seu trabalho... Sua escrita tem, em geral, bom vernáculo e bom desenvolvimento muitas vezes até prendendo a leitura. Continue assim. &lt;br /&gt;Infelizmente seus temas poderiam ser melhor escolhidos. Não acreditamos que isso atraia o grande público ou mesmo o médio e pequeno público. Na verdade, achamos sinceramente que atraiam somente a uma parcela de pessoas emocionalmente perturbadas... o que obviamente não constituem nosso público-alvo. &lt;br /&gt;Torcemos para que encontre uma editora com o perfil adequado à sua escrita ou, caso não consiga quem publique, sugerimos que faça uma revisão do seus conceitos. Enfim, é apenas uma sugestão. &lt;br /&gt;Outro ponto: temos recebido insistentes ligações e cartas anônimas de um suposto "fã" de seu trabalho fazendo pressão sobre nossos editores. Por favor, peça a seu "fã" que pare imediatamente com isso pois não cedemos à pressões ou ameaças e que, caso isso continue, seremos obrigados a investigar e a responsabilizar Vssa Sria. pelo transtorno causado por esta possível "criação" sua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenciosamente, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) &lt;br /&gt;- Editor" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108756461350202580?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108756461350202580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108756461350202580' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108756461350202580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108756461350202580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/06/inspirao.html' title='A Inspiração.'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108606004439855937</id><published>2004-06-01T00:55:00.000-02:00</published><updated>2004-07-19T22:34:06.033-02:00</updated><title type='text'>Brinquedo de vingança. Jasmim me quer com ela dentro do chão. Crise de abstinência. Magia Moderna. O dândi q eu era. Palhacinho.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sou seu brinquedo de vingança* &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1970. &lt;br /&gt;Não fica perdendo teu tempo com esse merda,(...). Vc fica falando e falando e daí vc se estressa, papai. Olha pra ele. Não tá nem aí pra nada. Essa porra já era assim e fumava maconha e coisas ainda piores enquanto vc ainda chupava chupeta. Essa porra comia barangas de rua enquanto vc inda brincava de boneca. Esse traste já pensava em cortar os pulsos quando vc lia Luluzinha. Então me diz, minha linda... Pq amarras tua égua (isso não é nenhuma alusão hein?)sob a sombra escrota desse infeliz? Mas, papai. Faz o seguinte: conheço um rapaz. Um ótimo rapaz. De boa família. Boa mesmo. Deus querendo, ele vai ser médico. Não se sabe que tenha envolvimento com drogas... Se tem também merece consideração pq não transparece (estou brincando). Ele ainda não te conhece mas sei que vai gostar de vc. Vou te apresentar prele. O senhor acha? Acho, minha linda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito bem, Arnaldo, esta é (...). Linda, não? Sabia que vc ia gostar. Ela é uma moça ótima: além de tudo é inteligente... andou fazendo umas bobagens aí se envolvendo com um porrinha qualquer... mas é passado, agora. Não é, minha linda? Vou deixá-los a sós pra se conhecerem melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maite, te apressa se não chegamos atrasados ao casório de (...) e Arnaldo. Oh estou tão feliz. Eu também, Maite. Eu também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer que (...) vai casar mesmo com aquele goiaba? Pois é, o cara tantas fez pra pegar a menina que conseguiu... E isso também tem obra do pai. Eu não sabai mas ele me odeia e acha que não posso reagir. De fato, deixei rolar a coisa pois... quer saber?... ele tem razão: eu não posso reagir. Deixa q role o casamento. Se eu fizer algo eles me matam mas a dor é grande, cara. Tô morto por dentro. Pô relaxa, cara, vc arranja outra... Ah, se fosse só esse casamento. Vc não sabe... Aquele velho é muito perigoso. Ele me fez nascer só para ter seu próprio brinquedo de vingança. Como? Ele teve o desplante de vir aqui ontem à noite... e me contou tudo. Há vinte anos ele e meu pai gritaram um com o outro. Odiaram-se. Há vinte anos aquele porra mandou matar meu pai, violentou e engravidou minha mãe, viciou a ela e a mim no útero com heroína, adolescente, apresentou-me (...) e criou essa situação. sou dependente dela. Quando viu que havia conseguido veio e a tirou de mim e a deu ao verme. Vc não tem provas, cara. É, não tenho. E agora? Agora?... cara, agora eu sei o que eu sou. Meu vício não tem cura. Minha história é a de uma cobaia. Já pensei em matar apenas ele. Já pensei em matar todos. Já pensei em me matar. Mas vou deixar o tempo correr e esperar a reposta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1990. &lt;br /&gt;Dia de sol. Muito forte. &lt;br /&gt;Olho pro papel e vejo minha resposta contada por gens. Não entendo como, mas consegui... com um chumaço de cabelos de um velho pervertido. Minhas putas conseguem tudo. Converso com meu advogado: agora seremos eu, meu pai bastardo e este DNA. É hora do brinquedo brincar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Argumento para novela das 8 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jasmim me quer com ela dentro do chão &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse alô à natureza e sentou no chão. &lt;br /&gt;Eu sei do q vc precisa. Ela disse. &lt;br /&gt;Abriu a blusa e deslizou seio. &lt;br /&gt;Não esperou reação e vem cá dum beijo. &lt;br /&gt;Minha mão eu perdi lá dentro era duro e frio. &lt;br /&gt;Agarrou-me a orelha e puxou pra dentro daquela boca. &lt;br /&gt;Me chamou pra morte e eu fui. &lt;br /&gt;Me chamou pra morte e seguimos juntos. &lt;br /&gt;Nem quero saber mais de estrada. Nem quero saber de mais nada. Que mochila o q! A viagem acaba aqui. Vamos os dois subir a colina e subimos. Não era essa a proposta então? &lt;br /&gt;Parecia febril hahaha eu também &lt;br /&gt;Não demora muito voltaremos pro chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crise de Abstinência &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe se pelo shampoo ou se pelo condicionador, Joana ficou careca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, eram poucos fios então não dava pra dizer: putz Joana vc tá ficando careca. Não. A quantidade era irrisória e ela não comentou com ninguém. Mas esse 'irrisório' aí durou um mês. Daí em diante os fios não paravam de cair causando desconforto social. &lt;br /&gt;Como travar uma conversa com uma pessoa cujos fios caem aos montes? O desconforto gerou conversas e as conversas geraram boatos. Boatos sobre doença, é óbvio, pois doença é o que se pensa quando começam a cair os cabelos de alguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boato que é boato ninguém sabe de onde veio e o objeto da história nunca está por perto para assistir os comentários. Então, já que o papo causava desconforto, Joana fez o que fazem as pessoas quando se sentem mal em conviver com os boatos: se isolou em seu apê em Copa. Assistindo seus cabelos caindo e chorando, é óbvio. Chorando cada dia mais, como é de se esperar. Chorando até desesperar-se, consequentemente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os boatos só fizeram ficar mais fortes e já corria rapidamente a história do desfecho trágico: Joana havia morrido. Quem começa a ficar careca por doença num boato e um dia some, tem que estar preparado para estar morto no boato seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí em diante a liturgia de Joana foi morrendo nas rodas pq não faz sentido ficar contando histórias de alguém que já morreu. Chega uma hora que cansa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não podia deixar de ser, depois de tanto tempo de autoexílio, Joana resolveu sair de casa. Mas, como o olhar assustado e/ou curioso dos outros a comprimiam, ela não ficava muito tempo na rua. E voltava pra casa, aflita. Chorando, claro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre Joana. &lt;br /&gt;Bom, por hora não há muito o que contar. A menina continua isolada em seu apertado em Copa. Evita ficar muito temo nas ruas para não encontrar gente conhecida. Quando sai é de túnica fazendo surgir novos boatos: será uma cigana? uma leprosa? louca? excêntrica? atriz famosa? Será uma hindu?. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, gente... É só uma mulher careca! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Magia Moderna &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu celular é meu... e de mais ninguém. &lt;br /&gt;Exemplar de gosto da mais refinada tecnologia da comunicação. De posse dele realizei meus sonhos, me entendi como humano, me reaproximei do que tenho no coração e no pensamento. Eu entendi tudo. Ele brilha no escuro. Quando estou só eu falo com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nota fiscal (sua certidão) consta o dia 1 de junho de 2004 mas tive que voltar à loja no dia seguinte. Apresentou um defeito mas... nada de grave; constatou-se que era de berço; tranquila e sem stress, a companhia cumpriu seu dever trocando-o por outro aparelho, anexando a isto um pedido de desculpas da balconista -sorriso pleno e alguma emoção. Nunca fui tão bem atendido... Ela tocou minha mão com ternura e me enamorou com um "volte sempre". &lt;br /&gt;- É um prazer atendê-lo... &lt;br /&gt;Finalizando com um: "A (companhia) agradece". &lt;br /&gt;Tanta devoção marejou-me os olhos. Tive que me conter pra não causar constrangimento a quem tanto fez por mim fazendo apenas o essencial: 'sua obrigação'. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Testei o peso da matéria e deu-me a impressão de ser ainda mais leve que o outro...aquele, o imperfeito: o devolvido. A magia moderna está em se devolver o imperfeito. Também está na mãe que reconhece o defeituoso rebento e parte para a troca sem muitos porquês. Troca-se o errado pelo certo como se o primeiro nunca tivesse existido. Nem vergonha ele será. Nenhum traço deixará na biografia das demandas. Será praticamente um chiste, visto que nos aproxima do fabricante... este chiste chamado defeito existe para testar a relação entre nós e a companhia; além do mais, q bela oportunidade para receber um carinho institucional e consertar-se a falha com um cafezinho, um "sente-se por favor"; esquecer o desconforto advindo da peça errada e transformá-la em um quase acerto e/ou puramente uma benção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu amo meu celular e sei de coração que ele me ama também. &lt;br /&gt;Posso gravar nele qualquer recado. Ele me deixou gravar um "eu te amo". Então não só eu mas meus íntimos e conhecidos podem ser testemunhas do amor franco que tenho por esta pequena criança industrial. No meu celular estão, enfim, minhas esperanças e minha fé no humano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andar com ele no bolso, como fazem alguns que conheço, julgo desrespeito e desamor ao aparelho. Por isso, adquiri uma casinha linda e aconchegante onde ele pode dormir sossegado. Ela é igualmente plástica, mas maleável e transparente, e combina com suas cores de prata fosco e grafite. A escolha foi muito apropriada e nisso a moça da loja ajudou muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor é franco... Não digo, porém, que seja incondicional. Mais dia menos dia ele apresenta defeito. Que horror. Defeito. Mas dia menos dia ele falha ou, pior, outro modelo me seduz. Meu deus, disso eu tenho medo. Antes um defeito! O defeito justifica tudo... tudo, tudo. &lt;br /&gt;Mas a sedução pode acontecer. Assim, sem aviso, andando na rua, eu posso ser assaltado por uma paixão e vai que se transforma em coisa séria. Vai. O defeito é a traição dos aparelhos/é o não-servir descarado. Mas a sedução pelo apelo do novo... Isso é a traição do dono. Deus, que só de pensar nisso tenho vergonha. Eu teria que escondê-lo em sua casinha plástica aconchegante maleável transparente quando fosse lá - sim, seduzido a tal ponto que entraria na cova do lobo pra saber mais da sua vida. Recursos/Upgrades/Vantagens e enfim, o preço. Perguntar o preço é praticamente trair. Em quantas vezes? Pode-se trair inclusive a prestação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que noites horríveis serão essas, olhando pro teto e pensando no modelo da vitrine. O teto e os pensamentos, o adormecer e os sonhos de consumo. Premido pelas circunstâncias, tentarei achar no antigo um defeito e, de fato encontrarei, nem que seja um miserável arranhão no lead. Que merda!!!! Os dias se passarão e serão insuportáveis. Sua aparência antes terna e convidativa será apenas rústica e desgastada... como nossa relação. Meus íntimos me encontrarão irascível e dirão que sofro de mudança de comportamento. Não confidenciarei nada a ninguém. Vou guardar esta dor pra mim. Minha questão é minha e de mais ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, será talvez um dia de agosto - o mês ideal para trair... &lt;br /&gt;Eu irei a tal loja e irei comprar o novo modelo. &lt;br /&gt;Eu disse comprar. Não é mais pesquisa. Acabou-se o flerte. A farsa. Tudo/Tudo/Tudo. A insuportável tentação dá lugar a mais ferina das traições. Acabou-se a vergonha também. Comprarei, sim, o novo modelo. Premeditado, reservarei uma importância só para isso. Pressão sobre os joelhos. Aperto no peito trocado por liberdade assumida. Exponho o antigo velho fuleiro sobre a bancada. Direi, quando chegar a minha vez, é claro, pois eu respeito filas, "quero aquele lá da vitrine". É fim de conversa. Tudo às claras. Eis a verdade escondida naqueles olhares de desleixo no meu reincidente destratar. Eu cobiço. Entenda, eu sou apenas humano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perfeito me chegará com o brilho da juventude, a proposta de prazer e tudo mais. O outro ficará na bancada com cara de passado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que vai fazer com este daqui? - atendente sorriso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou dá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. A conspiração covarde se fechará. Nada mais vil que isso. Não vender. Não presentear. Não doar. Dar. Dar não é doar. Dar é para qualquer um, até para quem não precisa. E assim sairei da loja e principiará o desmanche da relação. &lt;br /&gt;Desabilitar a linha anterior. &lt;br /&gt;Retirar assim a alma do aparelho. &lt;br /&gt;Um celular sem linha, inexiste na função. Nada mais que casca. &lt;br /&gt;Ativar a linha do novo modelo. A emoção será tamanha que não vou resistir... vou chorar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, me surpreender com algo. &lt;br /&gt;Algo profundo demais. &lt;br /&gt;Algo inesperado. &lt;br /&gt;Não sei o que é isso ou simplesmente não admito? &lt;br /&gt;É um sentimento estranho que eu não sentia há tempos. &lt;br /&gt;Uma lebrança ornada de ternura que faz aflorar de mim um sorriso surpreso e triste. &lt;br /&gt;Saudade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O dândi que eu era&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escrevi aquelas coisas e ela não gostou. &lt;br /&gt;Nunca mais escrevo aquelas coisas. Ou não ao menos daquele jeito. &lt;br /&gt;Quis um beijo dela e ela me negou. &lt;br /&gt;As outras coisas, muito menos. &lt;br /&gt;Mas eu não aprendo mesmo hein? Vc não entende que eu sou o inocente nisto tudo e faço o q faço por eu ser um doente. É mais forte que eu. Chamam a isso pulsão, sabia? Ela diz não... É que eu camuflo minha inércia com este caô de doença. Isso é desculpa de dândis, re-diz. Eu sou aquele que se contenta em ostentar vazios e emoldurar fracassos pra se colocar sobre algum tipo de pódio... nem que seja o dos idiotas. Disse ela que eu fumo demais do pior cigarro barato por achar muito foda posar de fudido. Ela acertou em cheio (como sempre). Eu poso de fudido pq é tudo o q tenho... além da nicotina &amp;amp; alcatrão. &lt;br /&gt;Mas depois de toda essa zorra, ela me beijou... mesmo assim ela me beijou. &lt;br /&gt;Não vou te dizer que não me senti bem em vê-la toda nervosinha me chamando de dândi. Qual moleque não se sente importante quando leva um carão da mamãe? O ponto alto, sem dúvida, foi me desmascarar... eu curto posar de fudido com o cigarro Campeão destruindo minha garganta e pulmão. Pois é, ela diz isso e depois me beija com tanta força que esqueço até do meu ego. Aí eu morro e vivo de novo. Entro em combustão instantânea. Desfeito em cinzas, espalhado no chão pra que me pisem e eu fique aderente ao solado dos sapatos urbanos pra daí a 15 minutos voltar a ser gente, admirar-se e dizer: essa é a melhor droga do mundo. &lt;br /&gt;Depois dessa só mesmo um "tá bem tá bem, vou mudar". Sair com a pose entre as pernas e recolher-se à minha insigni... Epa. Olha eu posando de novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, essa mulher tem uma boca melhor que qualquer spa, que qualquer cvv, superior aos 12 passos de budha... que qualquer 5 meses de divã... melhor q tai-chi, melhor q a maconha do norte... melhor q posar de outsider... melhor que quebrar as normas e leis... melhor que provocar o guardinha... melhor q pichar mais alto que todos... melhor que brigar com o vizinho... melhor que mandar tomar no cu e que mandar se fuder... melhor que escrever baboseira... É melhor que sol-de-bom-dia e banho quente. Se eu não retribuir logo fico sem essa droga de boca... e isso não pode. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, beibe, parei de fumar... Campeão. &lt;br /&gt;Amanhã, eu juro, procuro outra marca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Palhacinho &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os 125 paus que ela chupou naquela semana, aquele, sem dúvida, era o mais estranho. Na verdade, não lembrava de ter chupado pau assim em toda sua vida. &lt;br /&gt;Frocado e frio, mesmo entumecido. &lt;br /&gt;Exageradamente torto. Incomum. Estranho. Cinzento. E triste. &lt;br /&gt;Nunca concebeu pau assim. O choque foi instantâneo. Estava pronta para tudo... ou achava que estava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As meninas o chamavam de Palhacinho. "Aí Amanda, hoje vc vai descabelar o Palhacinho." E riam. Como riam. &lt;br /&gt;Palhacinho não era exatamente pequeno. Até deveria ter um tamanho normal... se fosse perfeito. Talvez aquele jeitão, entre o cômico e o trágico, tenha gerado esse apelido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando incrédula e nervosa, tentando frear as emoções confusas que pareciam querer sair por seu rosto, a menina Amanda deixou escapar um sussurro: "Palhacinho". &lt;br /&gt;O dono do pau, levantou-se lentamente. "Oi?" &lt;br /&gt;O dono do pau era mulato mediano. Nem forte nem fraco. Nem alto nem baixo. Brasileiro normal de cabelo maquinado 2. &lt;br /&gt;Apesar de dono de um pau pavoroso, notridâmico, era terno e bom. Assim percebia Amanda, que por ser mãe e puta exemplar percebe tudo mais que as mães e putas normais. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108606004439855937?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108606004439855937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108606004439855937' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108606004439855937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108606004439855937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/06/brinquedo-de-vingana-jasmim-me-quer.html' title='Brinquedo de vingança. Jasmim me quer com ela dentro do chão. Crise de abstinência. Magia Moderna. O dândi q eu era. Palhacinho.'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108489918069551923</id><published>2004-05-18T14:43:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T19:23:25.216-02:00</updated><title type='text'>Procurador </title><content type='html'>Eu só quero que alguém me diga: pra que serve um Procurador?&lt;br /&gt;Aproveitem a deixa e me digam também pra que serve um Desembargador?&lt;br /&gt;Indo na onda dessa indagação toda me diga: pra que serve tudo isso?&lt;br /&gt;Relatores, Auditores, Conselheiros, Assessores, Secretários, Vereadores. Administradores e Magistrados. Títulos que escritos devem começar sempre com caixa alta. Doutores. Sempre Doutores. Copo de whiskye na mão e outra pra apertar. Eu quero que alguém me diga pra que serve tudo isso.&lt;br /&gt;Não me importo que me chamem de ignorante, mas não me chama de simplório não. Pelamordedeus.&lt;br /&gt;Só pq eu perguntei isso o sujeito de gravata me olhou com cara estranha e se sentiu ofendido. Mas que porra. Como se eu estivesse a sacanear alguém. Peraí não é bem assim. Agora eu pergunto: tá ofendido pq, Vossa Excelência?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108489918069551923?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108489918069551923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108489918069551923' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108489918069551923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108489918069551923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/05/procurador.html' title='Procurador '/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108433376641779475</id><published>2004-05-11T20:11:00.011-02:00</published><updated>2004-11-22T19:35:59.256-02:00</updated><title type='text'>Thomás Antunes</title><content type='html'>Um dia se cansou.&lt;br /&gt;Não mais frequentava os sites pornôs; não mais se refugiava no fracasso; nem odiava mais os outros; cansou-se de orar virado para onde nasce a intolerância; estava farto de aguardar pelo pior na esquina mais próxima; não substituía mais a palavra pessimista por realista; não compensava a solidão colecionando cultura; não odiava mais a lentidão dos velhos e nem a superatividade dos menores; nem encarava mais a beleza com raiva; não queria mais a morte de deus; não invejava os maridos das belas e inteligentes; não tinha mais cabeça pra pesadelos; fechado pra balanço. Fechado e lacrado numa embalagem moderna. Tinha agora decidido ser do contra sendo a favor de algo. Tornara-se um novo homem. Era a favor do que afinal? Escreveria um livro de auto-ajuda? Não tinha saco pra isso.&lt;br /&gt;Se cansara de tudo de uma forma tão vasta que atingira um tipo de nirvana. Realmente não se explica o que lhe aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sei. Thomás Antunes virou pastor. Não não ele comprou uma arma. Ah... então são as duas coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ruas lhe deram boa noite.&lt;br /&gt;E Thomás Antunes deu início a Grande Correção do Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108433376641779475?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108433376641779475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108433376641779475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108433376641779475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108433376641779475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/05/thoms-antunes.html' title='Thomás Antunes'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108431778009841846</id><published>2004-05-11T20:11:00.010-02:00</published><updated>2004-07-19T22:37:20.903-02:00</updated><title type='text'>Schmidt. Mãe.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Schmidt&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite in-tei-ra ela teve que chupar aquele pau mole. &lt;br /&gt;Isso foi a primeira coisa que ela falou quando chegou à agência. &lt;br /&gt;Estava emputecida. A puta. &lt;br /&gt;Seu nome era Schmidt. Não o dela... O dele, o do pau mole. O dela naquela hora era Amanda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pau mole de Schmidt... Foi um programa pra lá de estranho. &lt;br /&gt;Assim q chegou na agência, às 22 horas, Dona Carla falou prela do cliente hospedado em Ipanema. Prometia... Apartamento em frente ao mar... Duas horinhas de atendimento. Chegou lá de táxi. &lt;br /&gt;Um prédio de poucos andares e muito vidro. Vidro fumê na portaria. Mesa de vidro pro porteiro. Divisórias de vidro fumê. Até as esculturas (umas mulheres sem rosto) eram de vidro. &lt;br /&gt;O porteiro perguntou o andar. Quinto. “Ah... É Seu Chimite!!!” O severino falou. “Pode subir.” Nem precisou ligar. Que ótimo. O severino foi bonzinho. &lt;br /&gt;O elevador era uma enormidade. Moraria uma família ali. &lt;br /&gt;Demorou para o alemão abrir a porta do elevador e ainda abriu com lerdeza. &lt;br /&gt;“Oi neném.” Ela optou pela saudação dengosa. &lt;br /&gt;Atendeu a porta um bebê branco gigante, calvo e magricela com a narina toda branca: “Ói. Vochê Amanda?” Ele falava com a voz torta de gringo cheirado. &lt;br /&gt;“Chou chim, neneumzaum gotojo” Ela saudou, brasileiramente efusiva. &lt;br /&gt;“Eu Schimdt. Euntra.” Completou o alemão e ela euntrou no recinto. &lt;br /&gt;Fora um sofá mofento e umas mesinhas (de vidro) tinha pouca coisa na sala. Um jornal gringo (devia ser alemão), um punhado de dólares no chão, uma bermuda florida toda molhada e cheia de areia no sofá... As poucas coisas que tinham no apê pareciam jogadas... “Ai, q neném bagunchêlo hein? Ai ai”. Ela realmente havia optado pela recepção dengosa. Mas isso ainda não parecia ter tido efeito sobre o bebê gigante europeu que só se balançava e a olhava com cara de espanto. Estava com uma bermuda tão florida quanto a do chão. Só que essa era laranja. &lt;br /&gt;“Chenta, Amanta?” Ele repetiu. &lt;br /&gt;“Vem cá, bem, onde tem telefone? Tenho q ligar pra agencia.” disse Amanda. &lt;br /&gt;“Tafone ashi?” disse Schmidt. &lt;br /&gt;Ficaram se olhando um tempo. O alemão pendulando e ela, sem reação, até concluir: “Tah bom, nen, deixa q tia Amanda procura o tetel-lefone tah?” Ai meu pai. – desabafou baixinho. &lt;br /&gt;Achou o tel, fez a ligação e aproveitou pra desabafar mais: “porra, me arranjaram um alemão cheiradão. Se bobear o pau dele nem sobe.” Dona Carla: “Sorte sua. Qualquer problema me liga. C acha que ele é violento?” Amanda: “Não não. Tadinho. Parece um bebêzão. Isso não ofende nem uma barata.” Desligaram. &lt;br /&gt;Quando chegou na sala o alemão tinha sumido. “Chimiditeeee. Neneeem. Cadê vochê?” &lt;br /&gt;O bebê gritou lá de dentro: “AmantaAAA!” Os gritos a levaram a um quarto onde o alemão tava estirado numa cama enorme com a bermuda caída até o joelho e o piruzim à mostra. &lt;br /&gt;“Chupa Amanta Chupa Chimite” – ele pedia, todo torto. &lt;br /&gt;Ficou desconcertada olhando aquela tripa encolhida em cima do saco, em cima da cama. “Ai qui bunitim o pipiu de Neném tah dormindo. Vamo acordar o piupiu branquinho?” ela arriscou. &lt;br /&gt;“Chupa Amanta Chupa Schmidt” – insistiu e aproveitou para jogar umas notas de dólar na direção dela. Ela juntou as notas e botou na bolsa indo dar um trato na tripa do alemão. Foi um custo: tirar de vez a bermuda do gringo, posicionar o bicho na cama, aturar o cheiro de whiskye mas o difícil mesmo foi pegar na tripa. Mas ela pegou. Era uma questão de honra e Amanda tinha uma qualidade: uma vez num programa, ela ia até o fim. &lt;br /&gt;“Chupaaa” reclamou o bebê dando mais uma mamada no whisky. &lt;br /&gt;Amanda disse depois que perdeu conta do tempo que perdeu chupando aquela “bronha frocada”, aquele caramujo, aquela... coisa. Dentro da boca a sensação era de estar chupando uma Maria-mole salgada... salgada de praia ainda por cima. Isso foi como depois ela narrou a história pras outras meninas e pra mim. &lt;br /&gt;A noite foi passando e suas reações foram mudando a cada momento. Primeiro, a perseverança por um objetivo a alcançar. Depois a raiva de estar naquela situação esdrúxula. Daí, a resignação de estar cumprindo um dever com sua família e, por fim, a sensação de que aquilo tinha que terminar logo. Mas mal tentava tirar a cabeça e a porra do gringo a empurrava de volta. &lt;br /&gt;“Chupa e Schimite Goja” prometia o torto. &lt;br /&gt;Viu então outra saída. Chupou um pouco mais, daí ficou com a boca parada, para não ficar com cãibra. Esperou com a pequena bola de carne na boca até ouvir o ronco do gringo. Depois se levantou e procurou um banheiro para lavar a boca. No banheiro, em cima da privada, viu o retângulo de vidro com os restos de pó. Lavou o rosto na pia depois tirou o vidro e tratou de aliviar a uretra. &lt;br /&gt;Sentada na privada ficou um tempo olhando a superfície do vidro e o branquinho em cima dela. Por exatos 9 segundos sentiu uma paz absurda. Não pensou em nada. Total silêncio em sua cabeça. Então... “Amantaaa”. O bebê gringo despertou. Se arrumou e foi pro quarto mas ele já havia sumido. Foi pra sala e lá estava ele com outro retângulo de vidro dando uma baita cheirada. Chegou perto. Ele estava usando uma nota de dólar para cheirar. Primeiro uma narina, depois, a outra. Daí, levantou a cabeça e aí ela até achou bonitinho pq ele falou todo choroso: “Amanta não gosta chimite?” Ela realmente ficou dengosa ao ouvir isso e respondeu: “Ai nenen. Amanta gosta chimite. Gosta sim... Vem.” então pegou o gigante e o embalou o corpo semi-nu em cima do sofá. No colo dela Chimite olhou prela com cara suplicante e lhe deu a nota que usou como canudo. Ela ficou segurando aquele dólar branco sem saber o que fazer enquanto Schmidt voltou à mesa para cheirar com outra nota. Assim que acabou entregou a nota como presente para Amanda. Virou um joguinho. Schmidt cheirava uma nota e assim que acabava a entregava para Amanda. Mas até esse brinquedo cansou. Amanda já tinha umas 15 notas de dólar estocadas na bolsa. Sua paciência estava acabando. Olhou o relógio e viu que aquele programa estava pra terminar... ai santo pai, enfim. “Nen, hora de tia Amanta ir emboraaa. Tah?” &lt;br /&gt;Schimidt levantou a cabeça e pedaçinhos de pó caíram do seu nariz. “Não!” disse talequal criança. “Mas chimite... cabou. Tia tem hora.” retrucou Amanta, maternal. &lt;br /&gt;“Não!! Não!! Não!!!” – reclamou Schimdt e agora, fazia bico e estava todo vermelho. Ela ainda tentou argumentar mas o alemão se recusava a deixá-la falar e gritava tampando o ouvido. “Não! Não! Nãaaao!!!! AMANTA FICA!!! CHIMITE QUER AMANTA FICAAAA!!!” &lt;br /&gt;“CHIMITE!!!” – gritou Amanda usando sua experiência de mãe e puta – “QUIETO!!! OUVE!!!” O bebê branquela congelou com a boca aberta e os olhos cintilando. “Presta atenção. Eu fui paga pra ficar DUAS horas. DUAS horas. Pra tia ficar mais, chimite teria q pagar mais.” disse conclusiva, resoluta, firme e vencedora. Sem perder mais tempo se levantou pra se arrumar. O programa havia encerrado. &lt;br /&gt;“Schimite paga mais. Amanta fica” – fechou o alemão. &lt;br /&gt;Amanda parou como Dadá... No ar. &lt;br /&gt;“Mas...” – ela ainda arriscou. E Schimdt a olhou, desafiador e triunfante. “Ah te peguei” – ele parecia dizer. “... Mas Amanda vai ter q ligar pra agência pra avisar. ” ela, desanimada. &lt;br /&gt;“Liga.” disse o gringo, e concluiu: “Amanta fica. Chimite paga.” e jogou mais dólares nela. &lt;br /&gt;Cosnternada, ela foi pro telefone. Dna. Carla atendeu e ela explicou. A coroa foi direta: “Ótimo...Fica mais. Fica o quanto esse gringo puder pagar.” e desligou na cara da menina. &lt;br /&gt;Amanda olhou o gringo e lá estava o danado de narinas brancas, sorrindo de orelha a orelha, sacanamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite se arrastou... O gringo cheirando e se enxarcando de uísque, Amanda chupando o pau mais mole da Terra. Lá pelas tantas Amanda surtou. &lt;br /&gt;“Chega de cheirar, seu gringo maluco. Chega.” ... e lá estava Schmidt de novo com cara de criança q fez caca e leva um ralho. Ela se levantou e continuo com o dedo em riste, reprobatório. “Olha o seu estado. Seu pau está mole. Ouviu? MOLE! É horrível chupar um pau mole, sabia???” Schmidt ouvia, constrangido, abraçado à garrafa de uísque. “Que merda!” ela ainda reclamou pra finalizar. Então o gringo chorou. Abriu o berreiro e Amanda ficou pasma. De novo. “Amanta briga com Chimite. Amanta não gosta.Buaaa” &lt;br /&gt;“Pára, Chimite. Pára.” mas era tarde. Não havia lugar pra razão. O gigante estava triste. Pacas. Foi então q Mamãe Amanda voltou. “Nén... Pála de cholar nén. Pála... P. favor. Pála. Vem cá, vem com tita Amanta.” e abraçou-o e ficou ninando o marmanjo que se refugiava em seu brinquedo alcoólico. Aliás, aproveitou a deixa para dar um gole de alívio. Duas, três horas se passaram. Amanda e seu bebê supercrescido dormiram abraçados desajeitadamente no sofá. &lt;br /&gt;Amanda despertou duas horas depois. A cabeça latejando muito. Empurrou o marmanjo pro canto e foi pra janela da sala. A cortina cobria a maravilhosa visão pro mar. Abriu e a luz preencheu tudo. Lá fora o sol ardia, o céu ia se saturando de um azul anil, forte e sem obstáculos. O horizonte e mar formavam uma tela de azul sobre azul. Impressionante tela. &lt;br /&gt;Lá embaixo, na porção bege da paisagem, alguns pontinhos pequenos iam chegando e ocupando seus lugares. Barracas sendo armadas. O som crescente de uma praia em um falso inverno. Amanda ia buscando o nada naquela paisagem e ia se perdendo em um pensamento indefinido e cansado, quase canino. Voltou à realidade com o chamado agonizante e baixinho: “Amaaanta.” O gringo. Chegou até o bebê e ele ergueu a mão. “Fecha janela. Luuuuz.” reclamou. &lt;br /&gt;“Na-na-não. Nenen tem q ver luz. Se não nenen fica dodói, tah?” &lt;br /&gt;“Ó... tia Amanta tem q ir agora, tá?” &lt;br /&gt;“Chimite paga. Fica.” – murmurou. &lt;br /&gt;“Não. Chega de ‘chimite paga’. Tia Amanta vai pegar dinheilo e vai pa casinha, tá?” &lt;br /&gt;“Tá” - disse o chimite resignado. &lt;br /&gt;“Ó, titia quer q chimite toma banho e toma solzinho tah? E chega de chelá pozinho blanco tah?” &lt;br /&gt;“Tá” – respondeu o chimite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanda pegou mais alguns dólares, olhou o relógio do celular, fez cálculos mentais e pegpu também os reais correspondentes ao período que ficou. Foi embora. &lt;br /&gt;Ainda olhou uma vez mais pro bebê germânico que roncava de costas para uma tela pulsante de azuis celeste e marítimo. Desceu no elevador com uma família atarantada – duas crianças e os pais. Na portaria, deu um tchau ao severino. Pegou o táxi e rumou pra sua casa... bem longe da zona sul. Nos dias seguintes ainda pensou em Schmidt, seu pau mole e sua cara de bebê. Talvez tenha se apaixonado... O fato é que nunca mais o veria novamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mãe &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse menino é um saco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente casa. Tah feliz, né? &lt;br /&gt;Aí cisma de ter filhos. Vem a infelicidade. &lt;br /&gt;Não tem nada pior que ter filhos. É padecer no caos. &lt;br /&gt;Deus quis que fosse um. Louvado seja. &lt;br /&gt;Mas me deste um que equivale a mil desgraçados. &lt;br /&gt;Meu marido é um merda que não sabe se impor mas eu sei. Já sentei tanto cacete no moleque que até quebrei meu punho. Fiquei tão puta que quase matei ele com meu salto alto. Mas pensa que ele pára? Não. Ele continua. Ele me tortura. Logo eu que sou sua mãe. Mãe é pra respeitar, caralho. Eu não vou dizer pra vcs que sou capaz de matar meu filho. Não sou assassina. Mas tem gente que é. &lt;br /&gt;Veja só que eu contratei essa pretinha da favela daqui do lado sabendo bem do currículo dela. Foi difícil convencê-la mas enfim aceitou por 500 reais - e queria mil, a filha da puta. Não dou. Não vou permitir que uma favelada tente me dobrar ou barganhar a morte do meu filho - apesar de tudo... é meu filho. Combinados os 500, combinei sair de casa pra cuidar do meu corpo - os 40 tão chegando... Ficou ela, o moleque e o combinado. Eu voltava lá, via o estrago, gritava - ia ser um prazer - depois chamava os vizinhos, os bombeiros e a polícia - com a graça de Deus. &lt;br /&gt;Pois bem... Passei a tarde na academia. A professora falou que eu tava nervosa. E tava mesmo. Mas não pense que eu tinha arrependimento... Não não... A sensação era única. Quase um orgasmo como quando ganhei um celular Samsung novinho do meu marido - com funções de voice recorder e autocall. &lt;br /&gt;Tava doida pra chegar em casa e ver as novidades. Aquela mobília nova caída no chão. &lt;br /&gt;Tem graça. Preto só faz merda. Se for mulher então danou-se... Cheguei e tava ela brincando com meu filho. Fiquei pasma. Chamei a vaca pra cozinha e falei: "porra. q é isso? e o combinado?" Ela disse: "toma teu dinheiro. o menino se comportou tão direitinho hoje...Quem sabe amanhã?" &lt;br /&gt;Puta merda. &lt;br /&gt;Quer saber? Foda-se o meu filho... Essa vaca vai ter q pagar. &lt;br /&gt;Mas deixa estar que eu tenho um vizinho que tem uma empresa de segurança. Essa gente costuma ter cada contato... &lt;br /&gt;Depois me livro do verme. &lt;br /&gt;Com a graça de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108431778009841846?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108431778009841846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108431778009841846' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108431778009841846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108431778009841846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/05/schmidt-me.html' title='Schmidt. Mãe.'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108431449879496627</id><published>2004-05-11T20:11:00.001-02:00</published><updated>2004-05-22T03:23:21.363-02:00</updated><title type='text'>O Garoto-Preguiça. Berthold &amp; Martha. Sorria. Morro da Formiga. Brutalismo. Piparote. etc</title><content type='html'>----------------&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Canção do Garoto-Preguiça&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Foda-se – ele disse.&lt;br /&gt;-	Foda-se – ele repetiu.&lt;br /&gt;E assim, deitado na cama, ele repetia "foda-se"... o dia inteiro.&lt;br /&gt;E o dia passou e veio outro dia e então recebeu o sol em seu rosto e seus olhos se iluminaram.&lt;br /&gt;-	Foda-se – ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bertold &amp; Martha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Eu sou uma merda. – concluiu Martha se olhando no espelho.&lt;br /&gt;-	Eu sou uma merda. – concluiu Berthold se olhando no espelho.&lt;br /&gt;Berthold e Martha estavam a 1 km de distância um do outro.&lt;br /&gt;Berthold morava no inicio da rua.&lt;br /&gt;Martha, no final.&lt;br /&gt;Os dois estavam nus.&lt;br /&gt;Os peitos de Martha estavam levemente caídos. Martha os suspendeu levemente e os soltou. Eles deslizaram pra fora das mãos... Caídos e, no entanto, muito pequenos... Estes eram os peitos de Martha.&lt;br /&gt;Berthold tinha uma pança q caia levemente sobre si mesma. Berthold alisou a ponta.&lt;br /&gt;Alisou e puxou o ar para dentro. A barriga se recolheu. Soltou o ar e ela voltou ao ponto de origem. Não era das grandes.&lt;br /&gt;Eram solteiros e estavam nus.&lt;br /&gt;-	Q porra. – disse Martha aos seus cabelos secos.&lt;br /&gt;-	Porra – disse Berthold para suas entradas.&lt;br /&gt;Berthold &amp; Martha foram pra rua ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Moravam em andares iguais. Juntos, porém distantes, chegaram à mesma rua.&lt;br /&gt;Um desceu. O outro subiu.&lt;br /&gt;Martha andava lenta. Berthold andava confuso.&lt;br /&gt;Ela, na calçada direita. Ele, na calçada esquerda.&lt;br /&gt;E assim eram Berthold &amp; Martha, um casal feio, que se sentia uma merda, morava na mesma rua e nunca se encontraram até chegar aos 70. Curiosamente morreram na mesma idade e foram enterrados no Caju.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sorria&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo um livro de auto-ajuda aprendi a sorrir.&lt;br /&gt;Tendo aprendido a sorrir com este apoio tão singular fui à rua ganhar o mundo com minha alegria sem par.&lt;br /&gt;Na rua, fui ao mercado, peguei umas coisas e fui para a fila – que não era pequena.&lt;br /&gt;Na fila, fui simpático e solícito como o livro me recomendou.&lt;br /&gt;Fui gentil com a idosa. Cedi a vez a uma barriguda cestrosa. Fui bom “para com” meus semelhantes ainda que fossemos bem diferentes e muitos não sorrissem pra mim como eu, que sorria assim :-))) &lt;br /&gt;Ao sair do mercado, amigos, sorri ao humilde mendigo e até me desculpei pois comigo dinheiro ele não ia arranjar, mesmo tendo moedas no bolso - todas a tilintar.&lt;br /&gt;Sai a andar. Ai q vontade de cantar. Vendo o sol a despontar com sua energia a abençoar os cidadãos a passear. Alguns ao trabalho se encaminham e outros nem trabalho tinham. Todos simplesmente andam e andam... como eu. &lt;br /&gt;Um pequeno menino de rua ao me ver sorrir me perguntou: “ta rindo de que meu tio?”&lt;br /&gt;E eu lhe disse: “pra ti, criança, e pra mim. viva a esperança. sorria como eu sorrio!”.&lt;br /&gt;Ao ouvir essa frase bonita seu rostinho sofridinho se iluminou e, como eu, ele também sorriu. E ele disse: “ó meu tio querido já que estás tão alegre dê um dinheiro pra mim pois preciso de cola cheirar para também sorrir sem parar.” E fiquei tão feliz que felizes fomos os dois para a loja de tinta a cantarolar. E quem nos via na rua se contagiou com tamanha alegria e juntos todos nós fomos um pouco de cola comprar. E é esta mensagem que deixo: menino, menina, queridos, sorriam todos os dias e vamos nos inundar de alegrias para litros de cola cheirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I Campeonato de Frases e Interjeições Derradeiras do Morro da Formiga&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil nos dias de hoje reunir-se num bar com seus amigos para uma boa conversa... botar os assuntos em dia... divagar.&lt;br /&gt;Eles eram 5 amigos. Todos assaltantes. Todos assassinos.&lt;br /&gt;Pinduca foi quem começou. Sua especialidade era assalto em sinal. Assaltava de moto, ele e Babau.&lt;br /&gt;-	Aí... a pior que o cara me mandou foi essa: “Cristinho.” Imagina, tu encosta a arma na cabeça do camarada e o babaca se vira pra vc e diz: “Cristinho”?!&lt;br /&gt;Geléia e Miltinho riram mas sem muito gosto. Pinduca continuou:&lt;br /&gt;-	Porra, quando eu ouvi aquilo comecei a rir. Atirei no cara de tanto rir. Vai tomar no cu!!! “Cristinho” é foda! – ele não cansava de repetir. Como se quisesse faze-los entender a graça da coisa.&lt;br /&gt;Geléia pegou a garrafa mas a cerva já tinha acabado. Levantou o braço mas o Sequela já tinha trazido mais outra.&lt;br /&gt;-	Uma vez eu tava no segundo sinal na saída da General Dantas, perto do Cemitério e vi uma Palio chegando. Fui pa trás dum tapume... lembra duma obra q tava rolando lá em setembro? pois é, nessa época eu assaltava muito naquele sinal. Devia ser umas der da noite. Nessa época, o Tito do Borel descolou uma 38 pa mim.&lt;br /&gt;-	Sei. – disse Pinduca.&lt;br /&gt;-	Ahn – disse Babau.&lt;br /&gt;Miltinho e Seqüela tavam só esperando.&lt;br /&gt;- Pulei do tapume, colei devagarzinho no carro e fui seguindo, abaixado e pensando: “Taí. Vou matar esse filhadaputa” – continuo Geléia.&lt;br /&gt;-	Ahn – disse Babau de novo.&lt;br /&gt;-	Levantei duma só vez, nem esperei... Meti 3 tiros no vidro. Esculachei a porra da janela fumê todinha. Tu acredita q tava o babaca lá olhando pa mim com a cara lisinha e falou (repetindo com voz fininha): “Me mata não.” Puta merda, malandro. Aí, eu ri muito. O babaca inda teve tempo de rir também. Estourei a testa do filhadaputa no volante.&lt;br /&gt;-	Aha aha essa foi boa. Gostei. – disse Babau.&lt;br /&gt;-	Ta. Então ouve essa: “Eu tava na Francisco Bicalho, eram 11 da manhã. Eu devia ta muito cheirado pra trampar a essa hora mas... beleza. Cheguei andando mermo na maior cara dura, doidão e vi um casal saindo do mercado e entrando numa Pagero. Saca aquela grandona? Muito linda, cumpadi. Fui na moral. Cheguei lá os dois tavam no maior amasso. Maior lambeção. (Miltinho ficou simulando o casal).&lt;br /&gt;-	Ah ahaha – ria Babau.&lt;br /&gt;-	Calaboca Babau deixa eu acabar a história... Porra.&lt;br /&gt;Os outros 3 riram da bestice de Babau. Que prego.&lt;br /&gt;-	Fiquei lá em pé vendo os dois se esfregando aí dei uma porrada no capô. Ae... engraçadão. Primeiro o babaca falou: “Cole negão. Cadê o respeito?” Aí meti o cano na boca do filhadaputa e disse: “Ta aqui” Pimba. A lorinha do lado ficou todinha cheia de miolo de namorado. Agora... cs não vão acreditar no que ela falou.&lt;br /&gt;-	Ahn – disse Babau&lt;br /&gt;-	O q? – disse Geléia e Seqüela.&lt;br /&gt;-	“Tem mãe não, filadaputa?”&lt;br /&gt;-	AAHAHAHHAHHA  e aí ?– riram todos&lt;br /&gt;-	Ué aí eu falei... hahah... “não” e meti uma nos oxigenado dela.&lt;br /&gt;-	Puta merda. Essa foi boa pa caralio. &lt;br /&gt;Miltinho era muito bom de conversa. Rapaz inteligente. Sabia como prender a atenção.&lt;br /&gt;Dez dias depois Seqüela mataria Miltinho por questões de mulher.&lt;br /&gt;Era a vez de Seqüela.&lt;br /&gt;-	Eu tava na moto mais o finado Gordinho da Maré. Lembram? &lt;br /&gt;Eles acentiram sem muito esforço.&lt;br /&gt;-	Bom, eu e Gordinho da Maré chegamo numa van... Ae presta atenção que essa é foda... &lt;br /&gt;Seqüela não tinha o mesmo talento pra narrador. Perdia muito tempo querendo forjar suspense. Era pretencioso.&lt;br /&gt;-	Encostamo na van na hora qela parou num sinal. Tinha um gordo barbado no volante que já não topava com o pessoal da área há tempos... e dois moleque do morro atrás. Gritei assim... “Ae Papai Noel... Pára essa merda...”e mostrei o berro. Os moleque eram da minha área. Sabiam pq eu tava ali. O cara tava encomendado. Colei na van. Ele não parou. Filhadaputa. Queria dirrubar eu e Gordinho. Quase em frente aquela loja de pineus, os moleque saltaro da van. Devem ter se ralado muito. Eu dei um tiro no nariz do puto e ele quebrou a fuça num poste. Cheguei lá pra ver colé e o viado inda tava vivo. Meti o cano no zovido dele e a última coisa quele falou, todo fanho por causa do nariz fudido, foi: “Fafai Roel é a futa q te...” PIMBA. Ahahah Ta vendo só q filadaputa folgado eu fui arranjar? Ahahaha&lt;br /&gt;Os amigos riram meio sem gosto. Esta foi meio dura de engolir. Babau ainda deu uma risada e ficou repetindo: “Fafai Roel hahaha”&lt;br /&gt;Tinha chegado a vez de Babau. Todos olhavam pra ele.&lt;br /&gt;-	E aí, Babão??? Conta ae!!!&lt;br /&gt;Os bandidos ensaiaram um coro e Babau fez uma cara bonita e falou:&lt;br /&gt;-	Eu matei minha mãe no sinal sem querer.&lt;br /&gt;Suspense.&lt;br /&gt;- Ela falou "Filho"... e eu atirei.&lt;br /&gt;Ficou um silêncio filhadaputa no bar. Depois foi Miltinho quem puxou a risadaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, esse Babau é mermo um prego... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Obra Sem Paralelo de G. Shweissman&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com grande espanto que a mídia recebeu a primeira exposição de trabalhos de Gustav Shweissman. &lt;br /&gt;Gustav era um austríaco de 22 anos. Um desconhecido no mundo da Arte.&lt;br /&gt;Seu nome, porém, virou sinônimo do que havia de mais contestador e transgressor na arte. Um revolucionário, muitos críticos disseram e ainda dizem.&lt;br /&gt;O que se sabe é que Gustav não era um estudante de artes. Era um simples desocupado.&lt;br /&gt;Sem formação aproveitável. Morava como agregado na casa de conhecidos e perambulava nas ruas. Um dia, porém, apareceu na avenida principal do centro de negócios com uma tela de madeira de 80cm x 1m e 20 chamando a atenção de todos que passavam. No meio da tela cinza e suja havia um dedo. Um dedo preso por um prego.&lt;br /&gt;A polícia foi chamada. Prederam Gustav. A mídia tratou de se manifestar. Que louco era esse? O que queria com isso? Gustav foi transformado no novo salvador da Arte Contemporânea. Inventaram mil nomes para esta nova corrente e, dias mais tarde, foi noticiado um Manifesto Brutalista.&lt;br /&gt;Técnicos da Perícia foram impedidos de fazer a investigação pela força da mídia e da torrente de adoradores brutalistas que surgia. A Instituição nada podia fazer e o Governo optou por abrir um inquérito. O mundo todo comentava o novo movimento artístico.&lt;br /&gt;“O Dedo” de Gustav já se equiparava em popularidade à grandes obras como a “Marylin” de Warholl e “O Grito” de Munch. Era um caminho sem volta.&lt;br /&gt;Enquanto o Mundo, a Mídia e a Arte discutia o valor ético da obra de Gustav, o rapaz agredia o mundo com um novo feito que iria abalar toda a estrutura do se convencionou chamar Arte. “As Línguas do Mundo” (Tongues World) consistia num varal com línguas penduradas... por pregos. O lugar de exibição não poderia ser mais constrangedor: a Catedral.&lt;br /&gt;Eram 28 línguas ao todo.&lt;br /&gt;A Arte Brutalista de Gustav parou o mundo.&lt;br /&gt;Indo contra os reclames do Vaticano e de toda Sociedade Institucionalizada, uma rica fundação mantida pela maior fabricante de bebidas do mundo, resolveu patrocinar a pesquisa de Gustav.&lt;br /&gt;Cinco meses depois era anunciada ao mundo a primeira grande exposição Brutalista.&lt;br /&gt;Todos que antes haviam desafiado a Arte se curvavam à coragem e à expressividade de Gustav. O rapaz, porém, se mostrava, como sempre, pacato e sem cerimônias. Sobre sua arte só tinha uma coisa a dizer: “ela fala por mim.”&lt;br /&gt;A Grande Exposição Brutalista trazia também novos nomes totalmente desconhecidos ao mundo da arte. Com o apoio da fundação, Gustav cooptou outros talentos para juntos formar o “Brutzkrieg”, uma nova classe de artistas que seriam a base da Escola Brutalista.&lt;br /&gt;Em março, um ano depois do choque da exposição do Brutzkrieg, o grupo anunciou que ia abrir uma escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegara a hora de ensinar o brutalismo ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Último Show do Palhaço Piparote&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele seria o último show do Palhaço Piparote.&lt;br /&gt;Na havia alvoroço nenhum. Nem multidões. Nem nada.&lt;br /&gt;Havia a mesma dúzia de pessoas de sempre.&lt;br /&gt;Com certeza eu era o único apreensivo. &lt;br /&gt;Eu tinha 12 anos.&lt;br /&gt;A lona era duma pobreza lacrimosa. Também as pessoas que entravam.&lt;br /&gt;Os mesmos banquinhos velhos de madeira poída esperavam a mesma gente sem riso de sempre.&lt;br /&gt;Sentamo-nos. Piparote entrou no palco. Ninguém aplaudiu.&lt;br /&gt;Nem luzes tinham mais. As luzes haviam se apagado há seis meses e cadê quem acendesse? &lt;br /&gt;O primeiro número foi uma homenagem ao seu cãozinho Bodoque que morrera de velho. Era um número clássico de Piparote. O cão, caso ali estivesse, saltaria 3 vezes pelo arco em chamas e no final cumprimentaria a platéia andando sobre as patas traseiras. Exceto pelo arco sem chamas e pela invisibilidade de Bodoque era o mesmo número de sempre. &lt;br /&gt;Ao término, Piparote agradeceu os não-aplausos da platéia e correu ao camarim para o próximo número.&lt;br /&gt;Desta vez, era uma seqüência de gags com seu parceiro Peteleco. Peteleco, que tivera uma isquemia, estava paralisado e incapaz de se expressar corporalmente. Ficaria no fundo do palco em seu caixotinho com rodas e o rosto pintado tombado para a direita. No centro do picadeiro, Piparote caía, rolava no chão, levava chutes invisíveis na bunda e caía de novo, levava tortas invisíveis no rosto e pauladas na cabeça olhando sempre para Peteleco, seu agressor ausente. Peteleco não esboçava reação... era só um boneco enfeitado de alegria.&lt;br /&gt;Ao término, Piparote agradeceu os não-aplausos da platéia e correu ao camarim, levando  o palhaço apático consigo. &lt;br /&gt;Os próximos números foram os mesmos de sempre... Sempre utilizando seus objetos e parceiros fictícios. O truque da corda. A hipnose da serpente. O coreto de palhaços.&lt;br /&gt;Ao término de tudo, Piparote agradeceu os não-aplausos da platéia que se levantou em silêncio e foi embora.&lt;br /&gt;Ainda não muito longe da lona decadente, olhei para trás e vi Piparote desarmando o circo.&lt;br /&gt;Puxava de uma perna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; A Lei do Meu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realize meu sonho e vá tomar no seu cu.&lt;br /&gt;Quisera poder falar isso de uma forma democrática e esporrenta. Mas não posso e respondo com um sorriso. Vou me embora certo de ter mais uma noite mal dormida pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Miltis não é assim.&lt;br /&gt;Dona Ana do 605 era uma velha de 83 anos e tarde dessas bateu na porta do Miltis pra mandar que tocasse "o saxofone mais baixo seu egoísta". Miltis deve ter tido um lampejo qualquer mas não foi bonito o resultado. Dona Ana (Donana) dormiu na cadeira de balanço ninando uma bala em sua testa. É isso o que dá exigir seus direitos. Os tempos agora são outros, filhote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu que não me faço de rogado (adoro essa expressão) tomo cá minhas precauções. Como bom covarde que sou não me irrito mais com meus vizinhos... quer dizer, me irrito sim mas prefiro ficar na minha... vai lá que o moleque de 7 anos é cruel e me mata com a arma do pai adevogado ou mesmo seu pai - adevogado - pega a arma guardada na caixinha do armário que não entregou pra campanha bonita do governo e me detona a cabeça... Eu não. Faz o seu barulho, filhinho. Faz tudo pra me irritar. É isso aí. Vai fazendo enquanto durmo com meu sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polícia ainda tá investigando.&lt;br /&gt;O moleque de sete anos não vai mais jogar videogame até as tantas da noite com volume no máximo enquanto seus pais trepam. Vai é dormir no caixãozinho da família. Deu essa vergonha pro seu avô e morreu antes do pobre canceroso. Saindo da escola tomou um tiro no ouvido cheio de pircim... ninguém sabe de onde veio, ninguém sabe pq, ninguém sabe o dono da bala. Então ficou como bala perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi. Eu também tenho arma. E não é só o pai dele que é adevogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108431449879496627?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108431449879496627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108431449879496627' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108431449879496627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108431449879496627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/05/o-garoto-preguia-berthold-martha.html' title='O Garoto-Preguiça. Berthold &amp; Martha. Sorria. Morro da Formiga. Brutalismo. Piparote. etc'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108381561158095740</id><published>2004-05-06T01:53:00.000-02:00</published><updated>2004-07-19T22:43:15.376-02:00</updated><title type='text'>A fórmula da Água.</title><content type='html'>Esse cara não tem nada pra falar e continua se comportando como um verme. O q q ele merece? Água. Foi o q eles gritaram. Então afogaram o infeliz no Tanque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não gosto muito de lembrar dessa história, mas é difícil pois o infeliz era eu. Tem vezes - quando lembro mais do que quero (e isso geralmente é à noite) - que sinto o gosto na boca. Ainda tem muito da Água em mim. Vai ficar a vida inteira. Tem dessa sujeira no meu sangue. Vê se me entende. Pesca algo na sua cabeça que se encaixe com o q acabei de descrever. Tenta enxergar um momento assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada resposta errada... Cada vez que eu me comportava como um verme era o Tanque o meu presente. Depois que encerrava a sessão me levavam pro Quarto dos Fedidos. Neste quarto... e sempre neste quarto... ficávamos horas olhando pro chão por vergonha de nos encararmos. Alguém sempre chorava. Ouvindo os soluços eu pensava em chorar também... mas sempre, sempre mesmo, que pensava nisso a porta do Quarto se abria e, eu já nem devia me espantar mais, botavam alguém da minha família pra dentro. Na primeira vez foi minha filha mais velha, depois o pequeno, agora minha mulher. Eu já não devia me espantar. Daí que eles entravam assim, sempre muito limpos e cheirosos... como agora ela está. Muito mais bonita que em nosso casamento. E o espanto de vê-la durava dois covardes segundos e ela nem chegou a me ver... Como identificar um graveto sujo num oceano de lama? Se eu reagia e levantava o braço, se eu chamava ou tentava gritar... então meu braço se perdia nos outros braços fedidos e meu grito aumentava o grande grito do Quarto. Pra vcs. Por vcs. Daí era chegar pra frente e correr, os fedidos corriam também. Irracional, nós te amassamos contra a parede. Tua pele e roupas tão limpas são agora o alvo de dedos curiosos de mãos estranguladoras de braços tenazes de corpos sujos de carnes fracas de gente fedida. Eu, era sempre jogado pra trás. Sempre pronto a assistir o previsível desenrolar dos fatos. Me negando a ver mas ainda assim ouvindo. &lt;br /&gt;E se eram covardes os dois segundos em que eras bonita e sadia, eram monstruosos os selvagens minutos em que te transformaram em carne amorfa e fedida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são boas lembranças... não são. Então fica difícil eu descrever pra você a sujeira do Tanque, o gosto da Água e o cheiro do Quarto... Ao menos se vc tivese uma referência parecida com a minha. Mas não tem. Não é? O que eu sei é que o gosto é impossível esquecer. Mas prentendo ser mais eloquente que isso. Desculpe-me se não for convincente o bastante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que eu aprendi o que me foi ensinado no Quarto. Vem. Vem que eu te mostro a Fómula da Água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108381561158095740?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108381561158095740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108381561158095740' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108381561158095740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108381561158095740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/05/frmula-da-gua.html' title='A fórmula da Água.'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108251331317877453</id><published>2004-04-21T01:08:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T19:34:29.743-02:00</updated><title type='text'>Outra pessoa em seu lugar</title><content type='html'>E mais uma vez ele não olhou para trás.&lt;br /&gt;E ela fechou uma conclusão baseada numa teoria muito velha: aquele amor não tinha futuro. Ela andou duas quadras e parou de instante em instante para olhar o passado. Viu que ele não saltou do ônibus e, pior, o ônibus sumiu na virada pra deixar a rua do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esperança é uma arma de suicídio - pensou.&lt;br /&gt;E subiu o seu rumo passando por postos de gasolina muito sujos e outros muito limpos. Viu o movimento em uns, a falta-de em outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem dois lados na vida: o dos que não olham pra trás e dos que esperam esse último olhar - ainda que finjam que não. É simples assim. Ela entendeu fazer parte do segundo time. Não foi nada bom perceber isso. Em instantes ela estava no quarto de seu próprio peito e viu a menina de dentro olhando pra trás... ainda que a de fora andasse pra frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem dois lados na rua: a dos carros que sobem e o das pessoas que descem. É possível contar seus próprios passos quando se pensa muito. E esta contagem não é nada bonita. Cada passo é feito de medo pois te faz mais distante do que poderia ter sido e te faz mais perto do que já se foi e deixou de ser. Deixou de ser bom para ser uma rua molhada e uma noite sozinha. Deixou de ser ignorar as distâncias pra ser a contagem dos passos, dura como um surdo de marcação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai indo e tenta esquecer.&lt;br /&gt;Vai indo e tenta esquecer.&lt;br /&gt;Descanse, menina. Muitos caras inda vão pegar ônibus e carros e motos e bicicletas. Muitos irão pra aeroportos e portos, rodoviárias ou irão mesmo para um prédio ou bairro vizinho e ainda assim parecerá tão longe quanto se fosse do outro lado da Terra. E pior será tanto mais perto for... vc vai morrer de medo da fatalidade de ver que ele está logo ali ali, sendo ele mesmo com outra pessoa e você ficará miserável, moça. Miserável quase mendiga... Assistindo de longe a existência dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não ligue. Um dia é vc que não vai olhar para trás.&lt;br /&gt;E nesse dia, será outra pessoa em seu lugar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108251331317877453?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108251331317877453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108251331317877453' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108251331317877453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108251331317877453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/04/outra-pessoa-em-seu-lugar.html' title='Outra pessoa em seu lugar'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108198690987803550</id><published>2004-04-14T21:55:00.000-02:00</published><updated>2004-07-19T22:48:07.806-02:00</updated><title type='text'>4:30 no seu ombro sob o teto do futuro.</title><content type='html'>Hoje vou realizar um velho sonho. &lt;br /&gt;Eu vou ficar com minha cabeça recostada no seu ombro a noite inteira. &lt;br /&gt;Hoje vou simplesmente desligar-me. Vê. É assim... Se foi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu ombro. Só isso. A noite inteira esperando o dia. &lt;br /&gt;Desliguemos a casa. Ninguém precisa de tanta luz. &lt;br /&gt;Se eu pudesse desligaria a cidade. E vc? Tá bom. Tá bom. Deixa assim. Vc sempre diz q eu tenho uma tendência à hiperventilação. Deixa. &lt;br /&gt;Cansados estamos e vamos... Só um pouco. A noite inteira e quem sabe a vida também. Daqui do seu ombro eu vejo um mundo inclinado e distante vestido de preto. Luzes dóceis. Vidas domésticas domesticadas. Arranjos randômicos de massas construídas... E o escuro obscuro que, no entanto, é o mais certo disso tudo... um teto de incerto futuro.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108198690987803550?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108198690987803550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108198690987803550' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108198690987803550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108198690987803550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/04/430-no-seu-ombro-sob-o-teto-do-futuro.html' title='4:30 no seu ombro sob o teto do futuro.'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108152055847435120</id><published>2004-04-09T13:22:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T19:32:19.460-02:00</updated><title type='text'>A Origem do Vingador Estóico</title><content type='html'>- Dê um beijo nela!&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Sim... Vc mesmo... De camisa amarela! – repetiu o mascarado, gritando e apontando a arma – Dê um beijo nela.&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Vem cá! C quer ser desintegrado? Eu SEI q vc está a fim dela. Não é? Diga!!!&lt;br /&gt;- Sim, e-estou.&lt;br /&gt;- E vc? Eu sei q vc vai deixá-lo te beijar.&lt;br /&gt;- Mas... – ela falou com medo.&lt;br /&gt;Estávamos conversando sentados um do lado do outro. Quando ele apareceu na lanchonete com sua arma de raios e gritou: “A-HÁ!” e apontou em nossa direção.&lt;br /&gt;A arma agora estava encostada na cabeça dela... Meu deus... Q situação.&lt;br /&gt;- Beije... agora.&lt;br /&gt;Vamos garoto, beije a garota. Esta é sua oportunidade. Eu sei que é o que vc quer. Ela&lt;br /&gt;ainda não sabe mas é isso o melhor para ela também. Ela não pode continuar com esses calhordas que ela sai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela é muito linda... Mara. Que coisa maluca. Pq ele me escolheu? Que tipo de tarado é esse? Isso não pode estar acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que loucura. Esse cara com essa máscara e essa capa. O que ele acha que é? Um herói? Ou um vilão? Deve ser um psicopata. Será que Paulinho vai me beijar? Talvez seja melhor deixar... O mascarado disse que é isso o que ele quer. Será que isso tudo é arranjado? Ó que pesadelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Beije a garota. - falo, rispidamente.&lt;br /&gt;“Kiss the girl” – se eu fosse um herói americano esta frase teria ficado mais impactante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão linda. Quer saber? Não faço idéia de quem seja esse maluco mas ele salvou meu dia. Olho para Mara. Coração a mil. Sinto uma ânsia no ar. Todos na lanchonete estão na mesma sintonia, na mesma expectativa. Ela está paralisada com a arma de raios em sua cabeça, mas vejo ela fechar os olhos e mover os lábios tão lentamente que e hipnotiza. Acho que posso ver seus dentes. Beije a garota, eu penso, com meu cérebro adolescente. Nos tocamos. Não sei o que acontece depois e esqueço o mascarado.&lt;br /&gt;O lábio dela é quente. (...) Hmmm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que estou nesse absurdo vou até o fim. O lábio dele é quente e... (...) (...) Lábio. Mais lábio. Língua (...) Quente... (...) Hmmm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vejo se beijando e sinto prazer por meu trabalho. Foi feita a Justiça. É isso o que me move em minha luta para servir à nossa frustrada humanidade. Lembro de minha origem, enquanto o casal se beija. A origem do... Vingador Estóico.&lt;br /&gt;Eu tinha 26 anos. Estava acabando o curso de 5 anos na faculdade de Psicologia. Minha vida era uma frustração emocional sem fim e confirmando o senso comum que diz que 90% dos psicólogos escolhem essa carreira para se auto-analisar abracei a Psicologia de corpo e alma. Ó sim... Eu estava esfuziante diante das possibilidades. Poder ajudar as pessoas. Essa era minha meta mas a vida tem seus sortilégios, ó sim. Minha vida ainda era uma seqüência interminável de frustrações amorosas mesmo tendo me auto-analisado a luz dos ensinamentos de Freud, Reich e tantos outros. Tinha ciência de meus entraves e havia detectado a criação zelosa e hiperprotetora de meus pais como fonte de meus problemas de relacionamento. Mas havia algo errado... pq a razão, a ciência suprema dos relacionamentos não havia me trazido a solução de meus problemas? O mesmo observava nos casos que passava a analisar em meu consultório no Grajaú. Ao fim de um dia ouvindo toda sorte de frustrações, traumas e mágoas eu me sentia vencido. Anos de estudo nada ajudaram – concluí. Não sabia o que dizer aos meus pacientes se não sabia o que dizer à mim mesmo. Ó. Encarava o retrato de meu pai fitando o infinto – sempre sorridente e vitorioso. “Pai” – eu disse – “eu não quero enganar as pessoas”. Eu estava bêbado. Sim, eu estava. Havia me entregue à bebida para esquecer o fracasso profissional e pessoal em que me afundava. “Maldito... O q vc fez para ser tão... FELIZ?” gritei. Sim, meu pai, o Dr. Antonio Gülbenkim foi um homem feliz... profissionalmente realizado com uma carreira de sucesso... bem casado com uma mulher excepcional que lhe deu amor e felicidade durante os 88 anos de sua vida... um homem firmemente harmonizado... a imagem da tranqüilidade... um exemplo como profissional. “Como?” Lá estava eu, um bêbado triste. Um belo consultório de nada vale se lá trabalha um coração vazio. Mágoas, ó... Desengonçado joguei o copo de whiskye em seu retrato. Mais um fracasso... Errei.&lt;br /&gt;E o copo foi parar na estante. Que idiota eu sou. Mas este erro iria me conduzir por uma viagem que mudaria minha vida. Levantei-me ensandecido para apanhar o copo do chão mas me desequilibrei e derrubei a pesada estante de jacarandá com seus livros. Fui soterrado pela pilha e sinto nas costas o peso esmagador da Psicanálise. Fiquei lá no chão. Imobilizado... Ao acordar, tentei sair do lugar mas não sentia minhas pernas. Gritei, ó deus, como gritei desesperadamente por socorro. Mas a secretária não estava mais lá. Passei um fim-de-semana soterrado naquele chão e deitado sobre um tapete cópia de persa. Então, senti.... Sob minha mão havia um livro de capa dura e letras douradas mas muito poído pelo tempo. Incapaz de mover meu corpo, movi o livro com a mão e li a capa. Estava escrito simplesmente: “AMOR.” Não dizia mais nada. Não tinha o nome do autor. Desajeitadamente, com uma mão só, fui lutando para folhear suas páginas amarelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(AGUARDE CONTINUAÇÃO DESTA INCRÍVEL AVENTURA DO... VINGADOR ESTÓICO...)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108152055847435120?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108152055847435120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108152055847435120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108152055847435120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108152055847435120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/04/origem-do-vingador-estico.html' title='A Origem do Vingador Estóico'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108087115699615569</id><published>2004-04-01T23:59:00.000-02:00</published><updated>2004-04-08T01:12:40.576-02:00</updated><title type='text'>Garoto-Preguiça. Berthold &amp; Martha. Sorria. Morro da Formiga. Piparote.</title><content type='html'>----------------&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Canção do Garoto-Preguiça&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Foda-se – ele disse.&lt;br /&gt;-	Foda-se – ele repetiu.&lt;br /&gt;E assim, deitado na cama, ele repetia "foda-se"... o dia inteiro.&lt;br /&gt;E o dia passou e veio outro dia e então recebeu o sol em seu rosto e seus olhos se iluminaram.&lt;br /&gt;-	Foda-se – ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bertold &amp; Martha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-	Eu sou uma merda. – concluiu Martha se olhando no espelho.&lt;br /&gt;-	Eu sou uma merda. – concluiu Berthold se olhando no espelho.&lt;br /&gt;Berthold e Martha estavam a 1 km de distância um do outro.&lt;br /&gt;Berthold morava no inicio da rua.&lt;br /&gt;Martha, no final.&lt;br /&gt;Os dois estavam nus.&lt;br /&gt;Os peitos de Martha estavam levemente caídos. Martha os suspendeu levemente e os soltou. Eles deslizaram pra fora das mãos... Caídos e, no entanto, muito pequenos... Estes eram os peitos de Martha.&lt;br /&gt;Berthold tinha uma pança q caia levemente sobre si mesma. Berthold alisou a ponta.&lt;br /&gt;Alisou e puxou o ar para dentro. A barriga se recolheu. Soltou o ar e ela voltou ao ponto de origem. Não era das grandes.&lt;br /&gt;Eram solteiros e estavam nus.&lt;br /&gt;-	Q porra. – disse Martha aos seus cabelos secos.&lt;br /&gt;-	Porra – disse Berthold para suas entradas.&lt;br /&gt;Berthold &amp; Martha foram pra rua ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Moravam em andares iguais. Juntos, porém distantes, chegaram à mesma rua.&lt;br /&gt;Um desceu. O outro subiu.&lt;br /&gt;Martha andava lenta. Berthold andava confuso.&lt;br /&gt;Ela, na calçada direita. Ele, na calçada esquerda.&lt;br /&gt;E assim eram Berthold &amp; Martha, um casal feio, que se sentia uma merda, morava na mesma rua e nunca se encontraram até chegar aos 70. Curiosamente morreram na mesma idade e foram enterrados no Caju.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sorria&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo um livro de auto-ajuda aprendi a sorrir.&lt;br /&gt;Tendo aprendido a sorrir com este apoio tão singular fui à rua ganhar o mundo com minha alegria sem par.&lt;br /&gt;Na rua, fui ao mercado, peguei umas coisas e fui para a fila – que não era pequena.&lt;br /&gt;Na fila, fui simpático e solícito como o livro me recomendou.&lt;br /&gt;Fui gentil com a idosa. Cedi a vez a uma barriguda cestrosa. Fui bom “para com” meus semelhantes ainda que fossemos bem diferentes e muitos não sorrissem pra mim como eu, que sorria assim :-))) &lt;br /&gt;Ao sair do mercado, amigos, sorri ao humilde mendigo e até me desculpei pois comigo dinheiro ele não ia arranjar, mesmo tendo moedas no bolso - todas a tilintar.&lt;br /&gt;Sai a andar. Ai q vontade de cantar. Vendo o sol a despontar com sua energia a abençoar os cidadãos a passear. Alguns ao trabalho se encaminham e outros nem trabalho tinham. Todos simplesmente andam e andam... como eu. &lt;br /&gt;Um pequeno menino de rua ao me ver sorrir me perguntou: “ta rindo de que meu tio?”&lt;br /&gt;E eu lhe disse: “pra ti, criança, e pra mim. viva a esperança. sorria como eu sorrio!”.&lt;br /&gt;Ao ouvir essa frase bonita seu rostinho sofridinho se iluminou e, como eu, ele também sorriu. E ele disse: “ó meu tio querido já que estás tão alegre dê um dinheiro pra mim pois preciso de cola cheirar para também sorrir sem parar.” E fiquei tão feliz que felizes fomos os dois para a loja de tinta a cantarolar. E quem nos via na rua se contagiou com tamanha alegria e juntos todos nós fomos um pouco de cola comprar. E é esta mensagem que deixo: menino, menina, queridos, sorriam todos os dias e vamos nos inundar de alegrias para litros de cola cheirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I Campeonato de Frases e Interjeições Derradeiras do Morro da Formiga&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil nos dias de hoje reunir-se num bar com seus amigos para uma boa conversa... botar os assuntos em dia... divagar.&lt;br /&gt;Eles eram 5 amigos. Todos assaltantes. Todos assassinos.&lt;br /&gt;Pinduca foi quem começou. Sua especialidade era assalto em sinal. Assaltava de moto, ele e Babau.&lt;br /&gt;-	Aí... a pior que o cara me mandou foi essa: “Cristinho.” Imagina, tu encosta a arma na cabeça do camarada e o babaca se vira pra vc e diz: “Cristinho”?!&lt;br /&gt;Geléia e Miltinho riram mas sem muito gosto. Pinduca continuou:&lt;br /&gt;-	Porra, quando eu ouvi aquilo comecei a rir. Atirei no cara de tanto rir. Vai tomar no cu!!! “Cristinho” é foda! – ele não cansava de repetir. Como se quisesse faze-los entender a graça da coisa.&lt;br /&gt;Geléia pegou a garrafa mas a cerva já tinha acabado. Levantou o braço mas o Sequela já tinha trazido mais outra.&lt;br /&gt;-	Uma vez eu tava no segundo sinal na saída da General Dantas, perto do Cemitério e vi uma Palio chegando. Fui pa trás dum tapume... lembra duma obra q tava rolando lá em setembro? pois é, nessa época eu assaltava muito naquele sinal. Devia ser umas der da noite. Nessa época, o Tito do Borel descolou uma 38 pa mim.&lt;br /&gt;-	Sei. – disse Pinduca.&lt;br /&gt;-	Ahn – disse Babau.&lt;br /&gt;Miltinho e Seqüela tavam só esperando.&lt;br /&gt;- Pulei do tapume, colei devagarzinho no carro e fui seguindo, abaixado e pensando: “Taí. Vou matar esse filhadaputa” – continuo Geléia.&lt;br /&gt;-	Ahn – disse Babau de novo.&lt;br /&gt;-	Levantei duma só vez, nem esperei... Meti 3 tiros no vidro. Esculachei a porra da janela fumê todinha. Tu acredita q tava o babaca lá olhando pa mim com a cara lisinha e falou (repetindo com voz fininha): “Me mata não.” Puta merda, malandro. Aí, eu ri muito. O babaca inda teve tempo de rir também. Estourei a testa do filhadaputa no volante.&lt;br /&gt;-	Aha aha essa foi boa. Gostei. – disse Babau.&lt;br /&gt;-	Ta. Então ouve essa: “Eu tava na Francisco Bicalho, eram 11 da manhã. Eu devia ta muito cheirado pra trampar a essa hora mas... beleza. Cheguei andando mermo na maior cara dura, doidão e vi um casal saindo do mercado e entrando numa Pagero. Saca aquela grandona? Muito linda, cumpadi. Fui na moral. Cheguei lá os dois tavam no maior amasso. Maior lambeção. (Miltinho ficou simulando o casal).&lt;br /&gt;-	Ah ahaha – ria Babau.&lt;br /&gt;-	Calaboca Babau deixa eu acabar a história... Porra.&lt;br /&gt;Os outros 3 riram da bestice de Babau. Que prego.&lt;br /&gt;-	Fiquei lá em pé vendo os dois se esfregando aí dei uma porrada no capô. Ae... engraçadão. Primeiro o babaca falou: “Cole negão. Cadê o respeito?” Aí meti o cano na boca do filhadaputa e disse: “Ta aqui” Pimba. A lorinha do lado ficou todinha cheia de miolo de namorado. Agora... cs não vão acreditar no que ela falou.&lt;br /&gt;-	Ahn – disse Babau&lt;br /&gt;-	O q? – disse Geléia e Seqüela.&lt;br /&gt;-	“Tem mãe não, filadaputa?”&lt;br /&gt;-	AAHAHAHHAHHA  e aí ?– riram todos&lt;br /&gt;-	Ué aí eu falei... hahah... “não” e meti uma nos oxigenado dela.&lt;br /&gt;-	Puta merda. Essa foi boa pa caralio. &lt;br /&gt;Miltinho era muito bom de conversa. Rapaz inteligente. Sabia como prender a atenção.&lt;br /&gt;Dez dias depois Seqüela mataria Miltinho por questões de mulher.&lt;br /&gt;Era a vez de Seqüela.&lt;br /&gt;-	Eu tava na moto mais o finado Gordinho da Maré. Lembram? &lt;br /&gt;Eles acentiram sem muito esforço.&lt;br /&gt;-	Bom, eu e Gordinho da Maré chegamo numa van... Ae presta atenção que essa é foda... &lt;br /&gt;Seqüela não tinha o mesmo talento pra narrador. Perdia muito tempo querendo forjar suspense. Era pretencioso.&lt;br /&gt;-	Encostamo na van na hora qela parou num sinal. Tinha um gordo barbado no volante que já não topava com o pessoal da área há tempos... e dois moleque do morro atrás. Gritei assim... “Ae Papai Noel... Pára essa merda...”e mostrei o berro. Os moleque eram da minha área. Sabiam pq eu tava ali. O cara tava encomendado. Colei na van. Ele não parou. Filhadaputa. Queria dirrubar eu e Gordinho. Quase em frente aquela loja de pineus, os moleque saltaro da van. Devem ter se ralado muito. Eu dei um tiro no nariz do puto e ele quebrou a fuça num poste. Cheguei lá pra ver colé e o viado inda tava vivo. Meti o cano no zovido dele e a última coisa quele falou, todo fanho por causa do nariz fudido, foi: “Fafai Roel é a futa q te...” PIMBA. Ahahah Ta vendo só q filadaputa folgado eu fui arranjar? Ahahaha&lt;br /&gt;Os amigos riram meio sem gosto. Esta foi meio dura de engolir. Babau ainda deu uma risada e ficou repetindo: “Fafai Roel hahaha”&lt;br /&gt;Tinha chegado a vez de Babau. Todos olhavam pra ele.&lt;br /&gt;-	E aí, Babão??? Conta ae!!!&lt;br /&gt;Os bandidos ensaiaram um coro e Babau fez uma cara bonita e falou:&lt;br /&gt;-	Eu matei minha mãe no sinal sem querer.&lt;br /&gt;Suspense.&lt;br /&gt;- Ela falou "Filho"... e eu atirei.&lt;br /&gt;Ficou um silêncio filhadaputa no bar. Depois foi Miltinho quem puxou a risadaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, esse Babau é mermo um prego... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Obra Sem Paralelo de G. Shweissman&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com grande espanto que a mídia recebeu a primeira exposição de trabalhos de Gustav Shweissman. &lt;br /&gt;Gustav era um austríaco de 22 anos. Um desconhecido no mundo da Arte.&lt;br /&gt;Seu nome, porém, virou sinônimo do que havia de mais contestador e transgressor na arte. Um revolucionário, muitos críticos disseram e ainda dizem.&lt;br /&gt;O que se sabe é que Gustav não era um estudante de artes. Era um simples desocupado.&lt;br /&gt;Sem formação aproveitável. Morava como agregado na casa de conhecidos e perambulava nas ruas. Um dia, porém, apareceu na avenida principal do centro de negócios com uma tela de madeira de 80cm x 1m e 20 chamando a atenção de todos que passavam. No meio da tela cinza e suja havia um dedo. Um dedo preso por um prego.&lt;br /&gt;A polícia foi chamada. Prederam Gustav. A mídia tratou de se manifestar. Que louco era esse? O que queria com isso? Gustav foi transformado no novo salvador da Arte Contemporânea. Inventaram mil nomes para esta nova corrente e, dias mais tarde, foi noticiado um Manifesto Brutalista.&lt;br /&gt;Técnicos da Perícia foram impedidos de fazer a investigação pela força da mídia e da torrente de adoradores brutalistas que surgia. A Instituição nada podia fazer e o Governo optou por abrir um inquérito. O mundo todo comentava o novo movimento artístico.&lt;br /&gt;“O Dedo” de Gustav já se equiparava em popularidade à grandes obras como a “Marylin” de Warholl e “O Grito” de Munch. Era um caminho sem volta.&lt;br /&gt;Enquanto o Mundo, a Mídia e a Arte discutia o valor ético da obra de Gustav, o rapaz agredia o mundo com um novo feito que iria abalar toda a estrutura do se convencionou chamar Arte. “As Línguas do Mundo” (Tongues World) consistia num varal com línguas penduradas... por pregos. O lugar de exibição não poderia ser mais constrangedor: a Catedral.&lt;br /&gt;Eram 28 línguas ao todo.&lt;br /&gt;A Arte Brutalista de Gustav parou o mundo.&lt;br /&gt;Indo contra os reclames do Vaticano e de toda Sociedade Institucionalizada, uma rica fundação mantida pela maior fabricante de bebidas do mundo, resolveu patrocinar a pesquisa de Gustav.&lt;br /&gt;Cinco meses depois era anunciada ao mundo a primeira grande exposição Brutalista.&lt;br /&gt;Todos que antes haviam desafiado a Arte se curvavam à coragem e à expressividade de Gustav. O rapaz, porém, se mostrava, como sempre, pacato e sem cerimônias. Sobre sua arte só tinha uma coisa a dizer: “ela fala por mim.”&lt;br /&gt;A Grande Exposição Brutalista trazia também novos nomes totalmente desconhecidos ao mundo da arte. Com o apoio da fundação, Gustav cooptou outros talentos para juntos formar o “Brutzkrieg”, uma nova classe de artistas que seriam a base da Escola Brutalista.&lt;br /&gt;Em março, um ano depois do choque da exposição do Brutzkrieg, o grupo anunciou que ia abrir uma escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegara a hora de ensinar o brutalismo ao mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Último Show do Palhaço Piparote&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele seria o último show do Palhaço Piparote.&lt;br /&gt;Na havia alvoroço nenhum. Nem multidões. Nem nada.&lt;br /&gt;Havia a mesma dúzia de pessoas de sempre.&lt;br /&gt;Com certeza eu era o único apreensivo. &lt;br /&gt;Eu tinha 12 anos.&lt;br /&gt;A lona era duma pobreza lacrimosa. Também as pessoas que entravam.&lt;br /&gt;Os mesmos banquinhos velhos de madeira poída esperavam a mesma gente sem riso de sempre.&lt;br /&gt;Sentamo-nos. Piparote entrou no palco. Ninguém aplaudiu.&lt;br /&gt;Nem luzes tinham mais. As luzes haviam se apagado há seis meses e cadê quem acendesse? &lt;br /&gt;O primeiro número foi uma homenagem ao seu cãozinho Bodoque que morrera de velho. Era um número clássico de Piparote. O cão, caso ali estivesse, saltaria 3 vezes pelo arco em chamas e no final cumprimentaria a platéia andando sobre as patas traseiras. Exceto pelo arco sem chamas e pela invisibilidade de Bodoque era o mesmo número de sempre. &lt;br /&gt;Ao término, Piparote agradeceu os não-aplausos da platéia e correu ao camarim para o próximo número.&lt;br /&gt;Desta vez, era uma seqüência de gags com seu parceiro Peteleco. Peteleco, que tivera uma isquemia, estava paralisado e incapaz de se expressar corporalmente. Ficaria no fundo do palco em seu caixotinho com rodas e o rosto pintado tombado para a direita. No centro do picadeiro, Piparote caía, rolava no chão, levava chutes invisíveis na bunda e caía de novo, levava tortas invisíveis no rosto e pauladas na cabeça olhando sempre para Peteleco, seu agressor ausente. Peteleco não esboçava reação... era só um boneco enfeitado de alegria.&lt;br /&gt;Ao término, Piparote agradeceu os não-aplausos da platéia e correu ao camarim, levando  o palhaço apático consigo. &lt;br /&gt;Os próximos números foram os mesmos de sempre... Sempre utilizando seus objetos e parceiros fictícios. O truque da corda. A hipnose da serpente. O coreto de palhaços.&lt;br /&gt;Ao término de tudo, Piparote agradeceu os não-aplausos da platéia que se levantou em silêncio e foi embora.&lt;br /&gt;Ainda não muito longe da lona decadente, olhei para trás e vi Piparote desarmando o circo.&lt;br /&gt;Puxava de uma perna.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108087115699615569?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108087115699615569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108087115699615569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108087115699615569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108087115699615569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/04/garoto-preguia-berthold-martha-sorria.html' title='&lt;strong&gt;Garoto-Preguiça. Berthold &amp; Martha. Sorria. Morro da Formiga. Piparote.&lt;/strong&gt;'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-108048685465917224</id><published>2004-03-28T13:14:00.000-02:00</published><updated>2004-07-19T22:53:10.250-02:00</updated><title type='text'>Em março eu fui ao Inferno. Como ser um Idiota.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em março eu fui ao Inferno&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que barato, então o inferno é assim? &lt;br /&gt;Daí, o demônio me disse que a visão “terrena” do inferno nada mais era que uma incisiva campanha de marketing celeste. No entanto, a realidade era bem diferente... Como eu pude constatar. &lt;br /&gt;- Esta classificação... inferno e demônios. Não fomos nós que criamos esses termos... mas em dado momento resolvemos assumir o estereótipo imposto pela cúpula “celeste”. Vimos nisso uma vantagem. Era uma forma de gerar uma pré-seleção. É engraçado ,mas no final das contas, Eles nos ajudaram a manter e até elevar nosso padrão de qualidade. &lt;br /&gt;Interessante. Pergunto ao jovem demônio como se dá essa pré-seleção. &lt;br /&gt;- Muito simples. Não é qualquer um q vem pro nosso lado. O marketing negativo do Inferno é muito forte no âmbito terreno. &lt;br /&gt;De fato... &lt;br /&gt;- As imagens fantasiosas veiculadas pela mídia tecem um mundo de horror e dor eternos. Isso impressiona mesmo os mais obstinados. Não há humano que não tenha em mente a imagem tradicional dos ganchos de ferro e sujeitos costurados com pregos enfiados na cabeça. (risos) &lt;br /&gt;Diante do que vejo, a descrição torna-se realmente hilária. Rimos os dois e continuamos a passear pelo descampado. &lt;br /&gt;- A idéia principal do plano de marketing Deles é vender o Produto Castigo. Tem sido assim há milênios mas agora sentimos que Eles estão perdidos com o que Eles mesmo semearam. &lt;br /&gt;Como assim? &lt;br /&gt;- Há muita intolerância e hipocrisia na Terra de sua época. O fato é que o Produto Castigo não melhorou o Padrão de Qualidade (PQ) para o lado de Lá. Hordas de desocupados, ineptos e conformistas chegam de instante a instante no "Céu". Aquilo está lotado deles... Uns caindo sobre os outros (risos). Em outra oportunidade eu vou lhe mostrar como é que aquilo está. Lá sim, está um verdadeiro Inferno (mais risos). &lt;br /&gt;Passamos por uma imensa construção orgânica... O que é isso? &lt;br /&gt;- Fascinante não? Há pouco tempo chegaram um grupo de cientistas russos e dois dos mais ousados artistas plásticos da Terra. Eles se conheceram aqui e têm realizado experimentos muito legais com arquitetura orgânica. A idéia é criar espaços arquitetônicos que se moldem ao estado de espírito de quem passa. &lt;br /&gt;Incrível. Mas continuemos. Aqui há muito para desconcentrar. Confesso que ainda estou inseguro. Não é possível... Fico na expectativa de que há qualquer momento algum infeliz será jogado num caldeirão de enxofre fervente. (risos) &lt;br /&gt;- Se dependesse de nós não aceitaríamos novas aquisições por aqui. Nunca nosso PQ foi tão elevado. Infelizmente, existe uma norma quanto à distribuição de almas mas temos planos de mudar isso... No momento adequado. &lt;br /&gt;- O fato é que nosso objetivo e o objetivo do fundador nunca foi ser a versão “má” do lado de lá. Somos apenas uma das outras nove opções classificadas genericamente como Inferno. A idéia da divisão mal e bem também foi um problema criado por eles que funcionou durante algum tempo mas agora mostra como é falho. Eles difundiram no plano terreno, um estilo de vida a fim de reprimir e eliminar certos comportamentos que sempre foram um perigo para o lado de Lá. Ousadia, curiosidade, introspecção, surpresa, dinamismo, p. exemplo, sempre foram valores desaprovados na cartilha celeste. Se estruturaram na manutenção de um processo em que nada deve mudar nunca. Enquanto nós... &lt;br /&gt;Nessa hora passamos por uma atividade campal bio-motriz. Não vou descrever até pq é indescritível. Basta saber que eu contei 2 mil participantes. Ao que tudo indica estão construindo um mundo ou um novo tipo de pão.... &lt;br /&gt;- Cara, preciso ir ao banheiro. Vc acredita? – falei. &lt;br /&gt;- (risos) Normal. Vc ainda é uma alma recente. Noções corporais residuais vão estar presentes por algum tempo. Ali... Há um banheiro. Ou mije por aí... não vai feder mesmo (risos). &lt;br /&gt;Prefiro ir ao banheiro. Entro na pequena cabine (ela estava ali antes?). Dentro, uma privada e uma pia. Me lembra algum lugar... Obediente ao cartazinho à minha frente levanto a tampa. Mijo. Não sai nada. Claro. Não tenho líquidos neste corpo. Mas a sensação é a mesma e isso é o que vale. &lt;br /&gt;Quem diria... Eu, no inferno. Sempre fui generoso, desinteressado... tudo bem, um pouco assassino. Mas só um pouco. Admito... matei menos pessoas do que queria. Mas as que matei, matei com gosto. Mereciam. Pelo visto não devo encontrar nenhum deles por aqui. Isso me alivia. &lt;br /&gt;- Que Deus os tenha – falo, rindo. &lt;br /&gt;Cá estou... Em pé, num banheiro do inferno, mijando nada. É pra rir. Rir muito. &lt;br /&gt;Puxo a descarga e saio para encontrar meu demônio-guia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como ser um Idiota&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajo de metrô, encostado num banco e penso: “o Felipe Dyllon é a cara da Cláudia Abreu.” &lt;br /&gt;Passo pelo constrangimento de perceber que estou pensando nisso. &lt;br /&gt;Uma frase dessas não vai ser nada relevante daqui há um ano ou dois. Ou mesmo daqui há alguns meses. Aliás, já não é relevante agora. &lt;br /&gt;Que está acontecendo comigo? &lt;br /&gt;No entanto a revista tá lá na mão daquela senhora. A capa tá ali. É o Felipe Dyllon ou a Cláudia Abreu? É um pensamento tão irrelevante que não valeria este texto. Mas tudo bem, agora foi. Já é tarde. &lt;br /&gt;Chego em casa e o pensamento inda tá na minha cabeça: Felipe Dylon e Cláudia Abreu. Volto pra rua... Resolvi fazer uma coisa. &lt;br /&gt;Putz. Inacreditável. Eu comprei a revista... por causa da capa. Dito e feito: o Felipe Dylon é mesmo a cara da Cláudia Abreu. Mas... será que só eu percebi isso? Haverá mais alguém que possa ter visto isso? &lt;br /&gt;Pego o telefone pra tirar a prova mas Anélia não está em casa. “Deixe recado após o b...” Desligo, puto. Deve estar em casa mas não quer é atender a porra do telefone. Que porra. &lt;br /&gt;Já sei... a internet. &lt;br /&gt;Escrevo um e-mail: “O Felipe Dylon é a cara da Cláudia Abreu.” Indico a revista desmistificadora. Mando para todos os endereços eletrônicos que tenho e outros mais que arranjo de última hora. Demora pacas mas vai. Mais de uma centena de pessoas vão receber isso e vão saber da verdade e... Caralho, que porra de coisa idiota pra se fazer num domingo. &lt;br /&gt;Já sei... vou repensar minha vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-108048685465917224?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/108048685465917224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=108048685465917224' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108048685465917224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/108048685465917224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/03/em-maro-eu-fui-ao-inferno-como-ser-um.html' title='Em março eu fui ao Inferno. Como ser um Idiota.'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-107893816775139394</id><published>2004-03-10T15:00:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T19:33:28.240-02:00</updated><title type='text'>Ode Àquela Que Parou O Trânsito</title><content type='html'>Crisântemos, dálias e antúrios florescem em teu sorriso.&lt;br /&gt;Desmembrado e roto fito teu rosto.&lt;br /&gt;Abençoado, abençoado, meus olhos são. Minha vista fica pura para sempre.&lt;br /&gt;O sol queima com um facho dourado o capô de meu carro.&lt;br /&gt;É sua aparição eterna para mim, donzela.&lt;br /&gt;É sua presença única fonte de prazer para esta alma em estilhaços.&lt;br /&gt;O caminhão se parte mas eu eu não perco de vista teu sorriso.&lt;br /&gt;O gás mortal e o fogo lambem o asfalto mas eu eu não perco teu sorriso.&lt;br /&gt;É de morte esse aroma no ar. É morte para quem quiser cheirar.&lt;br /&gt;Meu corpo... quisera esquecê-lo nas ferragens e poder seguir contigo. Ah, sim. Isso é sangue. É sangue. É meu. É sim. Por isso, fico.&lt;br /&gt;Cerra meus olhos Capitão mas a razão desse desastre vai... logo ali... bonita e satisfeita, sorrindo dálias e semeando corpos pelo meio-fio.&lt;br /&gt;Cerra meus olhos, Capitão, já assisti a tudo. Leva meu imundo corpo que eu levo a imagem dela.&lt;br /&gt;Pra onde ainda não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-107893816775139394?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/107893816775139394/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=107893816775139394' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107893816775139394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107893816775139394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/03/ode-quela-que-parou-o-trnsito.html' title='Ode Àquela Que Parou O Trânsito'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-107814349396661005</id><published>2004-03-01T10:18:00.000-02:00</published><updated>2004-11-11T03:50:05.423-02:00</updated><title type='text'>Menino do Rio. Constato. Operação Condor.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Menino do Rio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vc acharia duma pessoa que tem o mapa dos istêites tatuado nas costas?&lt;br /&gt;Pois é. E se essa figura falasse no celular como um guarda-costas fala ao walkie-talkie?&lt;br /&gt;Nem preciso mais descrever a figura não?&lt;br /&gt;Saiba que seu nome é Caldwell e ele mora na Tijuca.&lt;br /&gt;Caldwell malha diariamente. Defende a pena de morte para mendigos e acredita que a salvação da humanidade está na potência bélica dos EUA. No curso de direito daquela faculdade nova na Barra encontrou pares na idéia de revolucionar o mundo no muque. Andam juntos e nas festas não tem pra ninguém: só dá a Galera do Caldo. Caldo é o óbvio apelido de Caldwell, sarado, candidato a televisivo, neonazista e futuro advogado – quem sabe juiz? Este era o sonho de seu pai e o que era bom pra seu pai era ótimo pra ele também. Não tinha conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, Caldo escolheu a carreira certa. Em 98, juntou um garoto num point da Barra porque ele usava arco na cabeça. Claro que não fez isso sozinho. A Galera ajudou, mas sobrou mesmo pro Caldinho, que era o mentor e que mais barbarizou o moleque segundo relatos de seus próprios amigos. “Não era pra matar.” – disse Caldo pro pai que deu-lhe um puta esporro. Mas tudo bem. Vou cuidar do teu caso. Tenho um amigo que conhece um dos melhores advogados do Brasil. Não era. O pior que o moleque do arco era filho de um cantor bahiano... de renome. Porra, que azar – se ainda fosse um merdinha qualquer. O que ele fez ao moleque foi muito amador perto do que fizeram a Caldo quando foi preso. Ligou várias vezes pra casa chorando mas o pai se recusava a atender. Caldo era um pária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi solto hoje. Sabiam não?&lt;br /&gt;Pouca notícia se deu ao fato, mas semana que vem o pai de Caldo vai virar notícia e estatística... Imaginem que ele vai ser baleado num sinal no meio da Conde de Bonfim... Foi um maluco numa moto.&lt;br /&gt;É uma pena que ninguém vai parar pra analisar isso. Daria uma tragédia familiar... Ainda que curta e banal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Constato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um velho aposentado nu em cima duma cama num quarto escuro em Copa.&lt;br /&gt;Eu olho para o meu piru e lembro de tudo o que eu já fiz com ele.&lt;br /&gt;Foi pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Constato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amanda? Pode subir.&lt;br /&gt;Eu sou um velho aposentado nu em cima duma cama num quarto escuro em Copa.&lt;br /&gt;Eu olho para o meu piru e lembro de tudo o que eu já fiz com ele.&lt;br /&gt;Foi p... A campainha.&lt;br /&gt;Abro. E é ela. Amanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota me afaga a cabeça calva, inclusive a de baixo, sem dizer nada e sorri de mostrar os dentes superiores. Ofereço água. Ela aceita desde que morna. Ela, agora, aqui, se chama Amanda... essa menina... mas eu só a chamo de Gostosa.&lt;br /&gt;- E aí meu velho como anda essa pica? – ela opta pela saudação raivosa. Sabe que eu curto isso.&lt;br /&gt;- Mole... como sempre. – defino.&lt;br /&gt;Ela dá a mais prostíbula das risadas e eu o mais decadente dos sorrisos. Somos eu e ela e ela sabe o que vai acontecer. Jogo ela na cama com a força dos meus braços flácidos que já agarraram muitas putas e mães nessa vida. Mando ela abrir as pernas.&lt;br /&gt;- Mostra essa chana, Gostosa. (entenda com ou sem vírgulas. deixo a gramática para ti).&lt;br /&gt;- Então vem, coroa Safado.&lt;br /&gt;Ela diz esse “safado” com uma arte... uma arte piranha. Ninguém chama ninguém de safado assim. É um coroamento. É medalha no peito. É brasão de ouro.&lt;br /&gt;Ela abre a imensa covona e eu vou lá conferir o material. Língua é pra isso, neném. Vcs que perdem tempo com falas. Fiquem velhos e aprendam a usar sua língua como falo. Fodo-a até minha glote ficar dura. É ainda o órgão mais duro do meu corpo. Sinto algo. Não. Não pense. Não repare. Deixe a mente vagar. Tarde demais: a jactância decresceu. A vontade nem chegou ao grau da intenção.&lt;br /&gt;- Não pára, lingudo. Safado. Babão. Puto. Tarado. chupa Chupador. Vem.. – Amanda declama todas as putarias que conhece tão bem. Ela é o glossário da sacanagem. Atrae a mente de qualquer um. Aquele discurso faria um homem gozar. Um homem jovem. A relutância da idade, porém, ainda tapa os ouvidos do meu pau.&lt;br /&gt;Lambo e lambo. Caninamente eu lambo sim. Tenho muita sede e ela goza...fingimento? Eu sei q não... Amanda é uma profissional por diletantismo. Amanda não mente. Ela curte gozar. Fica toda preguiçosa. Me puxa pela cabeça careca e pela barriga pornográfica. Me agarra com pernas e braços. Minha língua ainda está dura quando me beija pra chupar mesmo. Com vontade. Me estupra com aquela bocarra que já tateou muitas glandes por aí. Amanda é tudo. Se move como serpente. A cama é seu ninho e eu sou um passarinho ali. Tadinho, perdido. Puxa meu piru. Me impede de falar o que eu ia falar.&lt;br /&gt;Pega-o com todos os dedos. Enche a mão. Me mostra seu troféu. Veja só o que tenho aqui, parece dizer. Nem me surpreendo em vê-lo tão duro. Faz e desfaz com o brinquedo de carne em suas mãos. Segura com vontade, vai até onde quer. Me emudece então uma sensação de sair de mim e eu vou saindo até... sair. Penso que morri mas estou sobre uma cama. Um velho aposentado nu numa cama em Copa. Estou cansado e meu pau, satisfeito. Ela também. Ri um bocado. A safada.&lt;br /&gt;- Tchau, velho safado.&lt;br /&gt;O dinheiro está na estante... Ela já sabe. Mulher de falar pouco e fazer muito. Ela é o segredo de eu ainda estar vivo. Não me vejo mas sinto. Sou um homem feliz.&lt;br /&gt;Olho para cima da estante ao lado e encaro o comprimido azul.&lt;br /&gt;Ah que vontade de morrer... de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Operação Condor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Já estou de saco cheio de lésbicas.&lt;br /&gt;Esse papo de admiração à distância já gorou pra mim.&lt;br /&gt;Não entro numa de voyer. Quero ser parte do show.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cara. falando assim vc soa como um mal-resolvido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pois sou mal resolvido mesmo. Odeio gente bem-resolvida.&lt;br /&gt;Não mude de assunto... Estou de saco cheio das lesbos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro se calou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Onde vou é sempre a mesma coisa . Antes, pelo menos, eram duas baiacas ou pelo menos uma com uma cara muito franchona dotada de um buço igualmente ameaçador. Agora, não, são essas garotas lindas, atracadas na pista. São até depiladas!!! Olha lá. Tipo aquelas. Vai lá. Vai tentar conversar...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora, oi. Vcs são namoradas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, somos amigas. Pq?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não beijo meus amigos na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não beija pq vc é mal resolvido... Maneh!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Putz que malas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Viu? Aí elas saem e te deixam lá de pires na mão. Será possível que vou ter que pegar homem pra poder ficar com uma mulher?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pior que sim. Me contaram de um cara que depois que passou a boiolar pegou todas essas minas lesbos. O problema é que ele já não curtia mais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sério? Mas eu nem quero pegar as minas lesbos. Eu só quero saber onde estão as que curtem PI-RO-CA.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Calma. Não precisa gritar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Além do que eu odeio homem. Nem consigo me imaginar pegando em outro pau que não seja o meu. Na verdade, eu mal pego no meu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vc não precisa pegar no pau de ninguém, maneh.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como é? Que porra de bicha vc quer q eu seja, que não pega no pau dos outros? Me diz! Bicha que se preze tem que pegar no pau do outro e metê-lo na bunda, sabia não? Faz parte.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Finja.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão ainda durou algum tempo. Por fim, conseguiu convencer o amigo de que a melhor estratégia era virar (sem trocadilho) gay se realmente queria melhorar seu ibope com as mulheres... mesmo as heteros. Mulheres heteros, segundo pesquisa dos cientistas britânicos, sentem profunda atração por homens boiolas ou pós-boiolas. O número de casos de mulheres que traem seus maridos com boiolas na Grã-Bretanha só é menor que as que traem com outras mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas que merda.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizeram um teste dias depois. Caíram na naite. Foi difícil e necessário beber muito. Escolheram um lugar onde certamente seus amigos não iriam. Não era uma boate gay. Era só uma boate. Que horror – ele pensava. Começaram a se agarrar. O efeito, porém, não foi o esperado e acabaram sendo expulsos por dois seguranças a pedido dos habitués. Levaram chute na bunda – o que, na classe das agressões leves é, certamente, a mais humilhante. A noite, porém, não foi totalmente perdida. Duas meninas saíram arfantes da boate e foram em sua direção. Viram toda a cena e acharam um absurdo de preconceito... Estavam realmente arfantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vcs dançam muito.” disse a que tinha um piercing na sobrancelha. “Fico excitada com homens veados.” disse a outra que tinha cabelo vermelho e 3 bolas de metal na orelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confirmando a pesquisa britânica, comeram as duas garotas. Transaram a noite inteira. Fizeram a festa. Num dado momento uma das garotas, exausta, falou: “Transem aí que nós queremos ver.” Um olhou pro outro. As duas garotas suadas em cima da cama do hotel começaram a rir fininho como se tivessem feito traquinagem... Era a hora da vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“hahaha suas otárias. Nós não somos gays, Fizemos isso só pra poder comer umas lesbozinhas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas ficaram ruborizadas. Chingaram os dois de muitos nomes - coisas feias - e fugiram do quarto deixando dois caras nus com seus pirus moles de fora em cima da cama. Os dois riram pacas e depois foram ao banheiro vomitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moda se espalhou pelas festas e as garotas já não sabem se os caras são mesmo gays ou impostores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q puxa.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-107814349396661005?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107814349396661005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107814349396661005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/03/menino-do-rio-constato-operao-condor.html' title='Menino do Rio. Constato. Operação Condor.'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-107719285424131438</id><published>2004-02-19T10:14:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T19:25:34.960-02:00</updated><title type='text'>Perfeitos. Dna Gersa e Seu Rocha.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Perfeitos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era muito bom isso: acordar todos os dias e ver que ele estava lá.&lt;br /&gt;Ele tinha essa sensação também.&lt;br /&gt;Poder olhar e ver a menina acordar aos poucos. Ver o corpo aparecendo junto com a luz da manhã. Depois passar o dia com o conforto daquela imagem na lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida era um amor perfeito.&lt;br /&gt;Por isso decidiram se separar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo tão perfeito não podia acabar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dna. Gersa e Seu Rocha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gersa, fica tranqüila. – disse o português ao volante.&lt;br /&gt;- Ai, Rocha. Ai Cristo. – respondia Dona Gersa apertando Guia Rex e rosário com as duas mãos.&lt;br /&gt;As ruas agora eram vielas. Cada vez mais estreitas, cada vez mais opressivas. Ninguém nas ruas pra dar informação. Nada... e pareciam mais perdidos ainda. O casamento era na Ilha do Governador e, eles não sabiam, mas estavam na Favela do Abricó, a 10 km do altar.&lt;br /&gt;- Rocha, olha.&lt;br /&gt;Parecia uma patamo mas não era. O carro era grande pacas e tinham cinco caras de fuzil em volta. Um disse: “Pára, porra.”&lt;br /&gt;- Não pára, Rocha. – disse Dna Gersa.&lt;br /&gt;- Está louca? Tem que parar ou eles nos matam!&lt;br /&gt;E o corsa parou. Os fuzis olharam pro carro e os encararam de frente. O do grito meteu uma luz na cara do casal. Primeiro, a estampa pálida de Seu Rocha, depois a de Dona Gersa.&lt;br /&gt;Terror... E mais um bando de emoções loucas espremidas no liquidificador cerebral vascaíno resultaram num insólito:&lt;br /&gt;- Boa noite.&lt;br /&gt;Silêncio entre os bandidos. Que porra era essa? Aquele casal de coroas acossados dentro de um corsa.&lt;br /&gt;- Qual é meu tio??? Desembucha. – gritou o de gritar que também era o da luz. Os outros do bando nada falavam.&lt;br /&gt;Dona Gersa se espremia e seus olhos pareciam que iam estourar. Na cabeça, um horrível sentimento de antecipação dos acontecimentos... Que miséria cair nessa emboscada casual.&lt;br /&gt;Com voz trêmula e cabeça confusa, guiado por instintos ancestrais, seu Rocha falou:&lt;br /&gt;- Pó.&lt;br /&gt;- Quê? – disse o do grito com voz menos gritada.&lt;br /&gt;- Vcs têm pó?&lt;br /&gt;O do grito se calou. Os outros vultos começaram a conversar baixinho. Discutiam algo.&lt;br /&gt;- Ae tio... C quer pó? É isso?&lt;br /&gt;- É. Pó. – disse o lusitano.&lt;br /&gt;- Ah porra. Pensa que me engana? Quer pó porra nenhuma!!!! Fala que q tu quer ou eu te balo.&lt;br /&gt;- Ti juro meu filho. Eu vim aqui por que eu quero uma branquinha.&lt;br /&gt;- ... O tio quer cheirar?&lt;br /&gt;Seu Rocha confirmou com tanta veemência que assustava. Parecia um viciado. Dna. Gersa só fazia sacudir os olhos freneticamente para um lado e pro outro como se buscasse um canto sem vultos.&lt;br /&gt;- E a tia? A tia também quer pó?&lt;br /&gt;- Sim sim viemos aqui pra comprar pó. – atravessou Rocha.&lt;br /&gt;Entre eles, o bandido conversou: “e ae? que que a gente faz?” “mata essas porras” disse um. O celular dum tocou. Era lá de cima. O do grito explicou a situação. Dna Gersa e Seu Rocha assistiam sem querer assistir. Por um segundo, Dona Gersa pensou em sua filha no altar. Será que ela lembrou de levar o broche da avó? De tão absurdo, sentiu vergonha de seu pensamento e voltou a pensar no calvário de Jesus.&lt;br /&gt;- Sai do carro - disse o do grito que também era o do celular.&lt;br /&gt;Os fatos se sucederam da seguinte forma: 1) vendaram os olhos dos portugueses, 2) meteram os dois na traseira do carro, 3) Subiram toda vida. O caminho era uma confusão de pequenas luzes cintilantes que vinham de feixes agudos no breu. 4) Subiram mais ainda. Se pudessem, veriam um caminho muito muito estreito. A sensação era de que o carro seria esmagado a qualquer momento pelas construções em volta. 6) A escolta parou. 7) Chegaram.&lt;br /&gt;- Sai do carro – disse outra voz e prontamente puxaram o casal pra fora com uma delicadeza policial.&lt;br /&gt;Tiraram-lhes as vendas e foram levados no escuro por uma escadinha que se derramava entre paredes tortas de concreto. Chegaram no alto de uma laje de onde se via uma paisagem de luzes sem fim e escuridão. Recebeu-os um magrão de chinelo, bermuda, jaqueta, máscara e... claro, fuzil.&lt;br /&gt;- O tio quer pó, né? – disse o mascarado.&lt;br /&gt;- Sim – respondeu o convicto Rocha.&lt;br /&gt;- Qual é teu time, ô portuga?&lt;br /&gt;Rocha ficou desnorteado. Pensou: “miséria, é agora que morro” Dona Gersa era a estátua de sua futura lápide. Nada falava apenas segurava seus lábios em pura tensão e pensava alternadamente no calvário de Jesus e no broche da noiva, ignorando o funk que rolava ao fundo.&lt;br /&gt;- Flamengo – mentiu o portuga.&lt;br /&gt;- Porra Manel, tu é um portuga muito diferente mermo. – riu o mascarado. - Tu quer quanto de pó? Pra vir aqui é pq ta na fissura. – e olhou para Dna Gersa - Sua patroa também é viciada, né???&lt;br /&gt;Tantas perguntas... Seu Rocha agora só queria botar as mãos naquele pó e sobreviver.&lt;br /&gt;- Quanto é um sâquinho? – arriscou o portuga lembrando de algum filme que viu na tv.&lt;br /&gt;- “Um sâquinho”? Hahaha q figura – virou o mascarado falando com os outros que estavam em volta e que retribuíam as risadas. – “Um sâquinho está 100 real ô gajo.”mas pra tu e sua patroa eu faço por 1 barão dois saquinho.&lt;br /&gt;O português teve um choque.&lt;br /&gt;- Mas... tão caro?&lt;br /&gt;- Como? Porra, vc vem a essa hora, sem avisar e atrapalha todo nosso esquema. Além do que vc só pode estar muito na fissura mesmo... aí fica mais caro.&lt;br /&gt;- 500? – arriscou o portuga.&lt;br /&gt;- Hanh?&lt;br /&gt;- 500 por dois sâquinhos?&lt;br /&gt;Por fim, o traficante aceitou. Ele mesmo parecia farto (o que podia significar perigo). O traficante exigiu pagamento antecipado. Tiraram a carteira do bolso de Seu Rocha e entregaram pro bandido que vasculhou e tirou a grana, inusitadamente, ignorando cartões e todo o resto. Quinhentos era exatamente o que havia em dinheiro ali, por conta de pagar o florista, os músicos e o fotógrafo da igreja. Que sorte..&lt;br /&gt;- Pô, veio preparado hein? Tu deve ter grana. Gosto de cliente assim.&lt;br /&gt;O traficante sumiu com a grana pra dentro do barraco e depois dum tempo voltou com dois saquinhos de plástico. Dentro deles estava o tal pó branco. Capitalistamente, trouxe também uma libra e pesou os dois saquinhos para provar que tinham o mesmo peso e que ninguém sairia no prejuízo. Fez alguns elogios também à qualidade do material que vendia. Pelo visto gostava muito do seu ofício. O casal agora parecia mais calmo. Enfim, o artifício dera certo. Seu Rocha segurando o saquinho era um tanto inverossímil mas... tudo bem. Estavam vivos. Poderiam ir embora com a graça de De...&lt;br /&gt;- Só mais uma coisa, disse o mascarado e espalhou uma colher de pó numa carreira sobre um espelho quebrado.&lt;br /&gt;- Cheira – completou, lhe entregando o canudo de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casamento estava atrasado. Maria, a noiva, estava em prantos. Os convidados estavam ansiosos. A igreja estava cheia.&lt;br /&gt;Ailton, o noivo, que até então buscava notícias dos sogros, entrou correndo com o celular na mão.&lt;br /&gt;- Vamos. A polícia me ligou. Eles estão presos em Olaria. – sussurrou para Maria.&lt;br /&gt;- Quê? – disse a noiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cela, a cena era deplorável. Os dois portugas chapados não falavam nada e fediam. Foram encontrados num corsa azul que beijara um poste. No porta-luvas a polícia encontrou dois saquinhos com 200gr de coca cada. Pelo visto, tinham cheirado uma parte.&lt;br /&gt;Quem diria. Após todos esses anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a gente se surpreende com as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-107719285424131438?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/107719285424131438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=107719285424131438' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107719285424131438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107719285424131438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/02/perfeitos-dna-gersa-e-seu-rocha.html' title='Perfeitos. Dna Gersa e Seu Rocha.'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-107703464098713166</id><published>2004-02-17T14:17:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T19:28:21.186-02:00</updated><title type='text'>O Nirvana do Indie</title><content type='html'>Existe uma coisa chamada cultura alternativa.&lt;br /&gt;Vcs sabem o que é isso?&lt;br /&gt;Muitos não conhecem por isso eu vou explicar, se não vai ter gente que não vai entender essa história.&lt;br /&gt;Cultura alternativa também poderia ser chamada de underground mas isso é uma informação que eu teria q checar pois muita coisa andou mudando ultimamente.&lt;br /&gt;Mas não vou fugir do assunto.&lt;br /&gt;Esta forma de cultura é essencialmente composta por coisas que estão fora do padrão do grande mercado cultural e de entretenimento. Portanto, pagode, axé e funk estão fora. Sacaram?&lt;br /&gt;Mas fora mesmo!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro deste circuito (vamos chamar de cena?)... Dentro da cena alternativa, existe uma autocensura que visa se preservar da influência perniciosa da Cultura Popular Mercantilista e Emburrecedora. Veja bem, os alternativos não são gente erudita, só não são populares. Não vamos discutir o problema da cultura erudita aqui mas basta dizer que ela é bem mais elitizada que a cultura alternativa. Cultura é um assunto realmente chato, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus é indie.&lt;br /&gt;Indie eu não expliquei. É a corruptela de independente, só que em inglês que é a língua-mor da cultura alternativa. Os indies são aqueles que produzem sua própria cultura com referência no que é produzido nas entranhas das duas matrizes da alternatividade: os USA e England. Portanto não é uma coisa pop.&lt;br /&gt;Pois bem, Mateus produzia filmes que pouquíssimos viam, desenhava coisas bizarras que dormiam em sua gaveta ou que eram expostas em lugares que pouquíssimos iam, tocava numa banda que só seus amigos curtiam e gostava e falava de coisas que só seus amigos conheciam. E até mesmo comia coisas que a maior parte da patuléia ignara não comia. Ele não ia ao McDonalds, pra vc ter uma idéia... Mateus, portanto, vivia uma vida alternativa exemplar... Nosso não-tão jovem Mateus...&lt;br /&gt;Sua adoração pelo undergroundalternativoindie era tamanha que lhe dava asco conviver com o inculto, fútil e brega resto do mundo. Sim, isso o enojava... pacas.&lt;br /&gt;Mateus fumava a droga básica da alternatividade... mas teve seus resvalos em chazinhos que lhe deram ondas bem... alternativas.&lt;br /&gt;Basicamente, isto sintetiza a vida de Mateus.&lt;br /&gt;E sua relação com o resto do mundo continuava pior e mais insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, no jantar familiar, seus pais lhe falaram algo e ele não entendeu.&lt;br /&gt;Ele lhes respondeu e eles também pareciam não ter entendido.&lt;br /&gt;Curioso.&lt;br /&gt;Saiu à rua, encucado com isso, parou em frente ao boteco e algo lhe chamou a atenção...&lt;br /&gt;Na TV, aquela loura coroa das crianças falava... e ele não entendia.&lt;br /&gt;Pensou estar louco e foi falar com os amigos. Felizmente conseguia entendê-los perfeitamente. Ufa.&lt;br /&gt;Explicou a situação e o Pão, um garoto amarelo que morava na praça de skate disse que com ele também era assim. Nunca revelou isso a ninguém pois tinha medo de ser tachado de louco.&lt;br /&gt;Mateus descobriria com o tempo que a sua situação se repetira em outros moleques de sua rua e de outros bairros. Todos curtiam essas coisas alts e agora faziam parte de um mundo realmente à parte.&lt;br /&gt;A ida ao médico junto com o pai de nada adiantou. Não entendeu a receita do médico (o q mesmo em condições normais já seria muito do normal) e os conselhos que saíam da boca do doutor eram um chiado.&lt;br /&gt;O chiado... este ponto é bem curioso, pois era isto o que Mateus ouvia da boca dos não-alternativos... Um chiado.&lt;br /&gt;Em casa, mexendo em seu ampli (procurava tocar guitarra pra relaxar) as peças se encaixaram... Hamming. As pessoas estavam falando hamming.&lt;br /&gt;Para os não-alternativos explico: hamming é um ruído... como um chiado que sai de uma caixa de som quando não tem um aparelho plugado ou quando o plugue está com defeito.&lt;br /&gt;Faça essa experiência um dia. Comprem um ampli (corruptela de amplificador) e arranjem um cabo de guitarra bem velho. Conectem.&lt;br /&gt;Portanto, pais, atenção para seus jovens e não-tão jovens filhos se eles demonstram não entendê-los ou falam algo que vcs não entendem... Afaste-os da cultura alternativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afaste-os do hamming.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Soniquiuti Comeu Meu Filho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei à conclusão que essa tal cultura alternativa é um mal.&lt;br /&gt;Muito mais perniciosa que o axézinho de todos os dias. O Axé tem alegria, gente.&lt;br /&gt;Veja como as pessoas dançam de forma ordenada e levantam seus braçinhos.&lt;br /&gt;Peguei meu filho de 14 anos no quarto ouvindo cultura alternativa.&lt;br /&gt;Vc não sabe o que é cultura alternativa? Sorte sua. É uma porra duns sons maluco que não dá pra entender nada.&lt;br /&gt;Juro... eu tento... sou um pai compreensivo, mas, porra, qual é a graça de ouvir aquele bando de ruído e aqueles filhadaputa gritando???? Isso não é música. Falo isso pra ele e sabe o que ele diz? “pai, toma no cu isso é foda.”&lt;br /&gt;Tem festa no playground? Ele não vai.&lt;br /&gt;Os meninos chamam pra jogar bola? Ele não vai.&lt;br /&gt;Tem churrasco no quintal? Ele prefere ficar no quarto. Ouvindo um tal de Soniquiuti.&lt;br /&gt;Pra ele Soniquiuti é Jesus Cristo. Outro dia ele falou isso na mesa e desci-lhe a mão. Porra, Jesus não, vai tomar no teu cu. Pra ele tudo que não é Soniquiuti é babaquice.&lt;br /&gt;Soniquiuti é o caralho – eu penso, mas não falo... Dizem que não ajuda se eu der esporro no moleque mas, porra, é de fuder aquela música. Minha pressão sobe.&lt;br /&gt;Exceto pelo videogame, meu filho não é um cara normal. Pra mim, ou ele é boiola ou é doido. Os dois, talvez.&lt;br /&gt;Pra vc ver como é doido esse garoto: prefere ouvir vinil que cd. Chega do colégio cheio daquela velharia que compra na rua com um mendigo. Só não mato esse mendigo pq é pobre. E hoje em dia matar pobre dá a maior merda. Bando de ONGs filhasdaputa.&lt;br /&gt;Tem mais... Meu filho com certeza fuma maconha. Depois que passou a ouvir essa porra, o cabelo dele cresceu, tá um traste. É... com certeza fuma maconha.&lt;br /&gt;Por mim, a maconha ele podia até fumar mas ouvir a porra do do soniquiuti é que é foda.&lt;br /&gt;Morte ao Soniquiuti.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-107703464098713166?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/107703464098713166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=107703464098713166' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107703464098713166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107703464098713166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/02/o-nirvana-do-indie.html' title='O Nirvana do Indie'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-107698073523037687</id><published>2004-02-16T23:18:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T19:27:02.983-02:00</updated><title type='text'>Schmidt</title><content type='html'>A noite in-tei-ra ela teve que chupar aquele pau mole.&lt;br /&gt;Isso foi a primeira coisa que ela falou quando chegou à agência.&lt;br /&gt;Estava emputecida. A puta.&lt;br /&gt;Seu nome era Schmidt. Não o dela... O dele, o do pau mole. O dela naquela hora era Amanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pau mole de Schmidt... Foi um programa pra lá de estranho.&lt;br /&gt;Assim q chegou na agência, às 22 horas, Dona Carla falou prela do cliente hospedado em Ipanema. Prometia... Apartamento em frente ao mar... Duas horinhas de atendimento. Chegou lá de táxi.&lt;br /&gt;Um prédio de poucos andares e muito vidro. Vidro fumê na portaria. Mesa de vidro pro porteiro. Divisórias de vidro fumê. Até as esculturas (umas mulheres sem rosto) eram de vidro.&lt;br /&gt;O porteiro perguntou o andar. Quinto. “Ah... É Seu Chimite!!!” O severino falou. “Pode subir.” Nem precisou ligar. Que ótimo. O severino foi bonzinho.&lt;br /&gt;O elevador era uma enormidade. Moraria uma família ali.&lt;br /&gt;Demorou para o alemão abrir a porta do elevador e ainda abriu com lerdeza.&lt;br /&gt;“Oi neném.” Ela optou pela saudação dengosa.&lt;br /&gt;Atendeu a porta um bebê branco gigante, calvo e magricela com a narina toda branca: “Ói. Vochê Amanda?” Ele falava com a voz torta de gringo cheirado.&lt;br /&gt;“Chou chim, neneumzaum gotojo” Ela saudou, brasileiramente efusiva.&lt;br /&gt;“Eu Schimdt. Euntra.” Completou o alemão e ela euntrou no recinto.&lt;br /&gt;Fora um sofá mofento e umas mesinhas (de vidro) tinha pouca coisa na sala. Um jornal gringo (devia ser alemão), um punhado de dólares no chão, uma bermuda florida toda molhada e cheia de areia no sofá... As poucas coisas que tinham no apê pareciam jogadas... “Ai, q neném bagunchêlo hein? Ai ai”. Ela realmente havia optado pela recepção dengosa. Mas isso ainda não parecia ter tido efeito sobre o bebê gigante europeu que só se balançava e a olhava com cara de espanto. Estava com uma bermuda tão florida quanto a do chão. Só que essa era laranja.&lt;br /&gt;“Chenta, Amanta?” Ele repetiu.&lt;br /&gt;“Vem cá, bem, onde tem telefone? Tenho q ligar pra agencia.” disse Amanda.&lt;br /&gt;“Tafone ashi?” disse Schmidt.&lt;br /&gt;Ficaram se olhando um tempo. O alemão pendulando e ela, sem reação, até concluir: “Tah bom, nen, deixa q tia Amanda procura o tetel-lefone tah?” Ai meu pai. – desabafou baixinho.&lt;br /&gt;Achou o tel, fez a ligação e aproveitou pra desabafar mais: “porra, me arranjaram um alemão cheiradão. Se bobear o pau dele nem sobe.” Dona Carla: “Sorte sua. Qualquer problema me liga. C acha que ele é violento?” Amanda: “Não não. Tadinho. Parece um bebêzão. Isso não ofende nem uma barata.” Desligaram.&lt;br /&gt;Quando chegou na sala o alemão tinha sumido. “Chimiditeeee. Neneeem. Cadê vochê?”&lt;br /&gt;O bebê gritou lá de dentro: “AmantaAAA!” Os gritos a levaram a um quarto onde o alemão tava estirado numa cama enorme com a bermuda caída até o joelho e o piruzim à mostra.&lt;br /&gt;“Chupa Amanta Chupa Chimite” – ele pedia, todo torto.&lt;br /&gt;Ficou desconcertada olhando aquela tripa encolhida em cima do saco, em cima da cama. “Ai qui bunitim o pipiu de Neném tah dormindo. Vamo acordar o piupiu branquinho?” ela arriscou.&lt;br /&gt;“Chupa Amanta Chupa Schmidt” – insistiu e aproveitou para jogar umas notas de dólar na direção dela. Ela juntou as notas e botou na bolsa indo dar um trato na tripa do alemão. Foi um custo: tirar de vez a bermuda do gringo, posicionar o bicho na cama, aturar o cheiro de whiskye mas o difícil mesmo foi pegar na tripa. Mas ela pegou. Era uma questão de honra e Amanda tinha uma qualidade: uma vez num programa, ela ia até o fim.&lt;br /&gt;“Chupaaa” reclamou o bebê dando mais uma mamada no whisky.&lt;br /&gt;Amanda disse depois que perdeu conta do tempo que perdeu chupando aquela “bronha frocada”, aquele caramujo, aquela... coisa. Dentro da boca a sensação era de estar chupando uma Maria-mole salgada... salgada de praia ainda por cima. Isso foi como depois ela narrou a história pras outras meninas e pra mim.&lt;br /&gt;A noite foi passando e suas reações foram mudando a cada momento. Primeiro, a perseverança por um objetivo a alcançar. Depois a raiva de estar naquela situação esdrúxula. Daí, a resignação de estar cumprindo um dever com sua família e, por fim, a sensação de que aquilo tinha que terminar logo. Mas mal tentava tirar a cabeça e a porra do gringo a empurrava de volta.&lt;br /&gt;“Chupa e Schimite Goja” prometia o torto.&lt;br /&gt;Viu então outra saída. Chupou um pouco mais, daí ficou com a boca parada, para não ficar com cãibra. Esperou com a pequena bola de carne na boca até ouvir o ronco do gringo. Depois se levantou e procurou um banheiro para lavar a boca. No banheiro, em cima da privada, viu o retângulo de vidro com os restos de pó. Lavou o rosto na pia depois tirou o vidro e tratou de aliviar a uretra.&lt;br /&gt;Sentada na privada ficou um tempo olhando a superfície do vidro e o branquinho em cima dela. Por exatos 9 segundos sentiu uma paz absurda. Não pensou em nada. Total silêncio em sua cabeça. Então... “Amantaaa”. O bebê gringo despertou. Se arrumou e foi pro quarto mas ele já havia sumido. Foi pra sala e lá estava ele com outro retângulo de vidro dando uma baita cheirada. Chegou perto. Ele estava usando uma nota de dólar para cheirar. Primeiro uma narina, depois, a outra. Daí, levantou a cabeça e aí ela até achou bonitinho pq ele falou todo choroso: “Amanta não gosta chimite?” Ela realmente ficou dengosa ao ouvir isso e respondeu: “Ai nenen. Amanta gosta chimite. Gosta sim... Vem.” então pegou o gigante e o embalou o corpo semi-nu em cima do sofá. No colo dela Chimite olhou prela com cara suplicante e lhe deu a nota que usou como canudo. Ela ficou segurando aquele dólar branco sem saber o que fazer enquanto Schmidt voltou à mesa para cheirar com outra nota. Assim que acabou entregou a nota como presente para Amanda. Virou um joguinho. Schmidt cheirava uma nota e assim que acabava a entregava para Amanda. Mas até esse brinquedo cansou. Amanda já tinha umas 15 notas de dólar estocadas na bolsa. Sua paciência estava acabando. Olhou o relógio e viu que aquele programa estava pra terminar... ai santo pai, enfim. “Nen, hora de tia Amanta ir emboraaa. Tah?”&lt;br /&gt;Schimidt levantou a cabeça e pedaçinhos de pó caíram do seu nariz. “Não!” disse talequal criança. “Mas chimite... cabou. Tia tem hora.” retrucou Amanta, maternal.&lt;br /&gt;“Não!! Não!! Não!!!” – reclamou Schimdt e agora, fazia bico e estava todo vermelho. Ela ainda tentou argumentar mas o alemão se recusava a deixá-la falar e gritava tampando o ouvido. “Não! Não! Nãaaao!!!! AMANTA FICA!!! CHIMITE QUER AMANTA FICAAAA!!!”&lt;br /&gt;“CHIMITE!!!” – gritou Amanda usando sua experiência de mãe e puta – “QUIETO!!! OUVE!!!” O bebê branquela congelou com a boca aberta e os olhos cintilando. “Presta atenção. Eu fui paga pra ficar DUAS horas. DUAS horas. Pra tia ficar mais, chimite teria q pagar mais.” disse conclusiva, resoluta, firme e vencedora. Sem perder mais tempo se levantou pra se arrumar. O programa havia encerrado.&lt;br /&gt;“Schimite paga mais. Amanta fica” – fechou o alemão.&lt;br /&gt;Amanda parou como Dadá... No ar.&lt;br /&gt;“Mas...” – ela ainda arriscou. E Schimdt a olhou, desafiador e triunfante. “Ah te peguei” – ele parecia dizer. “... Mas Amanda vai ter q ligar pra agência pra avisar. ” ela, desanimada.&lt;br /&gt;“Liga.” disse o gringo, e concluiu: “Amanta fica. Chimite paga.” e jogou mais dólares nela.&lt;br /&gt;Cosnternada, ela foi pro telefone. Dna. Carla atendeu e ela explicou. A coroa foi direta: “Ótimo...Fica mais. Fica o quanto esse gringo puder pagar.” e desligou na cara da menina.&lt;br /&gt;Amanda olhou o gringo e lá estava o danado de narinas brancas, sorrindo de orelha a orelha, sacanamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite se arrastou... O gringo cheirando e se enxarcando de uísque, Amanda chupando o pau mais mole da Terra. Lá pelas tantas Amanda surtou.&lt;br /&gt;“Chega de cheirar, seu gringo maluco. Chega.” ... e lá estava Schmidt de novo com cara de criança q fez caca e leva um ralho. Ela se levantou e continuo com o dedo em riste, reprobatório. “Olha o seu estado. Seu pau está mole. Ouviu? MOLE! É horrível chupar um pau mole, sabia???” Schmidt ouvia, constrangido, abraçado à garrafa de uísque. “Que merda!” ela ainda reclamou pra finalizar. Então o gringo chorou. Abriu o berreiro e Amanda ficou pasma. De novo. “Amanta briga com Chimite. Amanta não gosta.Buaaa”&lt;br /&gt;“Pára, Chimite. Pára.” mas era tarde. Não havia lugar pra razão. O gigante estava triste. Pacas. Foi então q Mamãe Amanda voltou. “Nén... Pála de cholar nén. Pála... P. favor. Pála. Vem cá, vem com tita Amanta.” e abraçou-o e ficou ninando o marmanjo que se refugiava em seu brinquedo alcoólico. Aliás, aproveitou a deixa para dar um gole de alívio. Duas, três horas se passaram. Amanda e seu bebê supercrescido dormiram abraçados desajeitadamente no sofá.&lt;br /&gt;Amanda despertou duas horas depois. A cabeça latejando muito. Empurrou o marmanjo pro canto e foi pra janela da sala. A cortina cobria a maravilhosa visão pro mar. Abriu e a luz preencheu tudo. Lá fora o sol ardia, o céu ia se saturando de um azul anil, forte e sem obstáculos. O horizonte e mar formavam uma tela de azul sobre azul. Impressionante tela.&lt;br /&gt;Lá embaixo, na porção bege da paisagem, alguns pontinhos pequenos iam chegando e ocupando seus lugares. Barracas sendo armadas. O som crescente de uma praia em um falso inverno. Amanda ia buscando o nada naquela paisagem e ia se perdendo em um pensamento indefinido e cansado, quase canino. Voltou à realidade com o chamado agonizante e baixinho: “Amaaanta.” O gringo. Chegou até o bebê e ele ergueu a mão. “Fecha janela. Luuuuz.” reclamou.&lt;br /&gt;“Na-na-não. Nenen tem q ver luz. Se não nenen fica dodói, tah?”&lt;br /&gt;“Ó... tia Amanta tem q ir agora, tá?”&lt;br /&gt;“Chimite paga. Fica.” – murmurou.&lt;br /&gt;“Não. Chega de ‘chimite paga’. Tia Amanta vai pegar dinheilo e vai pa casinha, tá?”&lt;br /&gt;“Tá” - disse o chimite resignado.&lt;br /&gt;“Ó, titia quer q chimite toma banho e toma solzinho tah? E chega de chelá pozinho blanco tah?”&lt;br /&gt;“Tá” – respondeu o chimite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanda pegou mais alguns dólares, olhou o relógio do celular, fez cálculos mentais e pegpu também os reais correspondentes ao período que ficou. Foi embora.&lt;br /&gt;Ainda olhou uma vez mais pro bebê germânico que roncava de costas para uma tela pulsante de azuis celeste e marítimo. Desceu no elevador com uma família atarantada – duas crianças e os pais. Na portaria, deu um tchau ao severino. Pegou o táxi e rumou pra sua casa... bem longe da zona sul. Nos dias seguintes ainda pensou em Schmidt, seu pau mole e sua cara de bebê. Talvez tenha se apaixonado... O fato é que nunca mais o veria novamente.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-107698073523037687?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/107698073523037687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=107698073523037687' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107698073523037687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107698073523037687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/02/schmidt.html' title='Schmidt'/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6488476.post-107696183831180512</id><published>2004-02-16T18:03:00.000-02:00</published><updated>2004-11-22T19:29:35.140-02:00</updated><title type='text'>Ritual de Purificação </title><content type='html'>Um suco de laranja.&lt;br /&gt;Nenhuma miligrama de açúcar.&lt;br /&gt;Nenhum gelo. Nem água.&lt;br /&gt;Só o suco. Puro. Purinho.&lt;br /&gt;Apresentei o copo com líquido amarelo ao copo com o líquido escuro...&lt;br /&gt;Sentei-me em frente pra assistir a conversa dos dois. Me concentrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou em cima de uma nuvem. Do alto vejo os fatos da noite passada.&lt;br /&gt;3 bêbados carentes arremessam meu corpo ao chão de um palco sujo. Alguém toma meu microfone e acho que grita “ruoquenruol”. Chapam minhas costas, já não sei se era parede ou chão mas sei que torci minha perna. Eu não sorria. Mas também não sentia nada. Apenas peso e gravidade. Soterrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um copo era laranja e o outro era escuro.&lt;br /&gt;Um era frio e o outro bem quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me como pude escalando a massa de corpos. Eu não sorria. Devolve isso. O microfone é meu. Gritei na tentativa inútil de demonstrar meu desafeto. Olhei meus dedos de sangue nos fachos de luzes piscantes - alguém devia ‘de’ proibir isso. O sangue vinha da minha boca. Machucado e magoado voei até a nuvem mais próxima e deixei que o caos tomasse conta do resto. Lá no alto não havia ninguém. Pensei em descer e salvar a menina. Mas eu estava cansado e ela já não estava mais lá. O palco fora tomado. Tudo era um zumbido e só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei o copo escuro.&lt;br /&gt;Senti seu gosto amargo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zumbido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei o copo laranja.&lt;br /&gt;A pureza existe, nem tudo é sujo e minhas costas doem.&lt;br /&gt;Acho que acordei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ritual de Purificação (ERRATA)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Onde se lê: &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tomei o copo laranja.&lt;br /&gt;A pureza existe, nem tudo é sujo e minhas costas doem.&lt;br /&gt;Acho que acordei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Leia-se:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Inoculo o líquido escuro e quente no laranja.&lt;br /&gt;Assisto a mistura e bebo. A pureza não existe.&lt;br /&gt;Volto à minha cama.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6488476-107696183831180512?l=200belashistorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://200belashistorias.blogspot.com/feeds/107696183831180512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6488476&amp;postID=107696183831180512' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107696183831180512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6488476/posts/default/107696183831180512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://200belashistorias.blogspot.com/2004/02/ritual-de-purificao.html' title='Ritual de Purificação '/><author><name>D</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://bp1.blogger.com/_BGWEHnpoPvQ/SCCU6B63OPI/AAAAAAAAADQ/i1OtxvIyHL8/S220/SIMBOLO-D.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
